No fim dá na mesma

Minha avó tinha uma frase que, se não primava pela sutileza, para mim sempre foi uma espécie de resposta particular ao enorme número de narizes empinados com que eu fui topando durante toda a minha vida.  Ela era até que bem educada, a minha avó. Na frente das pessoas. Mas, mal elas viravam de costas, ela soltava sua famosa frase:

“- Fica aí, com esse nariz todo empinadinho, mas faz cocô que nem tudo mundo”.

E, até hoje, quando encontro essas pessoas que se esmeram em mostrar para o mundo que são muito mais ricas que você, ou famosas, ou poderosas, ou até mesmo que elas tem aquele iPad 2 que todo mundo quer mas não tem condições de comprar, me vem sempre à cabeça a cena da tal pessoa sentada num vaso sanitário, fazendo o que todo mundo faz ali, pelo menos uma vez por dia.

É uma espécie de vingança, entende? Assim como, de uma maneira um pouco mais mórbida, a morte. Sabe aquele negócio do “tu és pó e ao pó voltarás”? Pois então. É ou não é uma bela de uma resposta do primeiro livro da Bíblia aos metidinhos de plantão lá daquele tempo, que também deviam comer frango e arrotar peru como continuamos a fazer até hoje?

Digo isso tudo porque nada me tira da cabeça que as pessoas, mesmo depois de tantas invenções e descobertas, ainda continuam exatamente como eram no tempo das cavernas: umas metidas a besta. Para tanto, basta observar o quanto nós gastamos de energia e dinheiro só para afastar a idéia de que somos parte da natureza, iguaizinhos aos macacos, aos rinocerontes e aos javalis.

Nós nos vestimos com ternos, gravatas e outras coisas esquisitas, só para que ninguém perceba nossa atordoante semelhança com os gorilas. Nós nos encharcamos de perfumes, desodorantes, pastas de dente sabor menta, tudo para disfarçar nosso mais que natural cheiro de gambá. Nos esmeramos em inventar uma língua cheia de regras e pormenores, para sequer chegar aos pés de qualquer animal que, pelo menos, são entendidos por toda sua espécie, e não apenas pelos que vivem em seu próprio território.

Quer dizer, o ser humano é, sem sombra de dúvidas, o animal mais metido a besta do planeta, que não apenas se arroga o direito de ser a única espécie inteligente do universo, como sequer aceita o que verdadeiramente é: apenas mais um animalzinho tentando sobreviver nessa droga de planetinha de terceira categoria.

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