Archive for dezembro \09\UTC 2010

Democracia no olho dos outros é refresco
09/12/2010

Se você não ouviu falar do WikiLeaks, ainda vai ouvir. Porque está todo mundo falando dele. O WikiLeaks é uma espécie de site de fofocas, só que em grande escala. Em vez dele ficar falando sobre os namoricos de celebridades, ele publica documentos ultra-secretos de países e entidades, que ele arranja sabe-se deus como. O site começou a ficar conhecido no início deste ano, quando divulgou um vídeo no qual militares dos Estados Unidos fuzilam iraquianos de um helicóptero e acabam matando dois funcionários da agência de notícias Reuters.

Depois disso, o fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, tornou-se uma celebridade mundial. O site já divulgou mais de 1 milhão de documentos secretos, desde o manual da prisão de Guantánamo até a lista de filiados do Partido Nacional britânico, de tendências neo-nazistas. E provou também que o governo chinês comanda invasões dos sistemas de computador dos Estados Unidos e de aliados ocidentais do Dalai Lama desde 2002.

É claro que um negócio desses iria gerar polêmicas. Para seus fãs, Julian Assange é um valente defensor da verdade. Seus críticos, no entanto, dizem que ele é um homem com sede por atenção, que está colocando vidas em perigo ao disponibilizar informações confidenciais para o grande público.

Agora, de uns dias para cá, as grandes potências resolveram dar o troco e estão tentando tirar o WikiLeaks do ar. E seu fundador entrou na lista de procurados da Interpol após a Suécia emitir uma ordem de prisão internacional contra ele por acusações que incluem estupro e assédio sexual. No entanto Assange, ao contrário do que imaginavam, não se escondeu. Negando todas as acusações, ele se apresentou à polícia britânica e foi imediatamente preso, criando uma comoção internacional.

Em protesto, hackers que apóiam o WikiLeaks derrubaram os programas de duas das maiores operadoras de cartões de crédito do mundo: a MasterCard e o Visa. O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, disse que a prisão mostra que o Ocidente tem grandes problemas com a democracia. E até mesmo o nosso Lula se meteu no meio, dizendo que “deveria haver protesto contra a prisão de Assange, e que o erro não é dele que divulgou, mas dos políticos e diplomatas que fizeram os documentos”, o que não deixa de ser verdade.

Se você pensar bem, o WikiLeaks só investiga e divulga as bobagens e sacanagens que os países têm feito por aí, sem ninguém saber. Lá de onde eu venho isso se chama JORNALISMO. E, tirar o site do ar e prender seu fundador se chama CENSURA.

Qualquer outra coisa que digam, é historinha para boi dormir.

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Dando descarga
09/12/2010

Agora o meu neto ganhou um peixinho dourado. Aliás, o peixinho nem dourado é. É um daqueles “betta”, meio azul, meio preto. É bonitinho, até. Tem umas nadadeiras que parecem véus coloridos. E não dá trabalho nenhum. Ele só fica lá, no aquário, com os olhos esbugalhados, nadando de lá para cá, sem fazer nenhum barulho ou pedindo carinho.

O único problema com esses peixinhos é que eles morrem.

É, morrem.

Tudo bem, você pode argumentar que tudo morre. A gente, inclusive. Mas os peixinhos dourados tem a mania de morrer antes de todo mundo. Eles duram aí, no máximo, um ano, um ano e meio. E olhe lá. Geralmente por um excesso de comida, ou por falta dela, ou porque está frio, ou porque está calor, um dia a gente acorda e pah, lá está o peixinho, flutuando de barriga para cima. Aí a gente tem que jogar na privada, dar descarga, e falar para o neto que o peixinho fugiu. Ou então sair correndo e comprar outro para pôr lugar, antes que o menino acorde e comece a chorar.

Então, na hora que a gente arruma um peixinho de aquário, fica sempre aquele negócio esquisito. Um baixo astral na casa toda. Porque toda manhã a gente levanta e tem que dar uma olhada no aquário, imaginando que o peixinho pode ter morrido durante a noite. E mesmo durante o dia. Simplesmente olhar para o aquário já dá aquele frio no estômago, que a gente sempre sente quando pensa na morte. Na da nossa ou na dos outros.

