O Homem do Tempo

E por falar em clima, desde que eu me conheço por gente os jornais, as TV’s e as rádios do mundo todo sempre tiveram seu “homem do tempo”. “Homem do tempo” era o jeito que a gente chamava os atuais meteorologistas. Para falar a verdade, até hoje eu ouço um monte de gente falar “homem do tempo” em vez de meteorologista, muito provavelmente porque falar, e até mesmo escrever, me-te-o-ro-lo-gis-ta assim, tudo certinho, sílaba por sílaba, é altamente complicado, coisa para entendidos do ramo.

Acontece que os “homens do tempo”, pelo menos no Brasil, nunca foram levados muito a sério. Eles eram, e ainda são, mais lembrados pelos erros homéricos que às vezes cometem do que propriamente por seus acertos. Em sua defesa, tenho a dizer que, por já ter trabalhado em rádio, TV e jornais, fui testemunha de que, na maioria das vezes, os “homens do tempo” sempre trabalharam em condições bastante precárias, tentando descobrir, a partir de um monte de informações defasadas, alguma pista sobre o clima de hoje à tarde.

Veja bem. Você tem que entender que, antigamente, não tinha nada desses negócios de imagens de satélite, internet, nem nada disso. E como é que você imagina que um cara perdido numa rádio do sertão de São Paulo iria obter alguma informação sobre o clima? Oras, o coitado do “homem do tempo” fazia exatamente o que a grande maioria de nós faz até hoje: olhava para cima e arriscava um palpite. O problema é que a opinião dele era ouvida por milhares de pessoas, que talvez imaginassem que o “homem do tempo” tinha algum contato com a NASA ou algo assim, e por isso sabia mais coisas sobre o clima do que os outros. O que, na maioria das vezes, era uma mentira deslavada.

Eu mesmo, uma vez, tive o meu dia de “homem do tempo”, e sei bem como é barra. Foi quando eu trabalhava numa rádio, e era responsável por todo o noticiário, que eu costumava tirar da internet. Entre as informações que eu pegava, estava, é claro, a previsão do clima. Pois bem. Um dia, a internet caiu e ficou a tarde inteira sem voltar. Com as notícias consegui me virar, lendo um pouco de jornal e vendo a TV. Mas e o tempo? Bem, eu abri a janela, olhei para cima e o que eu vi foi um resplandecente céu azul. Fechei a janela e tasquei: hoje teremos sol o dia todo e amanhã sol com poucas nuvens. Pois não é que me caiu tamanho temporal que acabou alagando até a casa do dono da rádio?

Pelo menos aprendi a lição, que deveria ser seguida à risca por todos os jornalistas, e até mesmo pelos políticos cariocas: com o clima, não se brinca.

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