Quem quer saber?

Estávamos lá, conversando, matando um pouco de tempo no trabalho. Nessas horas que a gente vai falando uma besteira aqui, outra ali, e o outro completa com uma pior lá do outro lado. Foi quando um lá no canto falou assim, como quem não quer nada, como seria bom se a gente já nascesse sabendo o dia de nossa morte. Que o grande problema da vida era esse. A gente não saber quanto tempo ia durar. Que, se a gente soubesse o dia de nossa morte, pelo menos não ia ficar nessa ansiedade e tudo o mais. Íamos viver mais serenos, tranquilos e…

– Tranquilo o caramba. Se a gente soubesse o dia de nossa morte, simplesmente não ia existir sociedade. Pelo menos não uma sociedade como a que conhecemos.

Todos ficaram em silêncio, olhando uns para os outros. Até que um arriscou.

– Como assim, não ia existir sociedade?

– Por exemplo. O que é que você está fazendo aí, agora?

– Eu?

– É, o que é que você está fazendo aí, agora, no computador?

– Bem, eu… eu… eu estou jogando um joguinho on line, o Angry Birds, já jogou?

– Tudo bem. E se você soubesse que, dentro de quinze anos, dois meses e vinte e três dias, exatamente às onze da manhã, você ia morrer, de um enfarte fulminante?

– O que é que tem?

– Você acha que estaria perdendo tempo jogando um joguinho on line? Pois não estaria. Você estaria por aí, zanzando, procurando algum sentido para essa coisa toda.

– Estaria nada.

– É claro que estaria. Você não ia querer perder seu tempo jogando um joguinho sabendo que não ia durar mais nem o tanto de anos que você já viveu até hoje.

– Ah, é? E o que eu estaria fazendo, por exemplo?

– Você estaria assaltando um banco. Você estaria escalando o Everest. Você estaria fazendo qualquer coisa, menos jogando Angry Birds.

Silêncio novamente. Dois se levantaram e foram tomar café. Um ficou olhando pela janela, observando o horizonte.

– Eu nunca fui para a Disneylândia.

– O quê?

– Eu sempre sonhei em ir para a Disneylândia. E nunca fui.

– Bem, eu queria ter aprendido a tocar violão. E agora meus dedos já estão ficando meio duros, sei lá, acho que não consigo mais.

Lá no outro canto, alguém deu uma suspirada.

– Vocês lembram da Aninha? O que será que ela anda fazendo, hem?

Uma resposta

  1. Hehehe boa Artur!
    Sou da opinião que é melhor todos os dias acordarmos sendo surpreendidos pelo destino seja ele bom ou ruim. O que importa é fazer cada dia valer apena e celebrar a vida, mesmo que isso dure anos, meses ou dias!

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