Nossos horários

Domingo foi até legal. Na hora que a gente achou que tava acabando, atrasamos os relógios e ganhamos uma horinha a mais. Foi o fim do tal Horário de Verão.

Na segunda-feira, no entanto, todo mundo acordou de mau humor. Porque o corpo não se acostumava direito com essa hora esquisita de acordar e que ninguém conseguia esperar para almoçar só ao meio dia, porque, afinal de contas, já era uma hora da tarde, oras.

No Brasil, Horário de Verão é assim. A gente reclama quando começa e reclama quando acaba. E é por isso mesmo que eu fico pensando se não era mais negócio todo mundo fazer o seu próprio horário particular, conforme lhe desse na telha. Tipos, eu acordo na hora que eu quero, vou dormir na hora que eu canso, e vou comer na hora que tenho fome. Não ficava melhor? Veja bem, é claro que tem o negócio dos empregos. Mas a gente podia fazer uns contratos mais ou menos assim. Eu me comprometo a trabalhar oito horas por dia. Seja de manhã, à tarde ou à noite. Com almoço ou sem almoço. Com pausa para o café ou sem pausa para o café. Contanto que trabalhe as oito horas. Não ficava bom assim pra todo mundo?

Se você pensar bem, até o trânsito melhorava. Porque não ia mais sair todo mundo na mesma hora para ir trabalhar. Uns iam às seis da manhã. Outros às sete. Outros às oito. Outros às nove. E assim por diante. E na hora da volta, a mesma coisa. Uns saem às seis da tarde, outros mais tarde. Outros, ainda, saem à noite. Então não ia mais ter aquele negócio da “hora do rush”, que é como a gente chamava esses horários de engarrafamento antigamente.

Porque, fala a verdade, tem dia que a gente até vai trabalhar, mas não funciona direito nas primeiras horas. A gente tem que dar uma enrolada, tomar uns cafés a mais, vai no banheiro algumas vezes, bebe água de quinze em quinze minutos. Isso até acordar cem por cento. É até meio antiprodutivo, mas o que se há de fazer? Tem dia que a cabeça só pega no tranco e, assim mesmo, depois de deixar o motor esquentando um pouco, é ou não é?

– Tudo bem, Artur, tudo bem. Dessa vez, eu não vou descontar o seu atraso.

– Olha, como eu tava dizendo, não foi bem um atraso, foi um…

– Eu já disse que tudo bem, Artur. Pode ir para sua mesa agora, tá?

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