Archive for agosto \30\UTC 2011

Histórias de fantasmas
30/08/2011

Minha filha e eu temos uma coisa em comum. Aliás, uma não. A gente tem um monte de coisas em comum. Mas, hoje, eu gostaria de falar de uma delas, em especial. Nós dois adoramos filmes de terror. Mas não desses filmes de terror bobinhos que inventaram hoje em dia, com vampiros adolescentes e apaixonados, combatendo vampiros feiosos “do mal”. Ou desses filmes de zumbis comendo cérebros sanguinolentos, que parecem mais uma lição de anatomia que um filme de terror propriamente dito. Não. A gente não gosta de nada disso.

Minha filha e eu gostamos mesmo é de filme de fantasma.

E isso porque os filmes de fantasma têm uma característica única, que nenhum outro filme de terror possui: eles escondem muito mais as coisas do que realmente mostram.

Nos filmes de fantasma, as crianças lançam para seus pais uns olhares esquisitos, que escondem alguma coisa que ninguém sabe o que é. Nos filmes de fantasma, ouvem-se barulhos indecifráveis, que vem não se sabe de onde, e são produzidos sabe-se lá por quem.

Mas o mais aterrorizante mesmo dos filmes de terror são os vultos.

Nada nesse mundo causa mais terror que um vulto passando rapidamente na frente da câmera, num momento em que a protagonista se encontra numa casa às escuras, e seu filho está dormindo no andar de cima. Ou então um vulto surgindo atrás de uma janela.Tem cena mais apavorante que um vulto passando do lado de fora de uma janela, numa noite de tempestade, em que todas as luzes da casa se apagaram misteriosamente?  Não tem. E não tem porque um vulto pode ser QUALQUER COISA, desde um ladrão arrombando a janela, um pervertido sexual antropófago, e até a alma atormentada de um ex-morador de sua casa tentando tomar a alma de seu filho (aquele que está dormindo no andar de cima).

Os vultos são a essência de qualquer filme de terror que se preze. Eles fazem a gente desconfiar de nossa própria sanidade. Eles nos aterrorizam, mesmo não estando presentes. Eles surgem e desaparecem rapidamente, mas a gente sabe que eles ainda estão ali, rondando nossas vidas, provavelmente para sempre.

Mais ou menos como o Maluf, o Sarney e o Collor, sabe?

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No fim dá na mesma
28/08/2011

Minha avó tinha uma frase que, se não primava pela sutileza, para mim sempre foi uma espécie de resposta particular ao enorme número de narizes empinados com que eu fui topando durante toda a minha vida.  Ela era até que bem educada, a minha avó. Na frente das pessoas. Mas, mal elas viravam de costas, ela soltava sua famosa frase:

“- Fica aí, com esse nariz todo empinadinho, mas faz cocô que nem tudo mundo”.

E, até hoje, quando encontro essas pessoas que se esmeram em mostrar para o mundo que são muito mais ricas que você, ou famosas, ou poderosas, ou até mesmo que elas tem aquele iPad 2 que todo mundo quer mas não tem condições de comprar, me vem sempre à cabeça a cena da tal pessoa sentada num vaso sanitário, fazendo o que todo mundo faz ali, pelo menos uma vez por dia.

É uma espécie de vingança, entende? Assim como, de uma maneira um pouco mais mórbida, a morte. Sabe aquele negócio do “tu és pó e ao pó voltarás”? Pois então. É ou não é uma bela de uma resposta do primeiro livro da Bíblia aos metidinhos de plantão lá daquele tempo, que também deviam comer frango e arrotar peru como continuamos a fazer até hoje?

Digo isso tudo porque nada me tira da cabeça que as pessoas, mesmo depois de tantas invenções e descobertas, ainda continuam exatamente como eram no tempo das cavernas: umas metidas a besta. Para tanto, basta observar o quanto nós gastamos de energia e dinheiro só para afastar a idéia de que somos parte da natureza, iguaizinhos aos macacos, aos rinocerontes e aos javalis.

