Ou é rico ou é bobo.

30/10/2011 - Uma resposta

Pode reparar. Hoje em dia, para qualquer um que você pergunte o que ele quer da vida, vai ouvir uma única e invariável resposta:

– O que eu quero é ser feliz!

Pois eu te falo uma coisa. Não sei o que é que esse povo vê tanto assim na felicidade. Pra mim, ser feliz e ser bobo é mais ou menos a mesma coisa. É só comparar. Um cara feliz, por exemplo, vive rindo de tudo e para todo mundo. Um bobo também. Um cara feliz acha que nada precisa mudar na sociedade, que tá tudo bom do jeito que está. Um bobo, idem.

E o pior é que essa busca incessante pela felicidade já faz parte tão integrante das nossas vidas que quem não quer (nem busca) ser feliz é considerado um pária social. Uma pessoa doente. Um câncer da sociedade. Até mesmo as coisas que eu mais adorava antigamente, hoje em dia, com essa obrigação de ser feliz, se tornaram chatas, sem graça e, muitas vezes, até mesmo perigosas.

Vejam vocês aí os velhinhos. Pois eu sempre adorei a ranhetice dos velhinhos. Por já não terem muito a perder, os velhinhos sempre falavam o que bem entendiam, esmagando com sua experiência qualquer pequeno sinal de esperança que nossa juventude pudesse transmitir.

Agora, tem coisa mais chata que esses velhinhos que a imprensa insiste em chamar de “membros da melhor idade”? Eles acordam de manhã e vão fazer exercício em praça pública. E de bermudas, meu deus do céu, de bermudas! Onde foram parar aqueles deliciosos ternos cinzentos, as bengalas e os óculos de aro de tartaruga?

E para onde foram todos os velhinhos rabugentos, que escondiam nossas bolas de futebol que caíam em seus quintais? Devem estar todos por aí, em escolas de informática, aprendendo como se manda um e-mail ou tentando entender para que diabos serve um tablet…

E o humor? O que foi que aconteceu com o humor? Antigamente, para fazer alguém rir, era necessário um mínimo de arte, com uma pitada de segundas-intenções. Uma piada explícita não é uma piada. É uma ofensa. E é o que mais tem acontecido com o humorismo atualmente. Com essa obrigação de fazer as pessoas rirem, parece que vale tudo. Vale fazer piada com a morte de uma cantora. Vale dizer que vai transar com a mãe e com o recém-nascido. Vale rir do assassinato de um ditador. Vale rir até do câncer de um ex-presidente. Sei lá. Pra mim, se você ri à toa, ou é rico ou é bobo.

E rico eu sei que a maioria de vocês não é, né?

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Os argentinos vão adorar

25/10/2011 - Leave a Response

Ninguém tinha coragem de falar a respeito, mas todo mundo andava meio preocupado com a possibilidade do Brasil não dar conta de construir tudo o que precisava para a Copa do Mundo, que o país não tinha condições técnicas para tocar tantas obras juntas, nem para reformar os aeroportos, nem para aumentar os hotéis, e que as próprias Olimpíadas no Rio de Janeiro iam acabar se inviabilizando pela violência da cidade, pelos traficantes, sequestros, balas perdidas e tudo o mais.

Tudo bem. Eu não sou nenhum otimista desinformado que acha que nossa população é competente, alegre e faceira, como tenta nos convencer o Fantástico todos os domingos, mas também não sou pessimista a ponto de achar que o Brasil não ia conseguir realizar os dois eventos. Nós temos sim ótimos profissionais em praticamente todas as áreas, e a gente ia acabar dando um jeito de não passar por esse vexame internacional, de uma maneira ou de outra.

Mas, agora, com os últimos acontecimentos, não vou mentir para você que eu não estou realmente ficando um pouco preocupado.

Os cartolas aqui do Brasil até que começaram muito bem, peitando a FIFA para brigar pelo direito constitucional dos estudantes e idosos de pagarem meia-entrada nos jogos da Copa. Afinal, quem a FIFA acha que é para passar por cima da nossa Constituição? Depois, com o começo da construção dos estádios, mostrou-se uma irrepreensível e, porque não, inesperada competência de nossos engenheiros e operários, e algumas das obras já estão, inclusive, bastante adiantadas em relação a seus cronogramas. Tudo ia dando tão certo que fez a gente até se esquecer, por alguns momentos, do mais antigo, intrincado e conhecido problema brasileiro: a boa e velha corrupção.

