Ninguém quer comprar o meu voto aí, não?

Eu não sei se é só comigo, mas nunca me acontece nada dessas coisas que, parece, acontece ou já aconteceu com quase todo mundo. Eu fico ouvindo falar de todo esse negócio de falta de segurança na internet. Que os caras vivem entrando em nosso site, mudando tudo lá, roubando a nossa senha, deletando nossa lista de contatos e tudo o mais. Ou então que, se a gente comprar alguma coisa pela internet, corre o sério risco de ter o cartão clonado, de ficar sem a mercadoria ou coisa que o valha. Pois nada disso aconteceu comigo. Nunca. E olha que eu fui um dos primeiros caras a ter internet aqui em Votuporanga, e também nunca fui muito fanático por esses antivírus, firewalls e outros negócios com nomes ainda mais cabulosos. Tudo bem. Provavelmente eu também não seja tão importante assim, a ponto de me tornar alvo de hackers, crakers e que tais, que devem ter coisa mais interessante para fazer do que ficar fuçando na vida de um escritorzinho do interior. Mas nem dessas coisas mais comuns me acontecem.

Por exemplo. Nunca tentaram me subornar. E esse negócio de suborno, pelo que a gente pode ver nos noticiários dos jornais e das TVs, é coisa bastante comum, que acontece a toda hora, em todo lugar. Quando eu era mais jovem, sempre ficava imaginando que, um dia, ia tocar a campainha de casa e, ao atender, eu ia dar de cara com um sujeito sombrio, de óculos escuros. Terno e sapatos pretos. E uma maletinha zero-zero-sete. Ele olharia para mim e perguntaria, olhando para os lados.

– Senhor Artur de Carvalho, eu suponho. Nós podemos conversar em particular?

Só que ele nunca apareceu. Nem ele, nem ninguém me oferecendo algum dinheiro ou vantagem em troca de sabe-se lá o quê. Mas o que mais me deixa encafifado mesmo é que, por mais incrível que possa parecer, político algum jamais tentou comprar meu voto. Dá para acreditar? Aquelas histórias de dar um sapato agora e o par dele só depois de eleito, eu só conheço mesmo de ouvir falar. Não sei se eu tenho cara de honesto, de comunista, de jornalista da oposição, ou o que é, mas nunca me aconteceu nem de um vereadorzinho oferecer uma dentadura. Nem um lanchinho no dia da eleição, um pãozinho com mortadela, uma tubaína. Nada. Não sei o que foi que eu fiz na vida para que isso acontecesse mas, às vezes, eu fico me sentindo um excluído. Uma espécie de pária eleitoral.

É como se eu não fizesse parte do processo político, entende?

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