E o que a gente coloca no lugar?

Antes de mais nada, quero lembrar que eu sou jornalista. Apesar de ter cursado outras três faculdades, essa foi a única que eu consegui me formar ali, de papel passado, com diploma, beca, cerimônia de formatura e tudo o mais. Mas, mesmo antes de me formar jornalista, eu já tinha essa estranha mania de meter o pau em qualquer coisa que encontrava pela frente. Acho que sou um dos maiores seguidores e – por que não? – divulgadores daquela famosa frase anarquista “Hay gobierno? Soy contra.”.

Esse meu lado, digamos, mais crítico, começou quando eu ainda era criança, lá na casa dos meus pais. O meu pai, para quem não sabe, é daqueles católicos fervorosos. Acredita em tudo o que a igreja católica diz, inclusive na infalibilidade do Papa. Para você ver até onde vai o seu “devotismo”, até hoje, quando sintonizamos um canal no qual o Papa está fazendo algum discurso, meu pai exige silêncio absoluto na sala, como um ato de respeito à palavra de Deus.

Pois bem. Mais ou menos com dez anos de idade, provavelmente só para ser contra o meu pai, eu resolvi que seria ateu. Não disse isso na hora, é verdade. Demorei mais uns cinco ou seis anos para divulgar a minha decisão para a família. Mas foi mais ou menos por aí que eu me dei conta de que não acreditaria em mais nada para o resto da minha vida, e passei a desconfiar de tudo e de todos.

A família, por exemplo, é uma instituição falida. É coisa da época das cavernas. Até mesmo os orangotangos e gorilas já se tocaram que esse negócio de manter apenas um parceiro sexual durante toda a existência é uma idéia totalmente equivocada, que pode até condenar uma espécie à extinção.

E o sistema educacional, então? Já se colocava alunos sentados em carteiras voltadas para uma lousa, ouvindo um professor se distender sobre a geografia mundial, desde a Antiga Grécia.

Política, então, é uma grande porcaria, da qual só participam os homens mais corruptos produzidos pela sociedade, num jogo de poder de onde saem sempre os mesmos vencedores.

Como você pode ver, é bastante fácil criticar. Basta ter um pouco de raciocínio lógico, misturar com uma pitada de conhecimento, e pronto: você já pode até ser considerado um jornalista.

O grande problema do jornalismo é aquele, que eu sugiro no título dessa crônica. Tudo bem. A coisa realmente vai de mal a pior, e são necessárias mudanças urgentes.

Mas… o que é que a gente coloca no lugar?

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