Ou é rico ou é bobo.

Pode reparar. Hoje em dia, para qualquer um que você pergunte o que ele quer da vida, vai ouvir uma única e invariável resposta:

– O que eu quero é ser feliz!

Pois eu te falo uma coisa. Não sei o que é que esse povo vê tanto assim na felicidade. Pra mim, ser feliz e ser bobo é mais ou menos a mesma coisa. É só comparar. Um cara feliz, por exemplo, vive rindo de tudo e para todo mundo. Um bobo também. Um cara feliz acha que nada precisa mudar na sociedade, que tá tudo bom do jeito que está. Um bobo, idem.

E o pior é que essa busca incessante pela felicidade já faz parte tão integrante das nossas vidas que quem não quer (nem busca) ser feliz é considerado um pária social. Uma pessoa doente. Um câncer da sociedade. Até mesmo as coisas que eu mais adorava antigamente, hoje em dia, com essa obrigação de ser feliz, se tornaram chatas, sem graça e, muitas vezes, até mesmo perigosas.

Vejam vocês aí os velhinhos. Pois eu sempre adorei a ranhetice dos velhinhos. Por já não terem muito a perder, os velhinhos sempre falavam o que bem entendiam, esmagando com sua experiência qualquer pequeno sinal de esperança que nossa juventude pudesse transmitir.

Agora, tem coisa mais chata que esses velhinhos que a imprensa insiste em chamar de “membros da melhor idade”? Eles acordam de manhã e vão fazer exercício em praça pública. E de bermudas, meu deus do céu, de bermudas! Onde foram parar aqueles deliciosos ternos cinzentos, as bengalas e os óculos de aro de tartaruga?

E para onde foram todos os velhinhos rabugentos, que escondiam nossas bolas de futebol que caíam em seus quintais? Devem estar todos por aí, em escolas de informática, aprendendo como se manda um e-mail ou tentando entender para que diabos serve um tablet…

E o humor? O que foi que aconteceu com o humor? Antigamente, para fazer alguém rir, era necessário um mínimo de arte, com uma pitada de segundas-intenções. Uma piada explícita não é uma piada. É uma ofensa. E é o que mais tem acontecido com o humorismo atualmente. Com essa obrigação de fazer as pessoas rirem, parece que vale tudo. Vale fazer piada com a morte de uma cantora. Vale dizer que vai transar com a mãe e com o recém-nascido. Vale rir do assassinato de um ditador. Vale rir até do câncer de um ex-presidente. Sei lá. Pra mim, se você ri à toa, ou é rico ou é bobo.

E rico eu sei que a maioria de vocês não é, né?

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Uma resposta

  1. É isso aí, Artur! Atesto, dou fé, assino em três vias, o que você quiser. Alguém precisa falar essas coisas mesmo. Abração procê.

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