Não leia, não ouça, não Veja

É o seguinte. Eu não gosto de conselhos. Nem de dar, nem de receber. Tanto é, que nunca li um livro de auto-ajuda. Nenhum. Acho mesmo que todos nós, se não sabemos, deveríamos saber o que fazer de nossas vidas. Como já dizia o Caetano, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Mas, com a idade chegando, de vez em quando eu tenho me arriscado a, se não a dar um conselho propriamente dito, ao menos a dizer quais foram as minhas escolhas quando passei por determinadas situações. Talvez, para servir de alerta, para que os outros não repitam as burradas que eu acabei fazendo. Talvez, como conselho mesmo, o que se há de fazer?

Por exemplo. Desde os meus tempos do colegial, antes de uma prova, qualquer prova, eu jamais li ou reli qualquer coisa que fizesse referência àquela matéria. O que era para eu ter aprendido, eu já tinha aprendido, e não ia ser uma leitura desesperada de última hora que ia me fazer saber mais alguma coisa sobre Física, Química, Biologia ou Matemática. Para falar a verdade, na véspera do primeiro vestibular que prestei, para desespero dos meus pais, eu simplesmente acordei às dez da manhã e fui para um barzinho, tomar uma cerveja e comer umas porções de torresmo. Acabei só saindo de lá no começo da noite e, quando voltei para casa, ainda passei a madrugada assistindo uns filmes de terror. Não que eu tenha sido o primeiro da lista da Fuvest também. Mas passei no vestibular, e era isso que interessava.

E nos esportes é a mesma coisa. Por um acaso você pensa que, na véspera de uma maratona, os caras saem correndo 50 km para treinar? Pois não saem. Na véspera de uma maratona, geralmente os grandes atletas descansam, ou fazem exercícios bem leves, senão eles não aguentam o esforço do dia seguinte.

Então, o que eu acho, é que nas eleições a gente devia fazer exatamente a mesma coisa. Nessa semana que antecede a grande ”celebração da democracia”, nós, os eleitores, devíamos parar de ver, ler ou ouvir qualquer coisa que fizesse referência aos candidatos. O que era para a gente saber deles, a gente já sabe, oras. É no mínimo estranho que, depois desse tempo todo de disputa, alguma coisa nova e verdadeira seja descoberta pela imprensa, ou por quem quer que seja, justamente quando não resta tempo para o candidato se defender.

Agora, é hora de todo mundo ficar quietinho no seu canto, apenas torcendo para que o próximo presidente não deixe as coisas desandarem, como desandaram esses últimos dias de campanha.

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