Nós nos vestimos com ternos, gravatas e outras coisas esquisitas, só para que ninguém perceba nossa atordoante semelhança com os gorilas. Nós nos encharcamos de perfumes, desodorantes, pastas de dente sabor menta, tudo para disfarçar nosso mais que natural cheiro de gambá. Nos esmeramos em inventar uma língua cheia de regras e pormenores, para sequer chegar aos pés de qualquer animal que, pelo menos, são entendidos por toda sua espécie, e não apenas pelos que vivem em seu próprio território.

Quer dizer, o ser humano é, sem sombra de dúvidas, o animal mais metido a besta do planeta, que não apenas se arroga o direito de ser a única espécie inteligente do universo, como sequer aceita o que verdadeiramente é: apenas mais um animalzinho tentando sobreviver nessa droga de planetinha de terceira categoria.

Quem quer saber?
23/08/2011

Estávamos lá, conversando, matando um pouco de tempo no trabalho. Nessas horas que a gente vai falando uma besteira aqui, outra ali, e o outro completa com uma pior lá do outro lado. Foi quando um lá no canto falou assim, como quem não quer nada, como seria bom se a gente já nascesse sabendo o dia de nossa morte. Que o grande problema da vida era esse. A gente não saber quanto tempo ia durar. Que, se a gente soubesse o dia de nossa morte, pelo menos não ia ficar nessa ansiedade e tudo o mais. Íamos viver mais serenos, tranquilos e…

– Tranquilo o caramba. Se a gente soubesse o dia de nossa morte, simplesmente não ia existir sociedade. Pelo menos não uma sociedade como a que conhecemos.

Todos ficaram em silêncio, olhando uns para os outros. Até que um arriscou.

– Como assim, não ia existir sociedade?

– Por exemplo. O que é que você está fazendo aí, agora?

– Eu?

– É, o que é que você está fazendo aí, agora, no computador?

– Bem, eu… eu… eu estou jogando um joguinho on line, o Angry Birds, já jogou?

– Tudo bem. E se você soubesse que, dentro de quinze anos, dois meses e vinte e três dias, exatamente às onze da manhã, você ia morrer, de um enfarte fulminante?

– O que é que tem?

– Você acha que estaria perdendo tempo jogando um joguinho on line? Pois não estaria. Você estaria por aí, zanzando, procurando algum sentido para essa coisa toda.

– Estaria nada.

– É claro que estaria. Você não ia querer perder seu tempo jogando um joguinho sabendo que não ia durar mais nem o tanto de anos que você já viveu até hoje.

– Ah, é? E o que eu estaria fazendo, por exemplo?

– Você estaria assaltando um banco. Você estaria escalando o Everest. Você estaria fazendo qualquer coisa, menos jogando Angry Birds.

Silêncio novamente. Dois se levantaram e foram tomar café. Um ficou olhando pela janela, observando o horizonte.

– Eu nunca fui para a Disneylândia.

– O quê?

– Eu sempre sonhei em ir para a Disneylândia. E nunca fui.

– Bem, eu queria ter aprendido a tocar violão. E agora meus dedos já estão ficando meio duros, sei lá, acho que não consigo mais.

Lá no outro canto, alguém deu uma suspirada.

– Vocês lembram da Aninha? O que será que ela anda fazendo, hem?

As coisas mudam
21/08/2011

Eu estava lendo, outro dia desses, que os grandes estúdios de Hollywood estão pensando em fazer uma série de refilmagens de clássicos do cinema. Entre os já lançados e os para lançar, estão Psicose, do Hitchcock, e outros menores como Footloose, Highlander e até o brasileiro Dona Flor e Seus Dois Maridos. Sei lá. Remexer demais com nosso passado não é das melhores idéias que a gente tem. Especialmente com coisas que marcaram época. Outro dia desses, numa dessas crises de nostalgia que nos ataca às vezes, comecei a dar uma remexida nos meus discos antigos. É, discos. Daqueles LP’s enormes, de vinil preto. Embora eu nem tenha mais um aparelho apropriado para tocá-los, ainda guardo todos eles aqui, empoeirando, num canto do armário. E, dando uma olhada, eu acabei trombando com um disco dos Mutantes.

