Archive for agosto \26\UTC 2010

Ovo faz bem ou faz mal?
26/08/2010

Não sei o que é. Deve ser a idade. Mas é simplesmente inacreditável como algumas pessoas ainda teimam em ter ideais políticos, e fazem campanhas apaixonadas por uns ou outros candidatos. Porque, eu vou falar uma coisa para vocês. Com o volume de informações que a gente recebe hoje em dia, não dá para entender como alguém consegue ter certeza de alguma coisa. E, para não ficar só na política, um exemplo bom é o ovo.

O ovo já foi o grande vilão da saúde. Não faz muito tempo, lá pelos anos 90, o ovo era considerado um dos maiores causadores de doenças cardíacas. Os cientistas diziam que dar ovos para as crianças era quase um crime, pois estaríamos condenando-as a terem hipertensão para o resto de suas vidas. Pois não se passaram 20 anos para os médicos começarem a perceber que nada disso era verdade.

Numa das pesquisas mais recentes, realizada pela Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, os cientistas demonstraram não haver relação alguma entre o consumo regular de ovos e o aumento da incidência de doenças cardiovasculares, como infarto e derrame. Não houve diferença entre aqueles que comiam um ovo ou mais por dia em comparação com quem não comia nenhum. E mais. Uma outra pesquisa americana, realizada no ano passado, concluiu que comer ovos mexidos no café da manhã é uma maneira eficiente de… emagrecer!

É, isso mesmo. Comer ovos emagrece.  O médico Nikhil Durandhar, da Universidade Estadual da Louisiana, comparou dois grupos de mulheres em dieta para emagrecer. Um dos grupos comeu dois ovos mexidos no desjejum. O outro, alimentos à base de carboidratos, como pães, torradas e bolos. E, ao final de dois meses, aquelas mulheres que optaram pelos ovos emagreceram 65% mais do que as outras.

E é a mesma coisa na política. Não faz nem 15 anos, todo mundo tinha medo do PT. O que mais se ouvia era que eles não iam pagar a dívida externa, iam implantar o socialismo e fazer a economia brasileira afundar. E, hoje, segundo o “Datafolha”, o Lula atingiu quase 80% de popularidade, um recorde histórico, e a Dilma está prestes a ganhar a eleição já no primeiro turno. Quer dizer. Quem era o diabo ontem, virou o santo de hoje. E vice-versa.

Tudo bem. Todo mundo tem direito a mudar de opinião. Mas eu, por via das dúvidas, não como mais ovos nem a pau. Vai que esses cientistas mudam de idéia novamente, né?

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És pó, e ao pó tornarás
24/08/2010

– Eu nunca ia imaginar que aquela história era mesmo verdade.

– Que história?

– Aquela história, de que a gente veio do pó, e pro pó vai voltar.

– Pó? Você anda mexendo com drogas de novo?

– Que drogas nada, sô. É ensinamento bíblico. Está lá, no Genesis, capítulo 3, versículo 19: “és pó, e ao pó tornarás”.

– Capítulo? Versículo? E desde quando você deu para estudar a Bíblia?

– Desde quando começou essa poeirada toda. Você não tem percebido?

– É, o tempo anda meio esquisito mesmo…

– Esquisito? Esquisito estava é no mês passado. Agora, eu tô achando que é o Apocalipse!

VOCÊS DOIS AÍ, VAMOS PARAR COM ESSA CONVERSA FIADA QUE AS CRIANÇAS ESTÃO FICANDO ASSUSTADAS!

– Sei que minha casa amanhece todo dia com dois dedos de poeira…

– Isso não é nada, é só o tempo seco, que não deixa a poeira assentar.

– E aquelas cinzas esquisitas, pretas? Outro dia desses, parecia que estava nevando lá em casa. Só que, em vez de neve, eram aquelas cinzas. Parecia um filme de terror, desses pós-guerra-nuclear.

PÔ, GENTE, OLHA AÍ A CARA DE CHORO DO THIAGUINHO…

– Aquilo é só queimada de cana, gente. Não tem nada a ver com guerra nuclear.

– Pode até ser. Mas a questão não é essa. A questão é que a Bíblia estava certa no lance do pó.

– Pára com isso, rapaz. Já, já cai uma chuvinha, e esse negócio todo passa.

– Pois eu estou achando que agora é diferente.

– Diferente como?

– Sinceramente? Pois eu acho que está chegando o Dia do Juízo Final.

– Larga de falar besteira, rapaz, que vai deixar as mulheres bravas com a gente…

– E isso sem contar os choques! Está todo mundo sendo eletrocutado!

– Choques? Do que é que você tá falando agora?

– É, choques, você não tem visto um monte de gente tomando choque assim, do nada? Um cara encosta no outro e ZAZ leva um choque. Você vai atender o telefone e ZAZ leva um choque.

FALEM BAIXO VOCÊS DOIS, O THIAGUINHO JÁ COMEÇOU A CHORAR!

– Esses choques, isso chama “energia estática”.

– Energia estática?

– É, energia estática.