Não demorou muito para começarem as denúncias. Primeiro, as acusações de lavagem de dinheiro, contratos irregulares e suposto pagamento de propina envolvendo o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Depois, aquele rolo todo do Itaquerão, o novo e ainda em construção estádio do Corinthians, escolhido sabe-se lá como para sediar a abertura da Copa 2014, deixando para trás estádios históricos (e já construídos) como o Morumbi e o Maracanã. E agora, chegando ao topo, com as denúncias de corrupção contra o próprio Ministro do Esporte do Brasil, Orlando Silva.

Sei lá. Dá até um arrepio na espinha só de imaginar que a FIFA e o Comitê Olímpico possam acabar desistindo de realizar os dois maiores eventos esportivos mundiais por aqui.

Já imaginou o tanto que os argentinos iam gozar da nossa cara?

Sem palavras

23/10/2011 - Leave a Response

Nunca tive TV por assinatura. Uma mistura de fatores que vão desde o pouquíssimo tempo a que me dedico ao estranho hábito de me sentar em frente a uma caixa iluminada por imagens esquisitas, até pela minha preferência pessoal pela leitura, hábito não menos estranho, porém mais cercado de glamour, tudo isso somado, é claro, a diversos fatores econômicos, fizeram com que eu nunca instalasse uma daquela famosas anteninhas redondas no meu telhado, luxo esse, aliás, até muito recentemente, restrito para poucos.
Hoje, com a chamada “nova classe C”, tudo mudou. São eles os grandes responsáveis pelo aumento dos lucros de todas as TVs por assinatura que, por sua vez, tiveram que se adaptar rapidamente a esse novo e grande público. O que antes era uma espécie de “marca registrada” das TVs por assinatura, a transmissão de programas em sua língua original legendados em português, vem se tornando cada dia mais rara. No ano que vem, aliás, o conteúdo dublado vai dominar praticamente toda a programação dos canais de televisão paga.
E não é à toa. Os canais dublados, como o TNT e o Telecine Pipoca, lideram o ranking dos canais mais assistidos. A Fox foi pioneira e, desde 2007, todo o conteúdo do seu horário nobre é dublado. E, atrás delas, seguiram quase todas as outras. Segundo os especialistas, essa é uma tendência praticamente irreversível, ainda mais se contarmos com a alta qualidade de nossos dubladores, elogiados e premiados no exterior, onde esse tipo de atividade é rara, mal feita e, muitas vezes, até mesmo inexistente.
Tudo bem. Para falar a verdade, eu mesmo, dependendo do filme, prefiro filmes dublados. Além de não atrapalhar a imagem com aquelas letrinhas amarelas, dá para prestar mais atenção nas cenas, no trabalho dos atores e tudo o mais. O grande problema é que, com o fim dos filmes legendados, o brasileiro vai ler ainda menos do que já lê. De uma maneira ou outra, um filme legendado faz o telespectador sair um pouco da sua linha de conforto, e o força a raciocinar um mínimo que seja.
Enquanto a maioria anda preocupada com o fim dos jornais e dos livros impressos, com essa tendência das TVs por assinatura, surge uma nova e ainda mais terrível ameaça. Talvez, daqui um tempo, a própria palavra escrita seja extinta, substituída por imagens, pelo som ou coisa parecida. Aliás, a grande novidade no lançamento do novo iPhone, o último projeto do Steve Jobs, não foi o design, nem o hardware, nem nada disso.
O iPhone 4S trouxe como grande novidade o SIRI, um programa pelo qual, sem escrever uma única palavra, apenas falando no microfone, ele cumpre a maioria das funções do aparelho. Talvez tenha sido esse o começo do enterro da palavra escrita. E dado pelo Steve Jobs.
Que deus o tenha.

Mas será possível que esse povo não tem mais o que fazer não?

18/10/2011 - Leave a Response

Eu acho que nunca vou parar de me espantar com a importância que as pessoas dão para o esporte. Porque o esporte, qualquer esporte, é uma coisa muuuuito esquisita.