“Os Mutantes”, para quem não sabe, foi uma banda de rock. Acho que até pode ser considerada a primeira banda de rock genuinamente brasileira, embora, na época, um ou outro artista já se arriscasse nuns solinhos de guitarra. Pois bem. Já que eu não possuo um aparelho para tocar meus LP’s, fui buscar na internet, para ver se achava o mesmo LP para fazer download. E, para minha surpresa, em menos de quinze minutos o disco já estava baixado inteirinho no meu computador. Entre ansioso e eufórico, coloquei imediatamente para tocar e… bem, aí é que a porca torceu o rabo.

Os Mutantes não eram bem aquilo de que eu me lembrava. Os solinhos de guitarra e bateria eram muito bem comportados em comparação com as lembranças que eu tinha deles. O ritmo, o tom de voz, sei lá, alguma coisa não batia. Até mesmo as letras, que eu sabia de cor e salteado, pareciam que não eram mais as mesmas. Para falar a verdade, eram até meio ingênuas. Ouvi uma música, duas. Na terceira eu já estava meio enjoado. Na quarta, parei de ouvir. Fui conferir no LP se era mesmo aquele disco que eu estava ouvindo. Conferi a foto da capa, o ano de lançamento. Não havia dúvidas. As músicas que eu estava ouvindo no computador eram exatamente as mesmas que eu tinha ali, guardadas há dezenas de anos. Mas, assim mesmo, achei que não era possível. Alguma coisa tinha mudado. E muito.

E foi aí que eu me toquei. O que tinha mudado não era o disco. Não eram as músicas. Nem mesmo o fato de eu estar ouvindo em mp3, nas caixinhas de um computador.

O que tinha mudado era eu.

Vai ser chato assim até o fim, é?
18/08/2011

Não é fácil tirar o ser humano de sua rotina diária. Eu, aqui do alto dos meus 50 anos, já vi as coisas mais escabrosas do mundo acontecerem e, mesmo assim, no dia seguinte, todos nós escovamos os dentes, lavamos o rosto, tomamos um café rápido e saímos para o trabalho, para a escola, ou seja lá o lugar que você vai todas as manhãs.

Por exemplo. Eu lembro quando o Fernando Collor de Mello renunciou. Foi uma coisa realmente que parou o Brasil. Todas as TVs e rádios cobriram ao vivo. Houve uma votação no Congresso para derrubar o presidente mas, antes que ela terminasse, o Collor pediu demissão para não perder seus direitos políticos. Um monte de gente saiu às ruas, para comemorar. Foi uma festa.

Só que, no dia seguinte, estava todo mundo trabalhando, como se não estivesse acontecendo nada no país. Aliás, a grande maioria estava mesmo é preparando a festa de reveillon, que aconteceria mais ou menos naqueles dias. Quer dizer, se nem a renúncia do Presidente da República consegue tirar a gente de nossa rotina diária, o que diabos tiraria? O fim do mundo?

Bem, pois eu acho que nem o fim do mundo seria capaz disso. Muito provavelmente, o fim do mundo pegaria todo mundo fazendo mais ou menos as mesmas coisas que faz todos os dias, mesmo se houvessem sinais claros de que a coisa toda estava mesmo acabando. Tem uma música do Eduardo Dusek que fala mais ou menos isso. O cara acorda e, ainda meio sonolento, abre a janela do apartamento e vê o Apocalipse. Prédios caindo, explosões nas ruas, o dia virando noite, pessoas pegando fogo.

