Game Over

Como dizia um sobrinho meu, campeão absoluto entre seus colegas no game “Call of Duty: World at War”, a realidade é muito esquisita. Segundo esse meu sobrinho, na vida real, as pessoas são presas, se machucam, ficam tetraplégicas. Algumas, veja você, chegam até a… morrer!

Não sei se você já percebeu, mas essa criançada de hoje em dia perdeu um pouco a noção do caráter irrevogável (e inevitável) da morte. Muito provavelmente por causa dos videogames. Você já deve ter visto por aí um sobrinho, um neto, ou até mesmo um amigo seu, metido a adolescente, com os olhos pregados na tela de um vídeo, soltando a expressão “Puts, morri!” ou “espera um pouco que eu só tenho mais duas vidas”. A morte, hoje em dia, se tornou uma coisa meio distante. Desprezível, até. Dá sempre pra ganhar umas vidas a mais, e continuar no jogo.

É por isso que não é de se espantar que, quando a gente fica olhando na TV as imagens do Rio de Janeiro sendo invadido por bandidos armados de metralhadoras e lançadores de mísseis, tudo aquilo nos pareça coisa de ficção. Afinal, bandidos de armas em punho, atirando pelas ruas, a maioria de nós nunca viu, a não ser em filmes de Hollywood. Ou em videogames.

E a presença dos militares no encalço dos bandidos também não melhora em nada essa impressão de irrealidade. Muito pelo contrário. Aqueles policiais vestidos de preto, acho que do Bope, fazem a gente misturar na nossa cabeça cenas do filme “Tropa de Elite” com paisagens cariocas do tempo da Bossa Nova. Tipos, a Garota de Ipanema num daqueles uniformes de camuflagem do exército, encostada numa esquina e gritando desesperada para a tropa “go go go”, enquanto tiros e granadas explodem à sua volta. Parece coisa impossível?  Pois não é. O Jornal Nacional, outro dia desses, mostrou uma cena muito parecida com essa. Uma morena bonita, armada até os dentes, disparando contra um morro qualquer. E naquele último filme do Sylvester Stallone também. A brasileira Giselle Itiê aparecia, junto com o Jet Li, o Bruce Willis, o Arnold Schwarzenegger e o Mickey Rourke lutando contra uns bandidos que haviam tomado o poder do local. Tudo filmado no mesmo Rio de Janeiro. Talvez até na mesma esquina que, agora, acontecem os tiroteios transmitidos pela Globo.

Acho que já está mais do que na hora da gente puxar o fio da tomada e começar a se preocupar com a vida real. Essa vida chata, em que gente morre de verdade.

 

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