Eu tenho, inclusive, uma teoria sobre essa relação do homem com o esporte. Trata-se do seguinte. Já é de consenso geral que o ser humano descende de uma espécie de primata. Salvo uma ou outra religião ou cultura com tendências ainda mais esquisitas que os esportes, os maiores cientistas do planeta concordam, hoje, que nossos primeiros parentes desceram das árvores, passaram a caminhar sobre duas pernas e, daí, iniciaram a nossa história, passando a inventar os mais diversos tipos de armas, os mais diversos tipos de cercas e… os mais diversos tipos de esportes. Você entende que, antes disso tudo acontecer, não existiam esportes na natureza? Os esportes só foram inventados a partir do momento em que o ser humano criou uma vida “artificial” para ele mesmo e sua família. Você já viu, por exemplo, um chimpanzé correndo os 400m rasos? Ou um orangotango fazendo salto à distância? Ou, ainda, um mico leão dourado lutando judô? Pois não viu. E nunca vai ver.

O esporte só foi inventado porque no fundo, lá no fundo, o ser humano ainda tem aqueles velhos instintos de correr atrás das presas, de saltar entre as árvores ou de lutar por uma fêmea. Quer dizer, quem gosta muito de praticar esporte, está é com saudades do tempo em que não passava de pouco mais que um animal selvagem lutando pela sobrevivência.

Senão, o que diabos um sujeito inteligente, instruído, rico e bonitão pode querer fazer em cima de uma máquina que corre a mais de 300km/h, como esse sujeito que morreu nesse último final de semana na Fórmula Indy? Mas será que esse cara não seria muito mais produtivo para a civilização se ele tivesse sido um cientista, um artista ou até mesmo apenas um bom procriador, fazendo a sua parte pela preservação da espécie?

Mas não. O cara passa a vida inteira treinando para, seja numa pista, numa piscina ou num campo de futebol, ser um pouco melhor que os outros, nem se for milionésimos de segundos. E o pior. Acompanhado ao vivo por um bando de torcedores fanáticos e desocupados na frente da TV

Mas será possível que esse povo não tem mais o que fazer não?

Jogos Pan-oquê?

16/10/2011 - Uma resposta

É engraçado como, apesar de tudo o que aconteceu com a humanidade com a chegada da internet, onde todo mundo pode dizer mais ou menos o que lhe der na telha, de onde estiver e na hora que quiser, a Rede Globo ainda mantém uma certa hegemonia sobre a realidade que nenhum outro meio de comunicação ainda possui no Brasil.

Para quem não se lembra, a Rede Globo já conseguiu, por exemplo, eleger um presidente no Brasil, “provando” por A+ B que o Collor de Mello era, enfim, o homem que acabaria de vez com a corrupção no governo. Ao mesmo tempo, fez com que todo o país passasse a ter medo do Lula e do PT, que eles iriam instaurar a anarquia, como comprovava uma assustada Regina Duarte, derramando suas lágrimas em cadeia nacional, no horário nobre.

Não satisfeita, quando percebeu a burrada que tinha feito, fez toda a nação acreditar que o mesmo Collor de Mello era um crápula sem escrúpulos e que ela, a Rede Globo, convocava todos os brasileiros decentes a derrubarem aquele lunático do poder, apoiando o movimento pelo impeachment e fazendo odes à juventude cara-pintada.

Quer dizer, a Rede Globo faz o que quer e o que não que com a nossa cabeça, e já faz é muito tempo. E a última delas está acontecendo agora mesmo, com os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara 2011.

Como a Rede Record ganhou a concorrência pela transmissão ao vivo dos tais jogos, a Rede Globo está simplesmente ignorando que mais de seis mil atletas, entre eles vários recordistas mundiais, estão disputando um dos maiores eventos esportivos do planeta, no qual foi investido cerca de 1,15 bilhão de dólares apenas em obras de melhoria de infraestrutura.

Depois de ignorar a abertura do evento no primeiro dia, a competição teve apenas alguns segundos no Jornal Nacional e no Globo Esporte. Depois, foi a vez de o Esporte Espetacular dedicar ao Pan-2011 o incrível tempo de pouco mais de um minuto. E, assim mesmo, porque o Brasil ganhou sete medalhas e a Jaqueline, do Vôlei feminino, sofreu uma grave lesão cervical no jogo de estréia.

Eu, sinceramente, tenho certeza que nem metade dos brasileiros sabe que os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara estão acontecendo. Eles fazem parte daquele pessoal que votou e derrubou o Collor, que achava que comunista comia criancinha, e que acredita, até hoje, que a Xuxa seja uma cantora.

