Archive for fevereiro \24\UTC 2011

Salvar a humanidade pra quê?
24/02/2011

Sempre quando vou a um médico, eu me lembro de um filme que assisti uma vez. Eu não consigo me lembrar que filme era, mas eu lembro que era um daqueles filmes catástrofe, que o mundo estava em vias de acabar por causa de um meteoro enorme que ia cair no oceano, causando tsunamis e terremotos devastadores, e que a NASA ia mandar uma equipe de astronautas para tentar desviar o meteoro da Terra. Só que aí, antes de partir, um dos astronautas escalados pediu uma noite de folga a seus superiores. E caiu na farra. Ele bebeu, fumou, jogou, transou com não sei quantas mulheres. No dia seguinte, estava acabado. Ao encontrá-lo naquele estado, o chefe dele deu a maior dura, dizendo que ele era um irresponsável, que ele havia recebido a maior missão que um homem já teve na história da humanidade, que era a de salvar a própria humanidade da extinção, que isso não era coisa que se fizesse.

Aí o astronauta respondeu, olhando para o horizonte, pensativo:

– Bom, chefe, se não é para fazer essas coisas, pra quê que a gente vai salvar a humanidade?

É a mesma coisa com o médico. A gente vai no médico, e a primeira coisa que ele faz é perguntar se a gente fuma, mesmo se o problema for apenas a droga de unha encravada. Se fuma, tem que parar. Depois, é beber. Não adianta falar que você só bebe à tardinha, antes do jantar, para dar uma relaxada. Nem dizer que só toma uns aperitivos socialmente. Nem ao menos que você só bebe uma cervejinha nos churrascos de final de semana. Se bebe, tem que parar. Frituras? Esquece. Picanha? Só bem passada e sem gordura. Pizza então, nem pensar.  Toda aquela mussarela derretida, os pedacinhos de bacon. Um veneno. Agora, na última vez que eu fui no médico, a coisa passou dos limites. Ele me disse que, do jeito que a coisa está, além disso tudo que eu já falei, eu não podia beber nem leite. Leite, veja você. O alimento que nos diferencia dos peixes, das aves, dos insetos, das pedras e dos repteis. Leite: a primeira e principal alimentação de nossas criancinhas.

– Gordura pura. Nem leite nem derivados – disse o médico, de trás de seus óculos de leitura, olhando a pobre da minha radiografia que mostrava graves anomalias hepáticas e inflamações variadas nas vias biliares. Deu vontade de responder com as mesmas palavras do filme.

– Bom, chefe, se não é para fazer essas coisas, pra quê que a gente vai salvar a humanidade?

Mas ele não ia entender nada.

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O fotógrafo
22/02/2011

Foto do Victor Hugo

Comprei, outro dia desses, uma câmera fotográfica nova, dessas de não sei quantos megapixel, zoom de 12 vezes, funções automáticas, estabilizador ótico e tudo o mais. Fazia tempo que eu estava precisando de uma. A minha antiga já vinha rateando um pouco e não tinha quase nenhum desses recursos mais modernos. E, o pior. De vez em quando ela começava a tirar umas fotos meio embaçadas, aparentemente sem razão alguma, me deixando na mão em inúmeros aniversários e festas, incluindo aí o último Natal, cujas fotos meus pais estão esperando até hoje.

Quando a máquina nova chegou, a primeira coisa que eu fiz foi dar a antiga para o meu neto brincar um pouco de fotógrafo. É claro que ele ainda tem só três anos, mas tudo bem. Ele se diverte mesmo assim. O que eu não esperava é que o baixinho ia simplesmente adorar tirar fotografias. Depois que aprendeu o básico, como ligar, desligar e clicar, ele passou a ficar o dia inteiro com a máquina pendurada no pulso, fotografando tudo o que vê pela frente e arriscando até a fazer alguns filmes. É claro que a maioria das fotos são absolutamente incompreensíveis. E é esse o maior problema.

Eu não consigo jogar nenhuma foto fora.