Ok. Ok. Você pode achar que é paranóia minha. Pode até ser. Mas que mal há em arrumar uma tartaruga? Uma tartaruga também não dá trabalho nenhum, oras. A gente solta ela lá, no quintal, e de vez em quando é só jogar uns restos de comida, uma ou outra banana. Umas folhas de alface. A tartaruga se vira muito bem. E, se você gosta mesmo é de bicho de aquário, tem também aquelas tartarugas de aquário, oras. E elas duram bastante. Umas duram até mais do que a gente mesmo.

– É, mas elas são feias.

– São o quê?

– Feias, oras. Um peixinho dourado enfeita a casa. Ele é colorido. É alegre. Agora, olha só para uma tartaruga. Uma tartaruga é feia. Sem graça. E é sempre daquela cor esquisita.

– Mas que coisa feia, isso é discriminação, sabia?

– Discriminação ou não, o peixinho fica. E está acabado.

Espírito esportivo o escambau
09/12/2010

Antes do Fluminense ser campeão, o assunto que mais deu o que falar nas páginas esportivas dos jornais não foi nem quais times seriam rebaixados, nem quais tinham chances de ser campeões, e muito menos a gordura extra do Ronaldo, que sempre é notícia nessa época. O que mais se comentava por aí era a chamada “mala branca”, aquele famoso incentivo que os times recebem para endurecer o jogo frente aos adversários dos outros.

O caso mais comentado envolveu, mais uma vez, o Ronaldão, que disse, sem pudor algum, que “poria dinheiro do próprio bolso” para dar uma incentivada no time do Guarani, já rebaixado, que faria sua última partida justo contra o Fluminense, o principal adversário do Corinthians na luta pela taça. E o Ronaldão tinha razão, porque realmente não há nada de errado com a tal da “mala branca”.

Afinal, uma coisa é você oferecer dinheiro para o outro time perder, que aí já é caso de polícia mesmo. Outra coisa é você oferecer uma grana para o outro time lutar para vencer, que é, convenhamos, o mínimo que os times têm de fazer, até mesmo por respeito às suas torcidas.

Mas, o que se viu foi um rolo dos infernos. Inclusive, ainda pode sobrar para um jogador do Guarani, que declarou que os dirigentes do Corinthians ofereceram dinheiro para os jogadores. Baseado no Código Brasileiro de Justiça Desportiva, o jogador pode ser autuado pelo Superior Tribunal em até R$ 100 mil, mais suspensão de 360 a 720 dias.

Eu acho isso tudo muito esquisito. Porque, se você pensar bem, a gente faz isso o tempo todo em nossas vidas. Se você, por exemplo, começa a se esforçar mais no seu emprego, sempre acaba ganhando um aumento, uma promoção ou, pelo menos, uma bonificação de final de ano. Aliás, é isso que a maioria das empresas faz com seus vendedores. Vendeu mais do que a cota estipulada, o vendedor ganha prêmios. E isso não é exatamente a mesma coisa que a tal da “mala branca”?

Sei lá. Eu acho que esse povo é de uma hipocrisia sem tamanho. Todo mundo quer posar de bonzinho, de incentivador dos esportes, mas sabe muito bem que as coisas não são assim nem aqui nem na China. Especialmente num esporte que se acostumou com transações que rondam a casa dos milhões de dólares, como é o caso do futebol.

Onde rola tanta grana assim, não existem anjos.

O Espírito do Natal Passado
09/12/2010

Dezembro vai chegando, e as pessoas começam a desacelerar. Não tem jeito. Em todo lugar que a gente vai, as pessoas pensam duas vezes antes de tomar qualquer atitude que possa resultar num trabalho inesperado, num problema de última hora. Ou qualquer coisa parecida.

– O senhor está me dizendo que quer esses cartões impressos para antes do Natal?

– É. Isso aqui é uma gráfica, não é?

– É. Claro que é. Mas meu senhor. O Natal já está aí, e…

– Como assim, o Natal já está aí? Nós mal começamos dezembro…

– Mas o senhor não está vendo as ruas enfeitadas, as vitrines das lojas?

– Estou, como é que eu podia não ver?

– Pois então.

– Então o quê?

– É Natal! Jingle Bells!

– Não é Natal nada, oras. Que eu saiba, o Natal é só no dia 25 de dezembro. Ainda tem um tempão até lá.