Louro burro

09/10/2011 - 3 Respostas

Olha, eu não tenho nada contra os caras bonitos. Muito menos contras as mulheres bonitas. Mas, geralmente, ambos só ficam bem em fotografias de calendários, revistas ou em filmes de aventura. Geralmente, se o cara é um desses muito bonitões mesmo, que se destacam onde quer que vão, na hora que você senta para bater um papo, eles se mostram absolutamente sem graça.

A verdade é que um cara bonito já tem, sem precisar fazer muita força, tudo o que o ser humano realmente precisa para a sobrevivência da espécie, que é o sexo. Para um homem bonito, conseguir mulheres é uma tarefa fácil, para a qual ele não precisa demonstrar nenhum esforço intelectual maior do que o dispensado para pedir um drink. Simplesmente chovem mulheres no colo dele.

Já, para o feio, a coisa muda completamente de figura. Para o feio conseguir uma mulher é necessário desenvolver estratégias, armar esquemas, estudar pormenores da mente feminina, à procura de uma pequena brecha por onde ele possa se esgueirar sorrateiramente. O feio, por exemplo, costuma malhar muito em academias. Pode reparar. As academias estão cheias de feios. Isso porque o feio percebeu que, com um corpo saradão, as mulheres olham menos para sua cara cheia de espinhas e para aquele nariz que parece uma cenoura. E mais. O feio tem que, no mínimo, parecer inteligente. Tem que ter conversas interessantes e saber contar uma boa história para manter a mulher razoavelmente concentrada no que eles dizem, senão elas acabam olhando por cima de seu ombro e descobrem ali atrás, sentado sozinho numa mesa,aquele maldito amigo seu que nasceu com a cara do Brad Pitt. Os feios tem que estudar, se destacar em suas áreas, ganhar dinheiro. Porque uma mulher pode até escolher ficar com um feio, mas nunca com um feio burro e pobre, fato bastante comum entre os bonitões.

O bonitão, vamos ser sinceros, não precisa fazer nada disso. Ele só tem que sair por aí e ficar esperando. Quando ele percebe, está cercado de um monte de mulher, uma mais bonita que a outra. E, antes que comecem a falar que eu estou me mostrando um preconceituoso, que a mulher não é tão fútil assim e que existem muitos homens bonitos extremamente inteligentes, sim, é claro que existem exceções. Tanto entre os homens quanto entre as mulheres. O próprio Brad Pitt, já citado aí em cima, é o exemplo perfeito de um cara bonito e inteligente.

Mas, para ganhar a Angelina Jolie, você queria o quê?

A gente nasceu para brincar

04/10/2011 - Leave a Response

O que a gente quer mesmo, seja com três, vinte ou cinquenta anos, é brincar. Não aguento mais esse povo que leva a vida tão a sério. O cara chega e diz que o importante da vida é sua profissão, que o trabalho enobrece o homem, e aquele lenga-lenga todo. Pois a profissão que a gente escolhe continua sendo uma brincadeira. Muitas vezes, de mau gosto, é verdade. Mas, ainda assim, uma brincadeira.

Se você não acha, lembre-se dos últimos dias de suas últimas férias. Eu não sei de você, mas eu não aguentava mais. Não tinha do que reclamar. Não tinha que xingar o despertador às sete da manhã. Não tinha mis que correr apressado na hora do almoço para ver se dava tempo de tirar uma sonequinha de vinte minutos. E, especialmente, não tinha mais o que fazer! Eu já tinha feito tudo o que eu queria e não queria naquelas malditas férias, e agora eu não passava de um monte esponjoso de carne, esticado sobre o sofá, sem coragem nem de ligar a televisão.

Bem, é claro que, se você foi viajar nas suas últimas férias, isso tudo não aconteceu. Mas o que é uma viagem senão uma imensa brincadeira? Quando a gente vai viajar, brinca de esconde-esconde com o pessoal da alfândega, brinca de pega-pega com o ônibus que já está saindo. E isso sem contar aquele povo que vai passar as férias na Disneylândia ou no Hoppy Hari.