O problema já ocorria comigo mesmo, e toda vez que eu deletava uma foto que eu havia tirado, ficava com peso na consciência. Mas, na hora de deletar uma foto que o MEU NETO tirou, aí a coisa descambou de vez. Eu guardo tudo. Desde umas fotos que ele tira a um centímetro do chão, talvez tentando focar uma formiga, até algumas outras que são apenas azuis, sem absolutamente nenhum detalhe para a gente saber se aquilo é um céu ou um pedaço embaçado de sua calça jeans.

Sei que no meu computador não cabe mais nada e, se continuar nesse ritmo, no final de semana que vem o meu neto vai zerar todo o espaço disponível. Algo em torno de 500 gigabytes de dados. Ando pensando em adquirir um HD externo que, para quem não sabe, é uma coisa que aumenta substancialmente o espaço de armazenamento do computador. Mas sei lá. Além do aparelho custar meio caro, eu vou estar só adiando o problema por alguns meses. Eu aposto que, no final do ano, o tal do HD externo também vai estar lotado de closes de dedões do pé e fotos do rabo do meu cachorro.

Eu preciso é tomar uma atitude corajosa. Como vender a minha máquina nova, sei lá.

Nossos horários
22/02/2011

Domingo foi até legal. Na hora que a gente achou que tava acabando, atrasamos os relógios e ganhamos uma horinha a mais. Foi o fim do tal Horário de Verão.

Na segunda-feira, no entanto, todo mundo acordou de mau humor. Porque o corpo não se acostumava direito com essa hora esquisita de acordar e que ninguém conseguia esperar para almoçar só ao meio dia, porque, afinal de contas, já era uma hora da tarde, oras.

No Brasil, Horário de Verão é assim. A gente reclama quando começa e reclama quando acaba. E é por isso mesmo que eu fico pensando se não era mais negócio todo mundo fazer o seu próprio horário particular, conforme lhe desse na telha. Tipos, eu acordo na hora que eu quero, vou dormir na hora que eu canso, e vou comer na hora que tenho fome. Não ficava melhor? Veja bem, é claro que tem o negócio dos empregos. Mas a gente podia fazer uns contratos mais ou menos assim. Eu me comprometo a trabalhar oito horas por dia. Seja de manhã, à tarde ou à noite. Com almoço ou sem almoço. Com pausa para o café ou sem pausa para o café. Contanto que trabalhe as oito horas. Não ficava bom assim pra todo mundo?

Se você pensar bem, até o trânsito melhorava. Porque não ia mais sair todo mundo na mesma hora para ir trabalhar. Uns iam às seis da manhã. Outros às sete. Outros às oito. Outros às nove. E assim por diante. E na hora da volta, a mesma coisa. Uns saem às seis da tarde, outros mais tarde. Outros, ainda, saem à noite. Então não ia mais ter aquele negócio da “hora do rush”, que é como a gente chamava esses horários de engarrafamento antigamente.

Porque, fala a verdade, tem dia que a gente até vai trabalhar, mas não funciona direito nas primeiras horas. A gente tem que dar uma enrolada, tomar uns cafés a mais, vai no banheiro algumas vezes, bebe água de quinze em quinze minutos. Isso até acordar cem por cento. É até meio antiprodutivo, mas o que se há de fazer? Tem dia que a cabeça só pega no tranco e, assim mesmo, depois de deixar o motor esquentando um pouco, é ou não é?

– Tudo bem, Artur, tudo bem. Dessa vez, eu não vou descontar o seu atraso.

– Olha, como eu tava dizendo, não foi bem um atraso, foi um…

– Eu já disse que tudo bem, Artur. Pode ir para sua mesa agora, tá?

Testamento
22/02/2011

Eu, Artur de Carvalho, me encontrando em uso e gozo de minhas faculdades mentais, livre de qualquer sugestão, induzimento ou caução, deliberei fazer este meu testamento particular, digitado, como de fato ora o faço, em presença de cinco testemunhas qualificadas e assinadas, que se encontram reunidas em minha residência nesta cidade de Votuporanga, no qual e com observância das regras estatuídas pelo Novo Código Civil brasileiro, exauro minhas últimas vontades, declarando o seguinte: que me chamo Artur de Carvalho ; que sou natural de Campinas-SP, onde nasci em 1961; casado pelo regime da comunhão total de bens; que desse matrimônio tive uma única filha e que, assim, tenho herdeiros necessários por estirpe; que, entretanto, posso dispor, segundo a lei, de até 50% de todos os bens que possuo; que de minha livre e espontânea vontade disponho por este testamento não apenas da parte livre, mas da totalidade de meus haveres, uma vez que estou destinando 80% deles conforme descrito abaixo e que os 20% restantes caberão à legatária e às despesas Post mortem.