E, o máximo que ele consegue fazer, nesses que prometem ser seus últimos momentos de vida, é chamar a cozinheira e pedir um café.

Como é que meu avô conseguia e eu não?
14/08/2011

Quando meu avô entrava na sala da casa dele, todo mundo ficava em silêncio. Não se ouvia um pio. Ele entrava, passava a mão na cabeça de um dos netos, sem olhar muito para ele, se sentava em sua poltrona. E mudava o canal na televisão.

Veja bem. A gente podia estar assistindo qualquer coisa. Desenho animado. Uma daquelas séries que passava na época, “Perdidos no Espaço” ou “Terra de Gigantes”. Podia até mesmo estar assistindo o Jornal Nacional, ou o programa favorito do meu avô, que era o “Flávio Cavalcanti”. Você lembra do “Programa Flávio Cavalcanti”? Um maluco com óculos de aro de tartaruga, que quebrava discos no palco dizendo que aquilo era um lixo, geralmente um disco do Caetano Veloso, dos Novos Baianos ou qualquer coisa que tivesse uma guitarra tocando? Pois então, era esse o programa favorito do meu avô. Mas, mesmo se a gente estivesse assistindo o “Flávio Cavalcanti”, meu avô trocava de canal assim que se sentava. Aliás, pensando bem, ele trocava de canal até mesmo ANTES de se sentar, já que naquele tempo não existiam controles remotos e se a gente quisesse mudar de canal, aumentar o som ou arrumar o vertical da televisão, tinha mesmo é que ir até o aparelho e girar uns botões.

Bem. Outro dia desses, eu fiquei pensando nesse negócio todo. Por que diabos o meu avô tinha essa mania de trocar de canal assim que chegava em casa? E eu cheguei à conclusão de que aquela atitude tinha a ver com o Poder. De uma maneira ou outra, meu avô já intuía a importância que a TV tinha e teria nas próximas décadas e, talvez até mesmo sem saber, estava mostrando para todo mundo que quem mandava ali era ele, e não havia nada que pudéssemos fazer a respeito.

Hoje em dia, trocar de canal quando outros estão assistindo a TV é uma atitude, no mínimo, perigosa. Se você não acredita, experimente fazê-lo no meio de uma novela, à qual sua mulher e sua sogra estão assistindo. Ou, ali no barzinho, tirar do jogo do Corinthians para assistir um programa da TV Cultura. Para mim, fazer uma coisa dessas é quase uma tentativa de suicídio. E isso sem contar a falta de respeito com os outros e…

– Querido, o nenê só quer assistir um desenhinho do Pokemon…

– Mas… mas… eu estava assistindo o jogo!

– É só quinze minutos, amor…

– DAQUI A QUINZE MINUTOS O JOGO ACABOU!

– Também não precisa fazer um escândalo desses, né? Olha lá o Pokemon, até que ele é bonitinho…

Já pensou?
10/08/2011

Em toda a minha vida na faculdade, a única matéria que me causou sérios transtornos foi a Estatística. A Estatística, para mim, era uma coisa indecifrável. Cheguei mesmo a tirar um zero numa prova, coisa que nunca havia acontecido comigo, e jamais veio a acontecer de novo. Zero, veja você. Para um sujeito tirar um zero numa prova, isso quer dizer que ele não acertou nem seu nome. Não acertou nem uma vírgula. Nada.

E foi aí que entrou a minha esposa, que na época ainda não o era, mas viria a ser dentro em breve, alguns meses depois de um final de semana um pouco mais animado. Bem, ela chegou para mim, me puxou para um canto e decretou:

– Você é um cara muito inteligente para tirar zero. Em qualquer coisa. Ainda mais em Estatística, que é a coisa mais boba do mundo.

E ela começou a me explicar tudo aquilo que o professor já tinha explicado. Que estatística era só aplicar uma fórmula aqui, outra ali. E pronto. Que não existia coisa mais fácil. E que ela não entendia qual era, afinal, o meu problema com a Estatística. E ficou ali, de braços cruzados. Me olhando, aparentemente esperando uma resposta razoavelmente convincente.

