Notícias pequenas

Desde que eu me conheço por gente, eu sou uma espécie de caçador de notícias que ninguém lê. Sabe, né? Na maioria das vezes, a gente até bate o olho em um ou dois jornais do dia, mas passa no máximo uns vinte segundos pelas manchetes políticas de primeira página, já que tudo isso já foi falado na televisão no dia anterior, ou a gente viu na internet. Depois, dá uma espiada na seção de cinema para ver que filme está passando. Lê um ou outro quadrinho. E fim. Para a grande maioria dos leitores, ler um jornal é isso, e se alguém perguntar se ele leu o jornal hoje, ele vai responder, sinceramente, com um “claro que li, hoje em dia a gente precisa estar bem informado, rapaz!”.

Pois eu sempre fiz justamente o contrário. E gosto mesmo dessas notícias que ficam lá, escondidas no meio do caderno “Cidades”, numa notinha no pé da página. Ou na seção policial, com aqueles assaltos esquisitos e tudo o mais. E gosto também de ler um pouco sobre ciência, embora, na maioria das vezes, eu não entenda patavina do que é que os caras estão falando.  Para mim, é nessas notícias que a verdadeira humanidade se esconde.

Por exemplo. Você sabia que existe, hoje em dia, um batom que faz o lábio das mulheres… incharem? É, isso mesmo, as mulheres vão lá no seu supermercado ou farmácia predileta, e escolhe um batom que faz sua boca inchar. Os batons causadores do chamado efeito “plumping” são componentes químicos que aumentam a circulação sanguínea no local ou promovem uma hiper-hidratação. A vasodilatação provoca uma sensação de formigamento e deixa os lábios mais rosados, tudo, provavelmente, para tentar ficar parecida com a Angelina Jolie. Quer dizer. Até bem pouco atrás, quando um homem ou uma mulher apareciam de lábio inchado, geralmente a gente nem perguntava o que é que tinha acontecido, para não causar constrangimento a ninguém. E, agora, as mulheres pagam para ter seus próprios lábios inchados. É ou não é uma coisa maluca?

Ou então, trazendo aqui para mais perto da gente, daquele cara que entrou num estabelecimento de Votuporanga, roubou uns celulares e fugiu, mas que esqueceu uma pasta com todos os seus documentos no balcão da loja. Se você lê o jornal assim, por cima, ia perder essa história, que mais parece piada do que qualquer outra coisa, mas que mostra, de uma maneira quase poética, a essência de uma espécie confusa, violenta e meio mal-acabada.

Uma resposta

  1. Um dia talvez a gente encontre a notícia de nossa morte. Só então descobriremos que não estamos aqui faz tempo!

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