Segue a lista de meus bens e de seus respectivos destinatários

a) diversas cadernetas de poupança em meu nome, descritas em anexo, ficam para o meu neto.

b) parte que me cabe de minha casa em Votuporanga, fica para minha filha.

c) diversos bens móveis que guarnecem a casa em que resido, heranças de minha finada avó, ficam para minha atual e querida esposa.

d) outros bens igualmente móveis, não descritos aqui por serem passíveis de aumento ou diminuição durante a minha vida, podem ser distribuídos eqüitativamente entre meus irmãos ainda vivos e meus sobrinhos.

e) dois apartamentos descritos em anexo, registrados no Ofício de Registro de Imóveis na cidade do Rio de Janeiro, sendo um deles uma cobertura com vista para a praia de Copacabana e outro no Leblon, ficam para a Joseneide de Assunção.

 

– JOSENEIDE?Mas que história é essa de Joseneide?

– O que é que você está mexendo aí nas minhas coisas, Maria de Lourdes?

– Não desconversa não! E de onde é que apareceram esses apartamentos no Rio de Janeiro?

– Você nunca foi de mexer nas minhas coisas, Maria de Lourdes, e agora, depois de velha…

– Velha o escambau! Põe essa Joseneide aqui na minha frente para você ver quem é que é velha!

– Calma Maria de Lourdes, calma.

– Calma como? Calma como? Trata-se de uma cobertura em Copacabana, meu deus do céu! Em, Copacabana!

 

O iPhone e a Viajante do Tempo
22/02/2011

Umas semanas atrás, topei com videozinho na internet, mostrando uma cena do filme “O Circo”, de Charlie Chaplin. Até aí, nada demais. Hoje em dia, parece que todo mundo pode mostrar um pedaço de um filme, de uma ilustração, de um livro ou de uma música na internet, sem pedir autorização para o autor. Até comigo já aconteceu uma coisa parecida. Mas acontece que, neste caso, tinha um porquê da cena estar sendo mostrada. Era que, no meio do filme, passando lá atrás, entre os figurantes, parece ter uma mulher falando num… celular. É, isso mesmo, num celular! E não é um celular “rebinha” não. Olhando bem, parece até ser um desses iPhone, da Apple.

Se você não acredita, é só entrar no site http://migre.me/3S690 e confirmar.

Para quem está com preguiça de entrar na internet ou que, mesmo assim, não acredita “nessas coisas da internet”, essas fotografias aí, na ilustração, são cenas que eu mesmo tirei do próprio filme do Chaplin, que tenho em DVD aqui em casa, então não se trata de uma montagem ou coisa parecida. A cena é essa mesmo, é um fato, e o que eu precisava agora era de uma explicação razoavelmente convincente.

É claro que, logo de cara, apareceram uns céticos dizendo que aquilo era mera coincidência. Uma espécie de ilusão de ótica. Mas eu ainda sou mais propenso a, se não a aceitar, pelo menos dar um crédito à versão mais interessante: trata-se de uma autêntica Viajante do Tempo, visitando o set de filmagens de um dos mais talentosos fundadores do cinema. Talvez uma professora de cinema do século XXV, ou uma historiadora, ou até mesmo uma simples fã do Charles Chaplin atrás de um autógrafo.

O mais curioso, nesse caso, seria saber com quem a nossa Viajante do Tempo estaria conversando. Será que ela estava em contato com uma equipe de cientistas, enviando códigos de reconhecimento para garantir uma volta segura para sua época? Será que ela estaria falando ao vivo, em rede mundial, descrevendo tudo o que via para futuros e complexos estudos comportamentais? Ou será que ela estaria falando com a Dolores?

– Dolores? Você não imagina de ONDE eu estou falando… Ah, o Gastão já contou? Aquele danadinho, eu falei pra ele não espalhar… Se ficou caro? Ah, de vez em quando a gente tem que fazer o que gosta, senão do que adianta trabalhar tanto, não é verdade?

