Sem palavras

Nunca tive TV por assinatura. Uma mistura de fatores que vão desde o pouquíssimo tempo a que me dedico ao estranho hábito de me sentar em frente a uma caixa iluminada por imagens esquisitas, até pela minha preferência pessoal pela leitura, hábito não menos estranho, porém mais cercado de glamour, tudo isso somado, é claro, a diversos fatores econômicos, fizeram com que eu nunca instalasse uma daquela famosas anteninhas redondas no meu telhado, luxo esse, aliás, até muito recentemente, restrito para poucos.
Hoje, com a chamada “nova classe C”, tudo mudou. São eles os grandes responsáveis pelo aumento dos lucros de todas as TVs por assinatura que, por sua vez, tiveram que se adaptar rapidamente a esse novo e grande público. O que antes era uma espécie de “marca registrada” das TVs por assinatura, a transmissão de programas em sua língua original legendados em português, vem se tornando cada dia mais rara. No ano que vem, aliás, o conteúdo dublado vai dominar praticamente toda a programação dos canais de televisão paga.
E não é à toa. Os canais dublados, como o TNT e o Telecine Pipoca, lideram o ranking dos canais mais assistidos. A Fox foi pioneira e, desde 2007, todo o conteúdo do seu horário nobre é dublado. E, atrás delas, seguiram quase todas as outras. Segundo os especialistas, essa é uma tendência praticamente irreversível, ainda mais se contarmos com a alta qualidade de nossos dubladores, elogiados e premiados no exterior, onde esse tipo de atividade é rara, mal feita e, muitas vezes, até mesmo inexistente.
Tudo bem. Para falar a verdade, eu mesmo, dependendo do filme, prefiro filmes dublados. Além de não atrapalhar a imagem com aquelas letrinhas amarelas, dá para prestar mais atenção nas cenas, no trabalho dos atores e tudo o mais. O grande problema é que, com o fim dos filmes legendados, o brasileiro vai ler ainda menos do que já lê. De uma maneira ou outra, um filme legendado faz o telespectador sair um pouco da sua linha de conforto, e o força a raciocinar um mínimo que seja.
Enquanto a maioria anda preocupada com o fim dos jornais e dos livros impressos, com essa tendência das TVs por assinatura, surge uma nova e ainda mais terrível ameaça. Talvez, daqui um tempo, a própria palavra escrita seja extinta, substituída por imagens, pelo som ou coisa parecida. Aliás, a grande novidade no lançamento do novo iPhone, o último projeto do Steve Jobs, não foi o design, nem o hardware, nem nada disso.
O iPhone 4S trouxe como grande novidade o SIRI, um programa pelo qual, sem escrever uma única palavra, apenas falando no microfone, ele cumpre a maioria das funções do aparelho. Talvez tenha sido esse o começo do enterro da palavra escrita. E dado pelo Steve Jobs.
Que deus o tenha.

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