Tudo a mesma porcaria

Uma coisa que ninguém está falando muito é que o Brasil está prestes a ter sua primeira presidenta. E é assim mesmo que se escreve, com “a” no final, conforme o Dicionário Aurélio ensina: feminino de presidente é presidentA. Talvez seja um pouco esquisito para o ouvido, mas é mais por falta de costume do que por qualquer outra coisa.

E não é à toa que a palavra “presidenta” nos soe estranha. Nós, por exemplo, nunca tivemos uma e, pelo mundo afora, essa também não é uma coisa muito comum. Teve, é claro, umas exceções mas, no geral, a presidência de um país é um cargo exercido por uma maioria esmagadora de homens.

Quando eu era mais jovem, gostava de imaginar que, no momento em que as mulheres passassem a comandar alguns países, o mundo tenderia a melhorar. Afinal, as mulheres são mais apaixonadas pelo que fazem. São mais delicadas. Mais apaziguadoras. E, talvez pela experiência que elas têm com os filhos, mais acostumadas a mediar conflitos.

No entanto, essa visão um tanto romântica da política foi seriamente abalada quando a Margaret Thatcher se transformou na primeira mulher a assumir o cargo de Primeiro Ministro da Grã-Bretanha. Só para você ver o tamanho da minha decepção, pouco depois de completar seis meses de mandato e o apelido dela já era “A Dama de Ferro”.

E aconteceu mais ou menos a mesma coisa com os negros. Apesar de se dizer não-racista, o brasileiro tem a mania de “esbranquiçar” seus negros importantes. Por exemplo, você sabia que o Machado de Assis era negro? E o Castro Alves? E o Rui Barbosa?  Pois então, quase ninguém sabe. A impressão que dá é que o Brasil se envergonha de sua cor.

Por essas e outras, eu sempre torci para que um negro assumisse um cargo de real importância política no Brasil. Até que, um dia, aconteceu. Celso Pitta, um negro, foi eleito prefeito de São Paulo, a maior cidade do país! Tudo bem, foi com o apoio do Maluf, mas quem se importava? Esse era um feito histórico!

Bem, ao terminar seu mandato, o Pitta era réu em nada menos que treze ações judiciais. O valor das denúncias administrativas alcançou 3,8 bilhões de reais, o equivalente a quase metade do orçamento do município na época. E a dívida paulistana passou na sua gestão de 8,6 bilhões para 18,1 bilhões de reais.

Quer dizer, pode ser homem ou mulher, preto ou branco, jovem ou velho, tanto faz como tanto fez. Na hora que eles chegam lá, acaba tudo na mesma porcaria.

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