Aposentadoria
21/02/2011

Como diz um velho amigo meu, não tenho nada contra o Ronaldão, nem a favor, nem muito pelo contrário. Eu só acho que ele é um jogador de futebol. Um bom jogador de futebol, vá lá, um pouco mais articulado do que seus colegas de profissão, mas nada além de um jogador de futebol. E eu não entendo como é possível que o fato de um jogador de futebol se aposentar tenha tamanha relevância que o leve às capas dos maiores jornais do mundo, que faça com que as revistas semanais preparem rapidamente edições especiais sobre sua carreira, e que equipes de TV interrompam a programação normal de suas emissoras para transmitirem ao vivo o que deveria ser um simples discurso de despedida.

Eu não me lembro, por exemplo, de qualquer TV modificando sua programação quando o pintor Salvador Dalí morreu, em 1989, ou o escritor Jorge Luis Borges, em 1986. Ou quando o poetinha Vinicius de Moraes não conseguiu acordar, numa manhã de 1980. Ou por ocasião da passagem do nosso querido (e reconhecido internacionalmente) Tom Jobim, em 1994. Ou até mesmo na morte de Charles Chaplin, em 1977. Houve cadernos especiais? Houve, claro que houve. Teve notícia no jornal? Teve, claro que teve. Mas nada nem parecido com a meia página de capa que a “Folha de S.Paulo” dedicou à simples aposentadoria do Ronaldão, que, convenhamos, nem morte é, oras, é só uma simples aposentadoria.

Inconformado também fiquei observando a reação das pessoas. Teve uma tia minha que chorou copiosamente e não parava de dizer “coitado” toda hora que o Ronaldo dava uma fungada ou passava as mãos pelos olhos. Mas “coitado” por quê, meu deus do céu? Coitado porque ele conheceu o mundo inteiro e educou seus filhos nas melhores escolas da Europa? Coitado porque ele era disputado a tapas por mulheres maravilhosas que a gente só vai conhecer em revista? Coitado porque ele foi eleito três vezes o melhor jogador do mundo? Coitado porque o salário dele, fora os extras, beirava os R$ 2 milhões?

Oras, coitados de nós, que damos tanta importância a fatos tão irrelevantes quanto a aposentadoria de um jogador de futebol, e nos esquecemos completamente que o Brasil ainda ocupa uma posição humilhante no ranking da Educação, atrás de nações como o Chile, Trinidad e Tobago, Colômbia ou México que, aliás nunca foram campeãs mundiais da FIFA.

 

O que é importante nessa vida?
10/02/2011

Como já dizia o velho e sábio Einstein, tudo é relativo. Especialmente a importância das coisas. Para saber se uma coisa é mesmo importante, precisa saber quantos anos o sujeito tem, onde ele está, em que circunstâncias. Afinal, um monte de coisas.

Exemplo bom é o dinheiro. Sempre quando eu penso na importância que certas pessoas dão ao dinheiro, eu me lembro de um filme de pirata que eu assisti uma vez, de um capitão que passa o filme inteiro matando um monte de gente, inclusive a mulher que ele amava e seus melhores amigos, por causa de um tesouro perdido. Não vou entrar aqui em pormenores, até mesmo porque não lembro nem do nome do filme, mas eu sei que, chega no fim, o tal do capitão pirata acaba encontrando seu tesouro enterrado numa ilha deserta. São milhares e milhares de dobrões de ouro, muitas jóias e tudo o mais, mas ele não pode fazer nada com aquilo porque um dos piratas tinha explodido o seu navio, deixando o capitão sem água, sem comida, perdido naquele fim de mundo. Quer dizer, dependendo das circunstâncias, nem mesmo a maior fortuna do mundo tem importância frente a um simples copo de água.

