Agora todo mundo vai na missa

Como diz aquele ditado antigo, tem três coisas que não se discute: futebol, política e religião. Eu, aqui da minha parte, incluiria sexo nessas coisas. E a descriminalização das drogas. Todas essas coisas, as pessoas defendem, ou são contrárias, de uma maneira tão radical que beira a insanidade. Querer defender sua posição em qualquer um desses itens é a mesma coisa que enfiar a mão num vespeiro: você pode até ganhar, mas vai sair cheio de picadas.

E é justamente esse o grande problema dessa época de eleições. Todos os candidatos fogem de perguntas sobre esses assuntos como o diabo foge da cruz. E o pior é que eles não estão completamente errados ao fugirem desses assuntos. Em 1985, por exemplo, o Fernando Henrique Cardoso disputava com o Jânio Quadros a prefeitura de São Paulo, e estava disparado na frente em todas as pesquisas. O FHC chegou até mesmo a se sentar na cadeira da Prefeitura, para posar para uma foto. Aí, num debate na TV, o jornalista Boris Casoy perguntou se o FHC acreditava em Deus. O homem, apesar de tantos estudos e tudo o mais, se embananou todo com a resposta, foi “acusado” de ser ateu, e o Jânio Quadros acabou vencendo a eleição.

E teve aquela também, do Bill Clinton, ex-presidente dos EUA, que, após confessar a uma repórter que já havia experimentado maconha em sua juventude, voltou atrás e completou com sua mais célebre frase, que entrou para a história da tergiversação: “- Fumei, mas não traguei”.

Quer dizer, se depender dos políticos, a gente nunca vai conseguir debater esses temas mais sérios, porque os políticos fogem como podem de polêmicas. Eles gostam de falar que são a favor da saúde, da educação, da habitação para todos. Mas isso é fácil, oras. Pois me diga quem, em sã consciência, seria contra a saúde, a educação e a habitação para todos?

Agora, é só surgir um tema um pouco mais áspero, como nesse ano foi o caso do aborto, que os políticos se metem num emaranhado de acusações e desmentidos dos quais muito dificilmente se livram pelos próximos quatro anos. Agora, eu me pergunto. Se não é para discutir essas coisas, para que diabos serve um debate? Que eles são a favor da saúde, da educação e da habitação, todo mundo já está careca de saber. Eu quero saber é o que os candidatos pensam sobre a Igreja Católica, que proíbe o uso da camisinha e acha que o homossexualismo é uma doença.

Isso que eu gostaria de saber.

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