Histórias de fantasmas

Minha filha e eu temos uma coisa em comum. Aliás, uma não. A gente tem um monte de coisas em comum. Mas, hoje, eu gostaria de falar de uma delas, em especial. Nós dois adoramos filmes de terror. Mas não desses filmes de terror bobinhos que inventaram hoje em dia, com vampiros adolescentes e apaixonados, combatendo vampiros feiosos “do mal”. Ou desses filmes de zumbis comendo cérebros sanguinolentos, que parecem mais uma lição de anatomia que um filme de terror propriamente dito. Não. A gente não gosta de nada disso.

Minha filha e eu gostamos mesmo é de filme de fantasma.

E isso porque os filmes de fantasma têm uma característica única, que nenhum outro filme de terror possui: eles escondem muito mais as coisas do que realmente mostram.

Nos filmes de fantasma, as crianças lançam para seus pais uns olhares esquisitos, que escondem alguma coisa que ninguém sabe o que é. Nos filmes de fantasma, ouvem-se barulhos indecifráveis, que vem não se sabe de onde, e são produzidos sabe-se lá por quem.

Mas o mais aterrorizante mesmo dos filmes de terror são os vultos.

Nada nesse mundo causa mais terror que um vulto passando rapidamente na frente da câmera, num momento em que a protagonista se encontra numa casa às escuras, e seu filho está dormindo no andar de cima. Ou então um vulto surgindo atrás de uma janela.Tem cena mais apavorante que um vulto passando do lado de fora de uma janela, numa noite de tempestade, em que todas as luzes da casa se apagaram misteriosamente?  Não tem. E não tem porque um vulto pode ser QUALQUER COISA, desde um ladrão arrombando a janela, um pervertido sexual antropófago, e até a alma atormentada de um ex-morador de sua casa tentando tomar a alma de seu filho (aquele que está dormindo no andar de cima).

Os vultos são a essência de qualquer filme de terror que se preze. Eles fazem a gente desconfiar de nossa própria sanidade. Eles nos aterrorizam, mesmo não estando presentes. Eles surgem e desaparecem rapidamente, mas a gente sabe que eles ainda estão ali, rondando nossas vidas, provavelmente para sempre.

Mais ou menos como o Maluf, o Sarney e o Collor, sabe?

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2 Respostas

  1. Artur, deixar de incluir o Sarney entre os aterrorizantes fantasmas… foi um terror! Nada mais assustador.

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