Não fede nem cheira

O problema das coisas é o cheiro. Ao contrário de ser uma maravilhosa evolução de nossa espécie, como dizem alguns, nosso olfato causa muito mais transtornos que benefícios. Veja bem o lance do banho. Todo mundo adora aquele cheirinho de banho tomado. Eu conheço gente que toma até quatro banhos por dia. Um, de manhãzinha. Outro, quando volta do trabalho. Outro, quando chega do trabalho. E mais outro, antes de ir dormir. Ele diz que odeia cheiro de suor, e precisa estar sempre cheiroso.

No entanto, estudos médicos dizem que o uso constante de sabonetes pode ser bastante perigoso. A camada mais externa de nossa pele funciona como uma espécie de barreira, feita de células mortas da pele. E essas células mortas dão proteção para as células saudáveis. Toda vez que você toma banho – especialmente banho quente com sabonete – expõe as células saudáveis da pele que estavam localizadas logo abaixo, causando rachaduras, irritações, e até inflamações mais graves. Quer dizer, só para ficar cheiroso, o ser humano acaba destruindo uma camada protetora de seu corpo.

Mas não ficamos por aí. Vejam vocês o pum. Todo mundo solta pum. O pum é uma consequência natural do processo de alimentação. Tanto é que todo animal solta pum, desde os ratos até os elefantes. Então, qual é o problema com o pum? Bem, o problema do pum é o cheiro. Quantas vezes a gente não teve que ficar segurando um pum, só porque está no meio de um conversa com o chefe? Ou da namorada? Ninguém solta pum na frente de uma namorada. A gente só começa a fazer esse tipo de coisa depois de uns bons anos de casado, quando a gente já não tem muito a perder.

Agora, quando a gente está de regime é que o olfato mostra mesmo como pode se transformar num dos nossos maiores inimigos. Depois de você passar o dia inteiro seguindo seu regime à risca, só comendo agrião, cenoura e bolachinhas água e sal, sua filha, à noite, resolve comer um sanduíche. Ela corta o pão, coloca umas folhas de alface, pega uma frigideira e… frita um bife com bacon!

Aquele cheirinho vai invadindo cada cômodo da casa, insinuando-se pelos corredores, pelo quintal, pelos quartos, até chegar debaixo da cama, onde você se escondeu para não ver ela comendo. Mas e o cheiro? O cheiro não tem jeito de segurar. Ele crava uma estaca no seu cérebro e, tal como um animal faminto, você corre para a cozinha e diz para a filha, num tom de súplica:

– Filha, faz um pra mim também?

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