On the rocks

Na TV a cabo, tarde da noite, estava passando um daqueles episódios antigos do “Perdidos no Espaço”, com o Dr. Smith, o garoto Will Robinson, o robô e tudo o mais. E, quando eles subiram na espaçonave, entraram numas cabines criogênicas. Criogenia, para quem não sabe, é aquele negócio de que o corpo da gente pode ficar preservado se for devidamente congelado. E desde aquele dia ele ficou pensando que já havia visto um monte de filme assim.

Teve aquele com o Stallone, que ele fica congelado um tempão por um crime que não cometeu. Teve aquele outro, do Austin Powers, quando o atrapalhado agente secreto britânico foi congelado, depois que seu maior inimigo escapa em uma nave espacial. A criogenia também aparece em filmes mais sérios, como “2001: uma odisséia no espaço”, e até em desenhos animados, como num episódio dos Simpsons.

O problema é que não teria tanta gente por aí falando desse negócio de criogenia se não tivesse um fundo de verdade nisso tudo. Vai ver os caras milionários já tinham descoberto que, se a gente congelasse, poderia viver eternamente, mas não queriam que nós, o povão, soubesse disso. Então eles se congelariam e continuariam mandando no mundo para sempre, enquanto nós continuamos aí, morrendo à míngua, sem saber desse grande segredo guardado a sete chaves dentro dos maiores e mais escondidos laboratórios do planeta.

Quem sabe, por exemplo, se o Bush não era o Napoleão que, descongelado depois de um tempão, resolveu invadir uns paisinhos por aí, só para matar a saudade? E se o Michael Jackson fosse o Elvis Presley ressuscitado? E o Bin Laden? Talvez o Bin Laden fosse algum manda-chuva do antigo império romano que, de volta à vida, passou um pouco dos limites e teve que ser “criogenizado” de novo.

E ele passou a noite toda pensando nessas coisas, que esse negócio de criogenia ainda não estava bem explicada, e que ele havia lido uma vez que, no ritmo atual de descobertas na área da medicina, não ia demorar muito para o homem descobrir a cura para todas as doenças conhecidas e talvez até alcançar a oh imortalidade. Quer dizer, se ele morresse hoje, ia perder a imortalidade de raspão. Coisa de vinte anos.

A mulher dele encontrou seu corpo dentro do freezer três ou quatro dias depois. Com um estranho sorriso estampado no rosto.

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