Vagabundo, não!

Eu já disse aqui uma vez, mas não custa repetir. Esse papo de que o trabalho enobrece o homem é conversa de patrão. O ser humano é, antes de tudo, um vagabundo. Você aí, que vive se torturando, achando que o seu avô, ele sim, era um homem de verdade, que se entregava de corpo e alma para o trabalho, e que você não passa de um desocupado sem vergonha, que só pensa em 13º, férias e fim de semana, pode parar de pensar essas bobagens.

A verdade é que o seu avô era igualzinho a você, só que disfarçava melhor. Afinal, naquele tempo, nossos avós usavam gravata, terno e chapéu, e um cara que sai assim de casa só pode ser um sujeito que leva a vida muito a sério, puxa vida. Ninguém poderia supor que, o que nossos avós queriam mesmo, era ir para a praia e tomar uma cerveja. Para você ver só uma coisa, até mesmo os médicos recomendam cerca de oito horas de sono por dia. Quer dizer, como é que pode falar que trabalhar faz bem, se a própria medicina diz que a gente tem que passar pelo menos um terço de nossa vida na cama?

E se você ainda não está convencido, observe melhor os animais. A gente olha assim e pode achar que muitos animais são perigosos o tempo todo, mas não são. Eles só são perigosos quando estão com fome. Eu já vi várias vezes na National Geographic um leão deitado, de barriga para cima, ao lado de uma zebra, ambos na maior boa. E isso acontece porque o leão só se levanta quando está com fome. O resto do tempo ele passa ali, no maior bodão. E as cobras, então? A piton, por exemplo – considerada uma das mais perigosas do mundo – depois que come, passa dias e dias dormindo, só acordando na hora de forrar novamente o estômago.

A conclusão a que se chega com essa história toda é muito simples: ninguém gosta de trabalhar. O trabalho é uma obrigação, à qual todos nós nos submetemos por uma questão de sobrevivência. As férias, por outro lado, são nosso ambiente natural. É durante as férias que nos sentimos mais vivos. Mas, para curti-las, é preciso estar bem alimentado, no caso dos animais, ou ter bastante dinheiro no bolso, no caso do ser humano.

Não é à toa que, em menos de cinco minutos, o Senado Federal aprovou o projeto que aumenta o salário dos deputados, senadores, presidente, vice-presidente da República e dos ministros de Estado para R$ 26,7 mil. Afinal, está todo mundo para entrar de férias, gente… E não dá para entrar de férias de estômago vazio, não é mesmo?

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