A gente nasceu para brincar

O que a gente quer mesmo, seja com três, vinte ou cinquenta anos, é brincar. Não aguento mais esse povo que leva a vida tão a sério. O cara chega e diz que o importante da vida é sua profissão, que o trabalho enobrece o homem, e aquele lenga-lenga todo. Pois a profissão que a gente escolhe continua sendo uma brincadeira. Muitas vezes, de mau gosto, é verdade. Mas, ainda assim, uma brincadeira.

Se você não acha, lembre-se dos últimos dias de suas últimas férias. Eu não sei de você, mas eu não aguentava mais. Não tinha do que reclamar. Não tinha que xingar o despertador às sete da manhã. Não tinha mis que correr apressado na hora do almoço para ver se dava tempo de tirar uma sonequinha de vinte minutos. E, especialmente, não tinha mais o que fazer! Eu já tinha feito tudo o que eu queria e não queria naquelas malditas férias, e agora eu não passava de um monte esponjoso de carne, esticado sobre o sofá, sem coragem nem de ligar a televisão.

Bem, é claro que, se você foi viajar nas suas últimas férias, isso tudo não aconteceu. Mas o que é uma viagem senão uma imensa brincadeira? Quando a gente vai viajar, brinca de esconde-esconde com o pessoal da alfândega, brinca de pega-pega com o ônibus que já está saindo. E isso sem contar aquele povo que vai passar as férias na Disneylândia ou no Hoppy Hari.

Até mesmo o sexo. Pense bem no sexo. O sexo é ou não é uma brincadeira? Todo aquele jogo de ganhar a garota, os esquemas armados, as poses sexy. Tudo não passa de um jeito da gente levar a vida sem ficar pensando o tempo todo na existência ou não de vida após a morte, na infabilidade de Deus, ou naquele maldito calo que começou a latejar de novo.

Não é à toa que a indústria que mais lucra hoje em dia seja a dos Videogames. Porque todo mundo simplesmente adora jogar e brincar. Tem jogo para criança, para adolescentes, para jovens e para adultos. Tem jogo de corrida, de guerra, de futebol. Tem até jogo que não tem vencedor, no qual a única coisa que você tem a fazer é… viver! É, viver. Num dos jogos mais famosos de todos os tempos, o “The Sims”, o jogador tem que trabalhar, ganhar dinheiro, pagar prestações, cuidar de sua casa, lavar a louça suja, tudo exatamente como na vida real.

Só falta, agora, a gente fazer o contrário do tal do “The Sims”. Em vez de brincar com um jogo que imita a vida, fazer a vida da gente se transformar numa irresponsável brincadeira.

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