E eu pensei, pensei, e comecei a falar.

– O meu problema com a Estatística é o seguinte. Vamos dar como exemplo um probleminha, desses que caiu na prova. Eu não lembro direito, mas era mais ou menos assim: na Etiópia, existe um número X de crianças. Dessas, um número Y recebeu uma alimentação equilibrada e saudável, e um número Z de crianças recebeu a alimentação com a qual estavam acostumadas. Se considerarmos que X corresponde a quatro milhões e Z a dois milhões de crianças, qual seria o número Y em porcentagem?

Minha mulher olhou para mim de novo e começou a falar que aquilo era fácil. Era só pegar quatro milhões, transformar em porcentagem, somar com o Z, tirar o número Y e…

– E as criancinhas? – eu cortei seu raciocínio – Quem é que consegue ficar pensando nesses Y, X e Z quando mais de dois milhões de criancinhas estão passando fome na Etiópia? Não dá para pensar em fórmulas, não dá para pensar em porcentagem, e muito menos pensar em X, Y ou Z, oras!

E foi aí que minha mulher, como num passe de mágico, descobriu o maior dos meus defeitos que, aliás, viria a me perseguir durante o resto da vida:

– Está aí o seu problema, amor. Você pensa DEMAIS!

Risco de vida
02/08/2011

Quando eu fico pensando nas coisas que eu já fiz, é meio inacreditável que eu ainda esteja vivo. Não que eu tenha feito muito mais coisas que a maioria das pessoas. Não. É que todo mundo, de uma maneira ou outra, passou por umas situações que, se não correu risco de vida, pelo menos esteve ali, prestes a correr. Como daquela vez que, não sei por que cargas d´água, eu voei num ultraleve.

– Vem cá, mas isso é seguro mesmo?

– É claro que é.

– Mas então porque é que você está de pára-quedas e eu não?

– É porque só tinha um, oras.

– Então porque é que não é VOCÊ que está sem pára-quedas?

– Porque sou eu que estou pilotando, ué, já pensou, se me acontece alguma coisa?

Geralmente, a gente faz esse tipo de bobagem quando ainda é jovem, cheio de vida para gastar. Por exemplo. Aqueles pileques que a gente tomava na faculdade. Sinceramente, você acha que aguentava um fogo daqueles hoje em dia? Não aguentava. Ainda mais pensando nas coisas que a gente ingeria. Eu me lembro de uma vez que a gente deu uma festa na qual a única bebida servida era pinga com groselha.

– Me dá uma cerveja?

– Não tem. Só tem pinga com groselha.

– Mas nem um whiskinho?

– Não, só pinga com groselha.

– Tudo bem. Me vê uma então.

– Tó, mas vai com calma.

– PFFFF! cof cof… argh!

– O que foi?

– Mas isso… isso… isso está quente!

– É, claro que está, passou a tarde inteira aí, no sol.

– Mas não dá pra beber um treco desses, puxa vida!

– E o que você quer que eu faça?

– Hum. Tudo bem. Me vê mais duas aí.

Mas, conforme o tempo passa, e vamos ficando velhotes de meia idade, começamos a nos preservar mais. E, ironicamente, é exatamente nessa idade que as doenças começam a aparecer. Nossa caixinha de remédio – que antes se resumia a uma caixa de sapatos perdida em algum canto obscuro da casa, cheia de aspirinas vencidas – agora pega metade do armário do banheiro. E um bom tanto do nosso salário.

– Vai um whiskynho 12 anos aí?

– Não, obrigado.

– E uma vodka? Que tal uma vodka?

– Sabe o que é? Meu fígado não anda lá essas coisas, sabe?

– Bem, toma essa cervejinha aqui, que não faz mal pra ninguém…

– Hum, suco de laranja você não tem, tem?