SOS SOS SOS SOS SOS SOS

Quando uma comissão de países europeus definiu o chamado Código Morse Internacional, incluiu-se um sinal de pedido de socorro, fácil de ser lembrado em situações de emergência mesmo por pessoas com pouco ou nenhum conhecimento de telegrafia. Era uma simples combinação de duas letras, cada uma codificada por três sinais idênticos: três toques curtos para S, três toques longos para O e, novamente, três toques curtos para S, sem pontuação.

Tudo bem. Com esse monte de iPad, iPod, smartphones, computadores e o escambal, hoje em dia, ninguém mais usa telégrafo. Ou quase ninguém. Mas o sinal de SOS pegou, e se tornou uma espécie de ícone, reconhecido por qualquer moleque de dez anos. Bem, outro dia,  folheando uma revista em quadrinhos antiga, fiquei olhando o tal sinal de SOS, desenhado pairando sobre o mar. Uma onomatopéia saindo de um navio prestes a afundar.

E reparei numa coisa que nunca tinha reparado antes. SOS, o sinal de socorro, se escreve exatamente com as mesmas letras que se usa para escrever “sós”.  SÓS de sozinhos, sabe? De solidão. Que vem do Latim “solus” e não tem nada a ver com telégrafo, código Morse ou qualquer coisa assim. Não é extremamente irônico que as mesmas letras, atravessando caminhos tão diferentes, acabem desembocando em significados tão próximos como “solidão”  e “socorro”? Pois não é essa a história de nossa vida? Uma busca incessante por alguém ou alguma coisa que nos ajude a sair desse isolamento ao qual todos fomos condenados?

Outro dia, me peguei rezando. É, RE-ZAN-DO. E rezando um Pai Nosso, daqueles bem clássicos. Seguido de uma Ave Maria. No embalo, acho que rezei quase um terço. Não sei o que é. Talvez seja a idade. Ou esse monte de doença que deu para aparecer em mim, vindas sabe-se lá de onde. A verdade é que, chega uma hora, a gente se cansa e se assusta com essa solidão a que estamos confinados, e Deus é uma idéia excepcionalmente boa para ser menosprezada.

E, apesar da esposa fazer de tudo pela gente, desde cafuné até curativos. Apesar da filha me levar e buscar no emprego, como eu fazia com ela no tempo da escola. E apesar do meu neto aparecer com sorrisos nas horas mais inesperadas, fazendo o restante do mundo simplesmente derreter ao redor dele. Apesar de tudo isso ainda me sinto extrema e extenuantemente só aqui por dentro e, na dúvida, rezar nunca fez mal para ninguém.

2 Respostas

  1. Olha, Artur, também tenho feito umas orações ulktimamente. E não são orações para meus textos do blog, não. Abração.

  2. Prá mim tem efeito contrário, rezar é que me faz sentir só.

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