As coisas mudam

Eu estava lendo, outro dia desses, que os grandes estúdios de Hollywood estão pensando em fazer uma série de refilmagens de clássicos do cinema. Entre os já lançados e os para lançar, estão Psicose, do Hitchcock, e outros menores como Footloose, Highlander e até o brasileiro Dona Flor e Seus Dois Maridos. Sei lá. Remexer demais com nosso passado não é das melhores idéias que a gente tem. Especialmente com coisas que marcaram época. Outro dia desses, numa dessas crises de nostalgia que nos ataca às vezes, comecei a dar uma remexida nos meus discos antigos. É, discos. Daqueles LP’s enormes, de vinil preto. Embora eu nem tenha mais um aparelho apropriado para tocá-los, ainda guardo todos eles aqui, empoeirando, num canto do armário. E, dando uma olhada, eu acabei trombando com um disco dos Mutantes.

“Os Mutantes”, para quem não sabe, foi uma banda de rock. Acho que até pode ser considerada a primeira banda de rock genuinamente brasileira, embora, na época, um ou outro artista já se arriscasse nuns solinhos de guitarra. Pois bem. Já que eu não possuo um aparelho para tocar meus LP’s, fui buscar na internet, para ver se achava o mesmo LP para fazer download. E, para minha surpresa, em menos de quinze minutos o disco já estava baixado inteirinho no meu computador. Entre ansioso e eufórico, coloquei imediatamente para tocar e… bem, aí é que a porca torceu o rabo.

Os Mutantes não eram bem aquilo de que eu me lembrava. Os solinhos de guitarra e bateria eram muito bem comportados em comparação com as lembranças que eu tinha deles. O ritmo, o tom de voz, sei lá, alguma coisa não batia. Até mesmo as letras, que eu sabia de cor e salteado, pareciam que não eram mais as mesmas. Para falar a verdade, eram até meio ingênuas. Ouvi uma música, duas. Na terceira eu já estava meio enjoado. Na quarta, parei de ouvir. Fui conferir no LP se era mesmo aquele disco que eu estava ouvindo. Conferi a foto da capa, o ano de lançamento. Não havia dúvidas. As músicas que eu estava ouvindo no computador eram exatamente as mesmas que eu tinha ali, guardadas há dezenas de anos. Mas, assim mesmo, achei que não era possível. Alguma coisa tinha mudado. E muito.

E foi aí que eu me toquei. O que tinha mudado não era o disco. Não eram as músicas. Nem mesmo o fato de eu estar ouvindo em mp3, nas caixinhas de um computador.

O que tinha mudado era eu.

Anúncios

Uma resposta

  1. Mutatis mutandis, meu velho!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: