O povo unido

Eu já fui quase de tudo. Já fui comunista. Já fui anarquista. Já fui até petista, veja você. Mas, ultimamente, resolvi que não queria mais ser nada disso. Parece que enjoei desse negócio de pertencer a grupos, partidos, sindicatos e coisas assim. A única coisa parecida a que ainda pertenço é o Facebook, e assim mesmo, ando pensando em deletar minha conta. Porque, a cada dia que passa, vou percebendo que, quando a gente passa fazer parte de um grupo específico de pessoas, pára repentinamente de pensar como um ser racional. É só dar uma olhada na história da humanidade para perceber que as grandes multidões, geralmente, fazem enormes bobagens. E o nazismo é um dos maiores exemplos.

Até hoje antropólogos estudam aquela época tentando entender como é que um baixinho maluco, com um bigodinho esquisito e um jeitão meio andrógino, conseguiu fazer com que uma das sociedades mais evoluídas de sua época, pátria de grandes homens como Bach, Beethoven e Albert Einstein, resolvesse matar todos seu homossexuais, judeus e deficientes físicos e partir para uma guerra alucinada contra o mundo. Quando entrevistados um a um, nem os próprios alemães conseguiam explicar. Eles simplesmente foram junto com todo mundo.

E a gente ainda está cheio de exemplos por aí. Para não ir muito longe, vamos falar do meu pai. O meu pai sempre foi um exemplo de tolerância e bondade. Amoroso com seus filhos, carinhoso com sua esposa e muito bem quisto pelo patrão e pelos colegas de trabalho. Mas aí, aos domingos, ele ia para o estádio, assistir um jogo da Ponte Preta. E o meu pai se transformava num… torcedor de futebol! E, como todos os outros torcedores, xingava o juiz de nomes que eu nem sabia o significado. Gritava que ia pegar o torcedor adversário lá fora. Uma vez, ele chegou até mesmo a atirar seu radinho de pilha num coitado de um ponta-esquerda que, felizmente, conseguiu se desviar, ainda a tempo de observar os pedaços do aparelho se espalhando pelo gramado.

É por isso que eu passei a ter um certo receio com aquele papo de que “o povo unido jamais será vencido”, um dos nossos gritos de guerra, no tempo da ditadura. Porque acabei aprendendo que o povo unido faz é um monte de bobagem, essa é que é a verdade. E daí para, numas eleições democráticas, acabar elegendo um bando de idiotas para governar o país, é um pulinho só.

Em tempos de eleições, é sempre bom lembrar que o Hitler não tomou o poder à força, nem num golpe militar, nem nada dessas coisas. O Hitler foi eleito. Numa eleição democrática. Exatamente como essa, que teremos agora.

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