Acordei meio zoró

Encefalopatia. Um nome bem invocado para o que a coisa realmente é. Encefalopatia é, nada mais, nada menos, do que ficar “meio zoró”.  Sabe o que é “ficar zoró”, né? Não conhecer direito as pessoas com quem você convive diariamente, se esquecer completamente de qual seria exatamente a serventia daquele rolo de papel que está ali, ao lado do vaso sanitário. Ou então, em casos mais graves, plantar uma bananeira na beira de um prédio de 12 andares.

A Encefalopatia tem diversas causas. A principal delas é o mal funcionamento do fígado, seja por causa de uma hepatite mal curada, seja por anos e anos de muita farra. Aí você está ali, normalzinho como sempre foi e, de repente, sem nenhum aviso prévio, você se esconde atrás do sofá  tentando se proteger das flechas de índios Apache e gritando: Mulheres e crianças, corram para o porão!

Pois bem. Outro dia desses, fui acometido por uma encefalopatia leve. Não me escondi de Apaches, nem me esqueci de para que servia o papel higiênico, nem nada dessas coisas. Apenas “desliguei” do restante da civilização, e comecei a zanzar pela casa aparentemente sem nenhuma motivação ou destino. Quando dei por mim, estava internado num hospital, com alguns frascos gotejando soro nas minhas veias e, provavelmente, bastante sedado, já que nem consegui dizer para minha mulher que eu estava de volta.

Aos poucos, as pessoas começaram a conversar comigo, as enfermeiras, minha esposa, minha filha, e todos concordaram que eu já conseguia balbuciar algumas palavras que faziam algum sentido, e que minhas afirmativas a respeito dos Apaches (ok, confesso, durante a crise eu me escondi de um Apache) estavam devidamente sanadas. Aliás, a primeira coisa que eu disse, nem foi uma afirmação. Foi uma pergunta:

– Que dia é hoje? – eu indaguei para minha esposa que, com os olhos marejados, sorriu e disse que era segunda-feira.

– Segunda-feira? Puts grila, quer dizer que eu perdi o meu domingo inteirinho?

Todo mundo no quarto riu. Um enfermeiro comentou que eu já estava bom. Minha filha deu risadas altas e nervosas, dizendo que esse sim era o pai dela. E, dois dias depois, embora ainda um pouco assustado, eu já estava em casa, comendo uma macarronada com a família e fazendo planos para a ceia de Natal e Reveillon.

Hoje, pensando no assunto, eu fiquei pensando que, talvez, o que nos diferencia dos outros animais, não seja nem o polegar opositor, nem o tele-encéfalo altamente desenvolvido.

Talvez, o que nos faça seres humanos completos, seja apenas…. o humor!

2 Respostas

  1. O cérebro passa o volante para o fígado.
    Então o fígado resolve pegar o atalho pelo Vale dos Moicanos…

  2. Isso mesmo amado!! Nosso humor é inteligente, vc é inteligente sabe driblar como ninguem td que se passa…sem se entregar e ficar reclamando aos quatro cantos, TE ADMIRO
    MTO , E TE AMO DEMAIS.

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