Falta de educação

Você sabia que, no Brasil, é proibido educar seus filhos em casa, em vez de mandá-los para a escola? Se não sabia, é bom ficar sabendo.

De acordo com notícia divulgada no jornal “Folha de S.Paulo”, a Justiça de uma cidade do interior de Minas Gerais condenou, em primeira instância, o casal Cleber e Bernadeth Nunes por “abandono intelectual” de seus dois filhos adolescentes. Os meninos foram tirados da escola há quatro anos e, desde então, são educados em casa pelos pais. E não vá pensar que, por causa disso, os garotos não têm uma educação adequada. Pois têm sim. No decorrer do processo judicial, os irmãos foram obrigados a fazer uma maratona de exames e conquistaram notas bem acima do necessário para aprovação, deixando para trás a grande maioria dos estudantes de sua idade devidamente matriculados em escolas públicas ou particulares. Mas, mesmo assim, o Juiz multou os pais e ainda pode mandar prendê-los ou até mesmo tirar-lhes a guarda dos filhos.

O casal considerado “criminoso” por nossas leis é adepto da prática de ensino chamada “homeschooling” (ensino domiciliar) – metodologia que reúne cerca de 1 milhão de adeptos nos EUA, mas que é totalmente proibida no Brasil. Tudo bem. Daria até para pensar em aceitar tal interferência nas nossas vidas particulares e na maneira de educarmos nossos filhos SE o Brasil oferecesse um Sistema de Ensino digno desse nome. Mas não. Nós somos OBRIGADOS a deixar nossos filhos, todos os dias, em escolas caindo aos pedaços e com métodos de ensino que já eram considerados obsoletos pelos homens de Neanderthal.

Essa história toda me faz lembrar uma cena de um filme bem antigo, mas que a minha geração assistia duas três vezes seguidas, sem sair do cinema. Trata-se de “The Wall”, do grupo de rock Pink Floyd. Você já deve ter ouvido falar. Pois no filme, que é uma mistura de desenho animado e filme de verdade, tem uma cena que mostra um monte de crianças uniformizadas marchando numa fila até a beira de um despenhadeiro. Dali, elas caem numa espécie de moedor de carne gigante do qual, da outra ponta, sai uma gororoba esquisita, homogênea, sem cor, sem forma e aparentemente sem cheiro.

Mais de 30 anos depois, a impressão que eu tenho é a de que continuamos a fazer exatamente isso com nossas crianças. Estamos tirando delas, cada dia mais cedo, o direito de brincar, de se relacionar e aprender num mundo que poderia ser uma festa, para trancá-las atrás de muros na companhia de computadores e professores mal remunerados.

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