Por que a gente tem que saber tanta coisa?

Tudo bem. Não teve colunista no mundo que já não escreveu sobre a fase do “por que?” dos seus rebentos. Eu mesmo devo ter escrito alguma coisa parecida sobre a minha filha, há uns vinte anos atrás. Mas não dá para deixar de falar disso toda vez que uma criança muito próxima a nós entra nessa fase. Isso porque a fase do “por que?” numa criança é uma coisa muito marcante. Na vida dela e na vida de todos os que a rodeiam.

Para a criança, a importância desse momento é óbvia. Quando ela começa a perguntar “por que?”, é por estar começando a interagir e interpretar o mundo à sua volta. Até aquele momento, o mundo girava em torno do umbigo da criança, e ela ainda não tinha percebido direito que o mundo continuaria existindo mesmo sem a presença dela. Agora, quando a criança começa a se interessar pelo porquê das coisas, quer dizer que ela começou a prestar mais atenção nos acontecimentos ao seu redor, chegando à conclusão, por exemplo, que infelizmente o sol não gira em torno dela, e nem o leite foi inventado exclusivamente para sua própria alimentação.

Ela só não entendeu ainda… por que? Então, os acontecimento mais banais acabam desencadeando uma série de porquês intermináveis, que geralmente acabam desembocando num beco sem saída para os adultos que tentam responder.

Veja um exemplo recente que aconteceu entre meu neto de três anos e eu, quando vimos um mosquito preso numa teia de aranha. Por que a aranha solta teia? Para prender o bicho. Por que o bicho fica preso? Para a aranha comer o bicho. Por que a aranha come o bicho? Para encher a barriga. Por que encher a barriga? Para crescer e ficar forte. Por que o bicho não come a aranha? Porque a aranha é mais forte que o bicho. Por que a aranha é mais forte? Porque ela come o bicho, já falei. Por que o bicho não come a aranha ANTES, pra ficar mais forte? Porque o bicho está preso na teia, oras. Por que o bicho fica preso? Para a aranha comer o bicho…

Assim, nosso pequeno diálogo sobre biologia poderia muito bem durar para sempre se o vovô aqui, mais experiente, não se levantasse, cutucasse a barriga do nenê e gritasse:

– Nenê não me pega!

E saísse correndo espavorido. E olha que ele ainda nem começou a pensar de onde veio, hem?

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