Até mesmo o sexo. Pense bem no sexo. O sexo é ou não é uma brincadeira? Todo aquele jogo de ganhar a garota, os esquemas armados, as poses sexy. Tudo não passa de um jeito da gente levar a vida sem ficar pensando o tempo todo na existência ou não de vida após a morte, na infabilidade de Deus, ou naquele maldito calo que começou a latejar de novo.

Não é à toa que a indústria que mais lucra hoje em dia seja a dos Videogames. Porque todo mundo simplesmente adora jogar e brincar. Tem jogo para criança, para adolescentes, para jovens e para adultos. Tem jogo de corrida, de guerra, de futebol. Tem até jogo que não tem vencedor, no qual a única coisa que você tem a fazer é… viver! É, viver. Num dos jogos mais famosos de todos os tempos, o “The Sims”, o jogador tem que trabalhar, ganhar dinheiro, pagar prestações, cuidar de sua casa, lavar a louça suja, tudo exatamente como na vida real.

Só falta, agora, a gente fazer o contrário do tal do “The Sims”. Em vez de brincar com um jogo que imita a vida, fazer a vida da gente se transformar numa irresponsável brincadeira.

Não fede nem cheira

02/10/2011 - Leave a Response

O problema das coisas é o cheiro. Ao contrário de ser uma maravilhosa evolução de nossa espécie, como dizem alguns, nosso olfato causa muito mais transtornos que benefícios. Veja bem o lance do banho. Todo mundo adora aquele cheirinho de banho tomado. Eu conheço gente que toma até quatro banhos por dia. Um, de manhãzinha. Outro, quando volta do trabalho. Outro, quando chega do trabalho. E mais outro, antes de ir dormir. Ele diz que odeia cheiro de suor, e precisa estar sempre cheiroso.

No entanto, estudos médicos dizem que o uso constante de sabonetes pode ser bastante perigoso. A camada mais externa de nossa pele funciona como uma espécie de barreira, feita de células mortas da pele. E essas células mortas dão proteção para as células saudáveis. Toda vez que você toma banho – especialmente banho quente com sabonete – expõe as células saudáveis da pele que estavam localizadas logo abaixo, causando rachaduras, irritações, e até inflamações mais graves. Quer dizer, só para ficar cheiroso, o ser humano acaba destruindo uma camada protetora de seu corpo.

Mas não ficamos por aí. Vejam vocês o pum. Todo mundo solta pum. O pum é uma consequência natural do processo de alimentação. Tanto é que todo animal solta pum, desde os ratos até os elefantes. Então, qual é o problema com o pum? Bem, o problema do pum é o cheiro. Quantas vezes a gente não teve que ficar segurando um pum, só porque está no meio de um conversa com o chefe? Ou da namorada? Ninguém solta pum na frente de uma namorada. A gente só começa a fazer esse tipo de coisa depois de uns bons anos de casado, quando a gente já não tem muito a perder.

Agora, quando a gente está de regime é que o olfato mostra mesmo como pode se transformar num dos nossos maiores inimigos. Depois de você passar o dia inteiro seguindo seu regime à risca, só comendo agrião, cenoura e bolachinhas água e sal, sua filha, à noite, resolve comer um sanduíche. Ela corta o pão, coloca umas folhas de alface, pega uma frigideira e… frita um bife com bacon!

Aquele cheirinho vai invadindo cada cômodo da casa, insinuando-se pelos corredores, pelo quintal, pelos quartos, até chegar debaixo da cama, onde você se escondeu para não ver ela comendo. Mas e o cheiro? O cheiro não tem jeito de segurar. Ele crava uma estaca no seu cérebro e, tal como um animal faminto, você corre para a cozinha e diz para a filha, num tom de súplica:

– Filha, faz um pra mim também?

Ciborgues

28/09/2011 - Leave a Response

A questão é que o ser humano já vem se transformando numa mistura de máquina com carne há muito tempo. Por exemplo, quando o homem espetou um pedaço de pau mais pontudo contra um bicho, ou até mesmo contra um cara lá que ele não gostava, você acha que ele foi o mesmo depois disso? Pois não foi. A partir daquele momento, ele passou a andar para lá e para cá sempre com sua lança debaixo do braço, porque ele descobriu que a simples posse daquela ferramenta, além de melhor sua qualidade de vida, fazia com que ele fizesse o maior sucesso entre a mulherada da época.