– Mas meu senhor, você tem que entender que tá todo mundo nos preparativos para a festa.

– Preparativos? Que preparativos? Ninguém prepara uma ceia com tanto tempo de antecedência, as coisas podem até estragar e…

– Eu não estou falando da ceia. Eu estou falando da FESTA. Olha aí, as casas. Pode reparar. O pessoal chega do trabalho e, em vez de descansar, vai enfeitar as casas com luzinhas, guirlandas, papais-noéis infláveis. É o Espírito do Natal.

– E o que é que isso tem a ver com meus cartões?

– Tem que eu não vou fazer meus funcionários ficarem até mais tarde nessa época, enquanto eles podiam estar lá, enfeitando suas casas… Nós não podemos forçar a barra, entende?

– Eu não estou falando em forçar a barra de nada. São só uns cartõezinhos… Vocês, por um acaso, vão baixar as portas agora e só abrir depois do Natal?

– Não, nós estamos abertos, como o senhor pode ver. Só não estamos, como posso dizer, nos precipitando.

– Imprimir meia dúzia de cartões não é se precipitar, oras. É só… é só… trabalhar!

– É aí que está, a gente até que está trabalhando, mas sem correrias, sem atropelos. Por que o senhor não faz a mesma coisa e deixa esse negócio de cartões para o ano que vem, hem?

– Mas… Mas… O que eu estou precisando é de cartões de Natal!

– Cartões de Natal? Puxa vida, hem tio? Mas não liga, não. Já já chega a Páscoa e o senhor pode…

– EU NÃO QUERO DAR CARTÕES DE PÁSCOA, EU QUERO DAR CARTÕES DE NATAL!

– Calma, tio, calma… Olha o Espírito de Natal, o senhor nunca leu Charles Dickens não?

Descobriram uma bactéria extraterrestre!
09/12/2010

Meu neto de 3 anos, de vez em quando, bate um papo com meus dois cachorrinhos. O maior papo mesmo, sabe? Ele conversa sobre o último desenho do Batman, sobre como foi seu dia, sobre a motoca motorizada que ganhou de aniversário. E os cachorrinhos ficam por ali, se não ouvindo, pelo menos fazendo cara de que estão. É claro que todo mundo ri muito disso, e acha engraçado como o molequinho realmente acha que os cachorros estão entendendo alguma coisa do que ele está falando. Afinal, meu neto ainda não entendeu que vida mesmo, de verdade, só mesmo o ser humano tem, e mesmo esses outros animais, como cachorros, baleias e beija-flores, eles estão aí só para nos alimentar, para serem cobaias em experiências, ou coisas do gênero.

Bem, agora, uma cientista da NASA, a agência espacial americana, descobriu e revelou com grande estardalhaço numa entrevista coletiva para a imprensa mundial, um ser vivo completamente diferente de tudo o que já foi visto antes na Terra, reforçando a idéia da existência de um DNA alienígena. A autora do estudo, Felisa Wolfe-Simon, do Instituto de Astrobiologia da Nasa e do Serviço Geológico dos EUA, disse que até hoje acreditava-se que, para existir vida, era necessária a presença do fósforo no DNA, mas que uma bactéria que eles descobriram num lago da Califórnia não tinha fósforo nenhum, mas sim arsênio, substância considerada altamente venenosa para todas as outras formas de vida conhecidas.  “É como estar vivo de uma maneira completamente diferente”, definiu a astrobióloga americana Pamela Conrad, que também participou da coletiva.

Tudo bem. Está certo que eles não encontraram nenhum ET, como os boatos trataram de espalhar pela internet desde que a NASA anunciou a tal da entrevista coletiva. Mas, mesmo assim, a descoberta faz a gente parar para pensar. Se assim, de uma hora para outra, tudo o que já se estudou sobre a vida na Terra pode ser considerado ultrapassado por causa de uma bacteriazinha que conseguiu se manter escondida por milhares de anos no fundo de um laguinho qualquer, nada impede que, de repente, se descubra também um pepino do mar com poderes psíquicos avançadíssimos, ou um polvo vidente que preveja quem será o próximo campeão mundial de futebol.

Bem faz o meu neto que, na dúvida, trata tudo e todos como seres vivos, de igual para igual. Vai saber o que se passa na cabeça (e no DNA) desses bichos.