Vai ser chato assim até o fim, é?

Não é fácil tirar o ser humano de sua rotina diária. Eu, aqui do alto dos meus 50 anos, já vi as coisas mais escabrosas do mundo acontecerem e, mesmo assim, no dia seguinte, todos nós escovamos os dentes, lavamos o rosto, tomamos um café rápido e saímos para o trabalho, para a escola, ou seja lá o lugar que você vai todas as manhãs.

Por exemplo. Eu lembro quando o Fernando Collor de Mello renunciou. Foi uma coisa realmente que parou o Brasil. Todas as TVs e rádios cobriram ao vivo. Houve uma votação no Congresso para derrubar o presidente mas, antes que ela terminasse, o Collor pediu demissão para não perder seus direitos políticos. Um monte de gente saiu às ruas, para comemorar. Foi uma festa.

Só que, no dia seguinte, estava todo mundo trabalhando, como se não estivesse acontecendo nada no país. Aliás, a grande maioria estava mesmo é preparando a festa de reveillon, que aconteceria mais ou menos naqueles dias. Quer dizer, se nem a renúncia do Presidente da República consegue tirar a gente de nossa rotina diária, o que diabos tiraria? O fim do mundo?

Bem, pois eu acho que nem o fim do mundo seria capaz disso. Muito provavelmente, o fim do mundo pegaria todo mundo fazendo mais ou menos as mesmas coisas que faz todos os dias, mesmo se houvessem sinais claros de que a coisa toda estava mesmo acabando. Tem uma música do Eduardo Dusek que fala mais ou menos isso. O cara acorda e, ainda meio sonolento, abre a janela do apartamento e vê o Apocalipse. Prédios caindo, explosões nas ruas, o dia virando noite, pessoas pegando fogo.

E, o máximo que ele consegue fazer, nesses que prometem ser seus últimos momentos de vida, é chamar a cozinheira e pedir um café.

5 Respostas

  1. Artur, e por coincidência, hoje o Moretti me enviou isso:

    DO JORNAL ESPANHOL EL PAÍS
    “Que país é este que junta milhões numa marcha gay, outros milhões numa marcha evangélica, muitas centenas numa marcha a favor da maconha, mas que não se mobiliza contra a corrupção?”
    (07/08/2011 Juan Arias, correspondente no Brasil do jornal espanhol El País)

    abs

  2. … trá coisa: este filme aqui – A Estrada (The Road) – http://www.cinepop.com.br/filmes/estrada.htm

    começa com um cara abrindo a janela e vendo o mundo se acabar… ou quase isso. É interessante. Abs

  3. Tô sim – (mineiro fala assim tipo “tocinho em mineirês – que aliás, é bem falado aí neste norte de São Paulo e todo o Goiás).

    A vida aqui é tão tranquila quanto em Votuporanga… o que é bom. Claro, faltam coisas que só em Sampa e Campinas têm… mas é o preço da paz. E a idade, hein cara? O Tempo realmente é o Senhor de tudo, né não? E assim a gente vai indo… gosto muito de ler suas crônicas. Escrita precisa, leve, irônica, bem humorada e inteligente. Não vá estourar…!!! rs. Grande abraço.

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