O mundo não está nem aí

Uma coisa que a gente vai aprendendo com o tempo é que o mundo não pára se você parar. Nem vai acabar quando você morrer. A menos que seja o Apocalipse, é claro.

Para uma criança, por exemplo, as coisas só existem se ela estiver presente. Se a criança não está lá, é porque não teve. Isso já foi até provado por alguns cientistas. É por isso que toda criança tem tanto medo de escuro. Porque, se ela não está vendo nada, é porque não existe nada. E, se está escuro, quer dizer que o mundo acabou. Ou, pelo menos, que a mãe e o pai dela não estão onde deveriam estar, ou seja, por perto e bem visíveis.

É claro que, com o passar dos anos, a gente vai aprendendo que não é bem assim. Mas é uma lição difícil de assimilar. Imaginar, por exemplo, que depois que você morrer, o mundo vai continuar existindo como se não tivesse acontecido nada de mais. Quer dizer, EU morri, puxa vida! Bem que o mundo podia demonstrar um pouco mais de respeito, de luto, sei lá. Porque é simplesmente inadmissível que, com o passar dos anos, eu me transformarei apenas num monte de fotografia no computador, ou numa imagem amarelada em algum porta-retratos empoeirado, esquecido na gaveta da vovó. No meu caso, ainda vá lá, deixo umas coisas escritas, que podem pelo menos dar uma idéia geral a respeito do que eu pensava sobre as coisas do mundo e tudo o mais. E é aí que eu chego onde estava querendo chegar.

Desde minha última crônica inédita publicada aqui nesse espaço, aconteceram tantas coisas que é até difícil acreditar. Enquanto eu me via às voltas com médicos, psicólogos, injeções e imensas filas em hospitais, um maluco entrou numa escola no Rio de Janeiro e matou um monte de criancinhas. O Osama Bin Laden foi sumariamente executado pela CIA. O príncipe William da Inglaterra e a plebéia Kate Middleton se casaram e agora já estão em plena lua de mel. O Lacraia da “Eguinha Pocotó” morreu aos 33 anos. A Microsoft comprou o Skype por US$ 8,5 bilhões. O Palmeiras perdeu de seis. Enfim, um monte de coisa aconteceu, sem darem a mínima para o meu estado de saúde ou minha (in)capacidade de escrever sobre elas.

Sinceramente? Quando fiquei doente, eu esperava que mundo, em solidariedade, parasse junto comigo. Mas, pelo visto, não é bem assim que a coisa rola, né?

A verdade é que o mundo não está nem aí para você.

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