Você não é um gênio

Assisti a um filme japonês nesse último final de semana. Eu adoro filmes japoneses. Filmes japoneses e asiáticos, de um modo geral. Eles têm outro ritmo, um jeito diferente de ver as coisas. Dão um tempo para você pensar. São exatamente o oposto dos filmes americanos atuais que, nem bem começam, já encadeiam uma série de intrigas, correrias e fugas desenfreadas, que não nos dão um momento de trégua até chegarem os créditos finais. Não dá tempo nem de desviar os olhos para o saquinho de pipoca, o qual ficamos procurando às apalpadelas enquanto nossos olhos não conseguem se desviar daquela espetacular explosão na cobertura do Empire State Building.

Mas, voltando para o filme japonês, em determinado momento o personagem principal, um músico de uma pequena orquestra sinfônica prestes a ser fechada, descobre, estupefato, que não era considerado talentoso o suficiente para tocar em uma orquestra maior. E, desempregado, acaba conseguindo uma vaga como… maquiador de cadáveres. É, isso mesmo. Maquiador de cadáveres. Sabe aqueles caras que preparam o defunto, antes dos funerais? Pois então. Ele arrumou um emprego naquilo. Só que, apesar de sofrer inúmeros preconceitos, inclusive da parte de sua própria esposa, e de ter vomitado até as tripas ao mexer em seu primeiro “cliente”, foi ali, entre os mortos, que o ex-músico acabou encontrando algum sentido para sua vida.

Mal comparando, uma vez eu também tive que me defrontar com essa estranha sensação: a de que eu não era um gênio e que minhas idéias não iriam modificar em nada a história da humanidade. Porque, quando a gente é jovem, sempre acha que vai ganhar um prêmio Nobel, embora ainda sem muita certeza em que área do conhecimento humano. Ou, pelo menos, um óscar ou coisa que o valha. Só que, infelizmente, nem todo mundo é um gênio. Aliás, a maioria absoluta das pessoas não o é. A espécie humana é composta, basicamente, de pessoas medianas, como eu e você, que jamais vão lotar um show no Madison Square Garden, nem vender dez milhões de livros, e que, no máximo, no máximo, veremos nosso nome estampado numa placa de bronze quando fomos convidados para exercer a função de secretário municipal numa cidade do interior.

É a vida, fazer o quê? Resta-nos apenas ir vivendo da melhor maneira possível, tentando ser feliz com os pequenos milagres que, mesmo essa vidinha simples e comum, muitas vezes nos oferece.

Como um neto, por exemplo.

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