Ou a roda. Tudo bem, a gente ainda anda um bocado. Mas na maioria dos dias, a gente usa muito mais as rodas do carro do que os próprios pés. A roda tornou-se uma extensão tão natural de nossos pés que a gente nem pensa mais na coisa. A gente marca uma reunião de trabalho para daqui uma hora, sendo que o local da reunião está a mais de cem quilômetros – distância absolutamente impossível de cobrir se ainda contássemos apenas com nossos pés. Mas a gente nem pensa nisso na hora de marcar a reunião. A roda do carro já é parte da gente, sem a gente nem perceber.

E isso com mais um monte de coisa. Quanta gente que você conhece que tem um marcapasso incrustado no coração? Pois um marcapasso é uma maquininha de titânio, dotado de pilhas recarregáveis, que de tempos em tempos solta um impulso elétrico no coração do cara, sem o qual ele morre. Morre, entende? E aquele atleta sul africano que, depois de amputar ambas as pernas, colocou próteses de fibra de carbono e atingiu a marca que o qualifica para as Olimpíadas de 2012, em Londres? E quando a gente telefona para a telefônica e quem atende é um computador, dizendo para a gente teclar o dígito 1 se quer uma coisa, o dígito 2 se quer outra coisa? E agora, que uns cientistas da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, inventaram um programa de computador que produz notícias analisando dados disponíveis na internet? Um jornalista robô, veja você, um jornalista robô! Quer dizer, a gente tem que se manter atualizado, senão a gente acaba desempregado e…

– Tudo bem, eu entendo, querido. Mas você já tem dois iMac Pro, um MacBook Air, um iPod Touch, dois iPhone, pra quê diabos você precisa desse tal de iPad?

– Porque… porque… porque eu preciso, oras!

– Precisa uma pinóia! Primeiro você compra uma geladeira nova que depois a gente conversa, tá?

Larga de dar azia

25/09/2011 - 4 Respostas

Eu tenho uns probleminhas de saúde que me obrigam, de vez em quando, a fazer uma endoscopia. Sabe o que é uma endoscopia, né? É aquela intervenção em que os médicos enfiam um cano na sua boca, e vão empurrando garganta abaixo, passando pelo esôfago e sabe mais por o quê, até chegar lá no lugar em que eles querem chegar, às vezes só para observar, às vezes até para fazer uma operaçãozinha.

E acontece que, depois de fazer uma endoscopia, durante aí uns quatro ou cinco dias, eu fico com azia o tempo todo. Desde a hora em que acordo até a hora que vou para a cama. E azia é um inferno. Aliás, eu acho que, no inferno, a primeira coisa que o diabo faz com os pecadores, só para ferrar, é avisar que, a partir daquele dia, o pobre coitado vai ter azia por toda a eternidade.

Quando a gente está com azia, não tem nada nesse mundo que nos console. Nem festa, nem drogas, nem mulher. Nada. Quando a gente está com azia, só quer saber de tomar alguma coisa gelada, de preferência água mesmo, e ir embora para casa, pra ver se consegue dormir um pouco. O que não é fácil.

Porque, quando a gente está com azia, absolutamente tudo te irrita. O som da televisão está sempre muito alto, acima do limite do tolerável. Ou baixo demais, que não dá nem para ouvir direito o que os caras lá do filme estão falando. E a gente aumenta o som da TV. E diminui logo em seguida. E é mais ou menos nessa hora que a esposa trata de esconder o controle remoto da gente, porque, senão, vai ficar todo mundo louco na sala. E isso sem contar a programação. Diabos, será que esse povo acha que TODO MUNDO gosta de futebol e programa de auditório aos domingos? E o que é esse CONJUNTINHO aí? Meu deus do céu, nem bem os sertanejos saíram de cena, agora a gente tem que aguentar adolescentes de calça cor-de-rosa fazendo pose de roqueiro e mandando beijinhos para a platéia? E alguém aí pode me responder CADÊ O MEU CONTROLE REMOTO?

Mas é claro que toda essa irritação se deve à minha interminável azia. Geralmente, eu suporto tudo muito bem, como todo mundo. Aguento esperar meia hora em fila de banco. Aguento aguardar dois meses para uma consulta pelo SUS. Aguento até a proramação da TV aos domingos, sem muitas reclamações. Mas eu te falo mais uma coisa. Se, um dia, toda a população do planeta acordasse com uma baita azia, a gente ia resolver esses problemas todos rapidinho.

Só de raiva.