Se a gente for pensar em termos de tempo então, vai perceber o tanto que as coisas mudam conforme a idade da gente. Eu me lembro de uma fase da minha vida que não existia nada no mundo mais importante que um tênis All Star. Lembra do tênis All Star? Hoje em dia, no meio de tantos Adidas, Nike’s e tudo o mais, o All Star se perdeu no meio da multidão. Mas, no meu tempo de moleque, All Star era “O” tênis. Eu daria tudo para usar um All Star nas minhas aulas de Educação Física, em vez daquele “kichute” que eu tinha ganhado da minha avó. Quem diria que, pouco tempo depois, nem tênis eu usaria mais, com meu armário de sapatos se resumindo por muitos anos a um chinelo de dedo, um sapato social e um mocassim para usar com a bermuda no final de semana.

Agora, hoje em dia, a coisa desandou de vez. Para falar a verdade, ultimamente, a coisa mais importante para mim é conseguir ir no banheiro sem precisar tomar um laxante…

– Mas isso vem acontecendo faz tempo?

– Até que não, doutor, mas de uns meses para cá, tá cada dia mais difícil, viu…

A abominável farsa das baratas
08/02/2011

Veja bem. Estou totalmente consciente de estar comprando uma briga feia ao expor aqui algumas constatações a respeito das mulheres. Até mesmo porque, na minha casa, tenho aguardando por mim, todos os dias, uma esposa, uma filha e também a Maria, nossa cozinheira de muitos anos que, casualmente, pode trocar seu delicioso tempero por um punhado de cicuta, veneno para ratos, ou coisa que o valha.

Mesmo assim, arrisco-me a dizer que algumas atitudes das mulheres simplesmente não batem com suas merecidas intenções de igualdade em todas as esferas com o sexo masculino. Como exemplo mais direto, gostaria de citar o exemplo das baratas. Nada me espanta mais que observar o espetáculo dantesco proporcionado por uma mulher ao se deparar com uma simples barata. A maioria grita. Outras correm. Algumas chegam a subir em mesas e cadeiras. E outras, ainda, simplesmente entram num estado catatônico, não tomando atitude alguma até que a barata volte para o buraco de onde veio, ou que alguém a esmague com um chinelo.

Oras, vamos ser sinceros. Qualquer mente razoavelmente privilegiada tem a obrigação de saber que o susto da barata ao se deparar com  um ser humano deve ser muito maior que o inverso. Afinal, o pequeno inseto olha para cima e se confronta com um animal de, proporcionalmente, uns três quilômetros de altura, calçando sapatos ou chinelos que beiram o tamanho de  um transatlântico. Então, como é que pode as mulheres, que hoje em dia já jogam futebol, já ganharam prêmios Nobel de literatura, já são motoristas de carretas e já chegaram até à presidência de certos países, entrem em pânico frente a uma simples baratinha?

Bem, a minha hipótese é a de que  tudo isso é papo. É, isso mesmo. Esse negócio de mulher ter medo de barata é uma mentira deslavada. Talvez o maior caso de fraude comportamental da história da civilização ocidental.

O que acontece é que NINGUÉM gosta de matar uma barata. Afinal, quem é que gosta de ouvir aquele CLEC típico de quando a gente pisa no bichinho?  Ou de ver aquela coisa branca que, logo após seu esmagamento, se espalha pelo piso? E de limpar “com desinfetante, com desinfetante!” os restos mortais da coitada? Pois ninguém gosta disso. Nem crianças, nem mulheres. E muito menos os HOMENS!

– Você esqueceu de limpar o seu sapato!

– Você nem ouviu o que eu falei, né?

– Limpa com DESINFETANTE, já falei!

Pode ser no cartão
05/02/2011

Eu descobri, e muito atrasado, que a gente só é pobre porque não sabe cobrar. E eu estou falando de money mesmo, meu filho, não de cobranças tipos “você me prometeu isso e não cumpriu”. Não. Eu estou falando de bufunfa, grana. DINHEIRO. Chegou pra mim agora, pediu qualquer coisa, vai ser ali, na bucha: é tanto. Sem tirar nem pôr. Nem se for uns centavos, vou cobrar. O filho chegou e disse “ô pai, me leva na escola?”.

– É dez pau.

– Com assim, dez pau?

– Quer que eu te leve na escola? É dez pau. E tá barato. Gasolina, mais mão de obra, mais risco de acidentes, mais sorrisinhos para os pais dos outros alunos. Dez pau tá barato. Pensando bem, quinze. Sem choro nem vela.

