Uma mentiraiada atrás da outra

Uma vez, faz uns quinze anos, chegaram para um desses cantores sertanejos, não lembro qual deles, um desses aí, Leandro, Leonardo, Zezé Di Camargo, Luciano, sei lá, e disseram que eles precisavam lá de um documento, que sem ele não ia dar para assinar o contrato do show, nem receber o cachê. O tal do cantor ainda estava em início de carreira, e não dava para mandar um jatinho buscar o tal documento na fazenda deles nem nada dessas coisas. Aí, então, um dos assessores teve a idéia:

– Pede para eles mandarem por email!

E realmente, eles telefonaram, avisaram qual documento estavam precisando, e os caras lá o enviaram sem muitos problemas. Naquele tempo, as pessoas ainda não tinham entendido muito bem o espírito desse negócio de internet. O tal do cantor sertanejo coçou a cabeça enquanto olhava o documento saindo da impressora, pensou um pouco sobre a vida, e resolveu deixar para lá. No dia seguinte, quando eles mostraram os tais documentos, viram que estava faltando uma fotografia. Ligaram novamente para a cidade deles e, instantaneamente, a foto chegou, também por email, resolvendo de vez o tal problema.

Alguns meses depois, já devidamente reconhecidos como ídolos, um dos cantores entrou no camarim especialmente reservado para eles no principal hotel da cidade e encontrou seu companheiro revirando tudo o que era gaveta e armário do quarto.

– O meu cinturão! Aquele, com a minha inicial, esqueci lá em casa!

O que tinha entrado no quarto sorriu e falou, do alto de toda sua experiência tecnológica:

– Não tem problema, pode deixar que eles mandam por email!

Li essa história uma vez, num jornal, e me esborrachei de tanto rir. Há uns vinte anos, ninguém ainda sabia direito onde é que esse negócio de informática ia dar, e nem passava pela cabeça da gente que a coisa fosse mudar o mundo do jeito que mudou. Éramos todos aprendizes e, pelo visto, continuaremos sendo ainda por um bocado de tempo.

Outro dia desses mesmo, há menos de uma semana, desenvolvedores de um aplicativo para iPhone tiveram que pagar uma multa porque eles prometiam curar cravos e espinhas com luzes coloridas emitidas dos aparelhos diretamente no rosto do paciente. É óbvio que isso é um absurdo, sem nenhum estudo ou evidência científica, mas, mesmo assim, milhares de pessoas já tinham comprado o programinha antes que eles proibissem sua venda. É como o velho Einstein já dizia:

“Só duas coisas são infinitas: o Universo e a estupidez humana.”

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