Que conselho você daria para alguém que mora debaixo de um vulcão ativo?

Na boa. Todos nós com um mínimo de discernimento sabemos que a tragédia causada por essas enchentes e esses deslizamentos no Rio de Janeiro não são culpa apenas de uma “vingança da natureza”, muito menos de um suposto mau humor de São Pedro. A culpa dos governantes – em todas as escalas: municipal, estadual e federal – é tão óbvia que nem merece ser esmiuçada aqui.

O que me deixa realmente encafifado é a atitude da maioria dos moradores que pretendem, assim que as coisas se acalmarem, voltar a construir e morar nos mesmíssimos lugares. Mas a que diabos de situação chegamos em que um cara que vê seus vizinhos serem enterrados vivos por uma avalanche de lama não tem outra alternativa a não ser voltar a construir e morar com a família na mesma armadilha da qual, com muita sorte, conseguiu escapar ileso?

Ainda se o lugar fosse assim, uma maravilha para se viver, vá lá. Mas não é. Trata-se do Rio de Janeiro que – apesar de toda sua beleza natural, das praias, do carnaval, do Flamengo e esse blábláblá todo – até outro dia desses estava metido numa guerra urbana que deixou todo mundo estarrecido.

Quer dizer, vai embora daí, gente! Tudo bem, eu sei que é difícil. Que tudo que as pessoas tinham na vida provavelmente estava ali. Mas pombas, será que isso é mais importante do que preservar as próprias vidas? Eu falo uma coisa para vocês. Se fosse eu, eu vazava dali e nunca mais voltava. Nem se fosse para morar debaixo de uma ponte que, por vias das dúvidas, dificilmente desabará em cima de minha cabeça.

Uma das coisas que, desde pequenininhos, mais tentam nos fazer orgulhar de nosso país é sua grandiosidade geográfica. Um dos maiores países do mundo, onde se plantando tudo dá e tudo o mais. Pois criem uma Teresópolis em outro lugar, gente! Num lugar mais plano, pelo menos. Uma Nova Friburgo no Ceará, sei lá. Mas mudem-se daí, pelo amor de deus!

É engraçado como nenhuma autoridade tem coragem de falar isso. Aliás, eles fazem exatamente ao contrário. Eles incentivam os pobres coitados a ficarem. O Banco do Brasil, por exemplo, “para tentar minimizar os prejuízos causados pela catástrofe”, decidiu conceder crédito a juros mais baixos para facilitar a reconstrução dos imóveis atingidos pelas chuvas. E do que é que adianta isso se o ano que vem a montanha vem abaixo de novo?

Afinal, os caras moram na encosta de uma serra, eles querem que aconteça o quê?

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