A mulher veio encostando, perguntando se a gente não quer fazer uma visitinha na casa da sogra nesse final de semana? Duzentinho.

– Duzentinho o quê?

– Duzentinhos, oras. REAIS. A gente acerta no final do mês.

– Pra ir na casa da minha mãe?

– É, pra ir na casa da sua mãe. Duzentos reais, incluindo um “Como vai essa saúde aí, sogrona?”.

– Mas… mas… mas a gente vai ALMOÇAR lá!

– Tudo bem, eu elogio o almoço. Fica dentro das despesas com marketing. Tá bom assim pra você?

Mas a minha maior fonte de lucros mesmo vai ficar com os amigos. Já percebeu o tanto de coisa que a gente faz de graça pros amigos em apenas um dia?

– Que horas são?

– Dois reais.

– Não, eu perguntei as horas.

– Eu sei. Agora, pra eu te falar as horas, é dois reais.

– Mas isso é… é… um absurdo!

– Absurdo por quê? Tá achando que o meu relógio saiu de graça?

E tem aqueles serviços que demandam um pouco mais de sacrifício, de conhecimento de causa, de leituras específicas e de horas gastas. Por exemplo, a gente está saindo do serviço, e o cara chega com aquela cara de que comeu e não gostou. E solta:

– Pombas, cara, a Dolores me largou. Foi embora de mala e cuia.

– Olha, antes da gente começar, passa aí cenzinho.

– Cem reais? E pra que você precisa de cem reais?

– Eu não preciso, só estou cobrando.

– Cobrando o quê?

– A consulta. E pode agradecer, um psicólogo cobra muito mais caro. Cenzinho tá de graça.

Vá plantar batatas!
05/02/2011

Você sabia que a batata já era consumida na região dos Andes há mais de 8 mil anos? Inclusive, entre os incas, a batata era praticamente sagrada. Só que aconteceu uma coisa engraçada. Quando os espanhóis passaram por aqui destruindo tudo, inclusive a civilização dos incas, resolveram levar umas batatas para serem plantadas na Europa. Mas, quando eles chegaram lá, todo mundo achou que aquela planta devia ter alguma coisa errada, já que aquela indiaiada da América do Sul gostava tanto dela. Dessa maneira, o delicioso tubérculo foi acusado pelos médicos da época de propagar tuberculose e raquitismo, e a Santa Inquisição chegou a pregar que a batata dava às bruxas o poder de voar. A imagem da batata era tão ruim que a primeira edição da Enciclopédia Britânica, de 1768, se referia a ela como um “alimento desmoralizador”.

Por causa dessas coisas, a batata só chegou à mesa do europeu comum por volta do século XVII, através de uma estratégia criada pelo agrônomo francês Antonie Augustin Parmentier. Como o povo ainda relutava em aceitar a batata como alimento, Parmentier transportava a batata sob forte escolta, dizendo que aquilo era comida só para os reis, rainhas, príncipes e princesas, o que despertou grande curiosidade no povo, que logo se interessou em experimentar o “fruto proibido” e espalhou a novidade.

Atualmente, a batata é o 4º alimento mais consumido no mundo, só ficando atrás do arroz, do trigo e do milho. Para variar, a China é a principal produtora de batatas no mundo, concentrando mais de um quinto da produção mundial.

No entanto, nos últimos anos, tem um monte de gente dizendo que as batatas, especificamente as fritas, são um verdadeiro pesadelo nutricional. Como as batatas são fritas em óleo vegetal, que é reutilizado inúmeras vezes, ela aumenta exponencialmente a concentração de gorduras trans, o tipo mais perigoso para a saúde. Além disso, segundo estudos feitos por pesquisadores da Universidade de Munique, na Alemanha, tanto as batatas fritas industrializadas como as feitas em casa podem conter uma substância chamada glicidamina, que é altamente cancerígena. Quer dizer. Quase quatrocentos anos depois, a batata voltou a ser vista como altamente venenosa, responsável por sei lá que número de doenças e mortes. E dizer que a Santa Inquisição é que estava com a razão, hem, mãe?

– Cala essa boca e come aí, moleque. E vê se pára de falar bobagem.