A primeira vítima

A primeira vítima, quando começa uma guerra, é a verdade. A frase, dita pelo senador norte-americano Hiram Johnson, em 1917, cai como uma luva para o atual momento da nossa campanha para a presidência. Porque, não sei se você percebeu, a coisa está virando mesmo uma guerra. Enquanto os candidatos estavam ali, meio empatados, até que estavam se comportando razoavelmente bem, como duas pessoas civilizadas e tudo o mais. Mas, agora, parece que partiram definitivamente para a guerra, e ninguém mais sabe quem é que está dizendo a verdade sobre o outro. E, de uma maneira ou outra, até chegarem as eleições, ninguém vai conseguir saber também o que está por trás desse negócio todo de quebra do sigilo fiscal.

Para quem não sabe do que eu estou falando, o José Serra responsabilizou a campanha petista pela quebra do sigilo fiscal na Receita Federal de pessoas próximas a ele. Entre outros, tiveram seu sigilo violado o vice-presidente do partido, Eduardo Jorge, e sua filha, Veronica Serra.

A Dilma Rousseff, no entanto, afirmou que a acusação do candidato tucano contra ela é um ato “de desespero” e anunciou ações judiciais do PT no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e na Procuradoria-Geral da União contra Serra e o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. Dilma disse ainda que as acusações são “levianas e não têm sustentação jurídica”, e levantou a hipótese de que as quebras do sigilo tenham ocorrido por gente do próprio PSDB, numa disputa interna pela indicação para disputar a Presidência.

A única certeza que fica nessa história é que, com toda a certeza, um deles está mentindo. E que, na hora de votar – apesar de todos aqueles sorrisos, de todas aquelas musiquinhas bonitinhas do horário eleitoral, de todas aquelas promessas por uma educação melhor para as criancinhas brasileiras – você pode estar ajudando a eleger alguém que, para ser presidente, não dá a mínima para a verdade, e quer que se dane o que acha ou o que não acha o restante da população.

Nada de muito novo, aliás. Acho que todos nós já estamos até bastante acostumados com essa história, e não ia ser dessa vez que tudo ia ser muito diferente.Talvez seja por causa dessas coisas que o voto ainda seja obrigatório no Brasil. Se não o fosse, nosso Presidente, provavelmente, seria eleito por não mais que meia dúzia de gatos pingados.

Provavelmente, seus próximos ministros e secretários.

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