Espírito esportivo o escambau

Antes do Fluminense ser campeão, o assunto que mais deu o que falar nas páginas esportivas dos jornais não foi nem quais times seriam rebaixados, nem quais tinham chances de ser campeões, e muito menos a gordura extra do Ronaldo, que sempre é notícia nessa época. O que mais se comentava por aí era a chamada “mala branca”, aquele famoso incentivo que os times recebem para endurecer o jogo frente aos adversários dos outros.

O caso mais comentado envolveu, mais uma vez, o Ronaldão, que disse, sem pudor algum, que “poria dinheiro do próprio bolso” para dar uma incentivada no time do Guarani, já rebaixado, que faria sua última partida justo contra o Fluminense, o principal adversário do Corinthians na luta pela taça. E o Ronaldão tinha razão, porque realmente não há nada de errado com a tal da “mala branca”.

Afinal, uma coisa é você oferecer dinheiro para o outro time perder, que aí já é caso de polícia mesmo. Outra coisa é você oferecer uma grana para o outro time lutar para vencer, que é, convenhamos, o mínimo que os times têm de fazer, até mesmo por respeito às suas torcidas.

Mas, o que se viu foi um rolo dos infernos. Inclusive, ainda pode sobrar para um jogador do Guarani, que declarou que os dirigentes do Corinthians ofereceram dinheiro para os jogadores. Baseado no Código Brasileiro de Justiça Desportiva, o jogador pode ser autuado pelo Superior Tribunal em até R$ 100 mil, mais suspensão de 360 a 720 dias.

Eu acho isso tudo muito esquisito. Porque, se você pensar bem, a gente faz isso o tempo todo em nossas vidas. Se você, por exemplo, começa a se esforçar mais no seu emprego, sempre acaba ganhando um aumento, uma promoção ou, pelo menos, uma bonificação de final de ano. Aliás, é isso que a maioria das empresas faz com seus vendedores. Vendeu mais do que a cota estipulada, o vendedor ganha prêmios. E isso não é exatamente a mesma coisa que a tal da “mala branca”?

Sei lá. Eu acho que esse povo é de uma hipocrisia sem tamanho. Todo mundo quer posar de bonzinho, de incentivador dos esportes, mas sabe muito bem que as coisas não são assim nem aqui nem na China. Especialmente num esporte que se acostumou com transações que rondam a casa dos milhões de dólares, como é o caso do futebol.

Onde rola tanta grana assim, não existem anjos.

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