– Não sei não. Para mim, isso ainda tem a ver com a Bíblia.

– Quer dizer então que o mundo vai acabar em energia estática?

– E eu sei lá como é que o mundo vai acabar!

O MUNDO NÃO VAI ACABAR NÃO, THIAGUINHO, É SÓ SEU TIO QUE JÁ TÁ MEIO GROGUE, TÁ? ELE É BOBO…

Pior do que tá não fica
22/08/2010

Não sei o que é que esse pessoal reclama tanto do “baixo nível” dos candidatos a deputado, a senador, a governador, ou até mesmo do nível dos candidatos à presidência da república para essas próximas eleições. Eu acho até que temos muita sorte de ter esses candidatos que estão aí.

Só para você ver uma coisa, uma vez, há um bocado de anos, quando fui votar para governador, eu tive que escolher entre o Paulo Maluf e o Orestes Quércia, veja você. E, muito pior que isso. Eu confesso que escolhi mesmo um deles, embora me resguarde o direito de manter esse nome em sigilo. Sabe como é, no ímpeto da juventude, eu realmente achava que o meu voto valia alguma coisa e que seria um crime votar em branco ou nulo depois de tantos anos de luta contra a ditadura e pelas eleições diretas. Então, acabei votando em um deles, decisão da qual me arrependo amargamente até hoje, e que se transformou numa nódoa sombria do meu passado como eleitor.

Mas, em todo o caso, em 2010, pelo menos para esses cargos maiores, você há de convir que nós já melhoramos bastante o nível. Nós temos aí a Dilma, a Marina, o Serra, e até mesmo o Plínio de Arruda Sampaio, todos eles razoavelmente capazes, envolvidos em causas sociais e, que eu saiba, até que bastante íntegros para um político.

Tudo bem. Para os cargos menores, nós ainda temos aí o Tiririca, o Maguila, o Ronaldo Esper, a Mulher Pera, o Vampeta, e mais um monte de caras desse “naipe” como candidatos. Mas também, o que é que você queria? Você não vive na Holanda, meu chapa. Nem na Inglaterra. Muito menos na Suiça. Você vive no Brasil. E, no Brasil, tá assim de maguilas, vampetas e tiriricas pra tudo que é canto que se olhe. Eu mesmo conheço uns dez. Então, não é de se espantar que, numa democracia representativa como a que vivemos, tenhamos também gente desse tipo disputando as eleições. Afinal, pelo menos na teoria, depois de eleitos eles estarão lá em seu gabinetes representando o povo. E o povo brasileiro é isso aí mesmo ué, fazer o quê?

Se você não gosta, tente se mudar para os Estados Unidos. Ou então sai procurando os papéis daquele bisavô que veio da Itália, fugido da guerra. Quem sabe você ainda não consiga uma cidadania européia para os seus netos, hem?

“Toy Story 3”, ou Como os Anos Passam…
19/08/2010

Na última quarta-feira, fui assistir “Toy Story 3” com minha filha e meu neto. Minha mulher não podia ir, meu genro também não, fomos só nós três mesmo. Apesar disso, foi uma noite deliciosa.

Bem, como todo cinéfilo que se preze, compramos pipoca, coca-cola, balas e tudo o que tínhamos direito para assistir à sequência de uns dos meus desenhos prediletos. E, quando entramos na sala de exibição, uma primeira e ótima surpresa. Para quem não sabe, o Cine Votuporanga está todo reformado, com poltronas novas – cheirosas e macias – e muito mais espaço para esticar as pernas (o que, na minha idade, chega a ser quase essencial). As poltronas têm até daqueles porta-refrigerantes, sabe? Ter um cinema assim em Votuporanga é um luxo que poucas cidades do interior ainda têm, talvez por não contarem com uma figuraça como o Claudinho, que leva nosso cinema nas costas há muitos anos.

Mas vamos ao que interessa. O Cine Votuporanga, assim como a tanta gente, me traz um monte de recordações. Entre elas, uma das mais marcantes é a de que foi aqui mesmo que, em 1995, minha filha e eu assistimos ao primeiro “Toy Story”, uma revolução para o cinema de sua época, considerado como o primeiro filme totalmente animado por computador. Mas, muito mais do que esse aspecto técnico, o roteiro também era muito bom. Tratava-se da história de uma criança, vista pelo olhar de seus brinquedos favoritos: um cowboy, um astronauta, um dinossauro e um Sr. Cabeça de Batata.

Minha filha, na época, tinha dez anos, a mesma idade do “Andy”, o garoto do filme, e eu não podia deixar de comparar os dois e suas relações com esse mundo mágico e sem regras das brincadeiras da infância. E agora, quinze anos depois, novamente com minha filha – só que dessa vez acompanhado também pelo filho dela – assisti os mesmos personagens às voltas com um “Andy” já adulto, indo para faculdade, e que não sabe o que fazer com seus brinquedos antigos. Não vou contar aqui, é claro, o fim do filme, nem o destino dos “brinquedos-personagens”, mas posso adiantar que suas aventuras acabam envolvendo uma criança de mais ou menos três anos, a idade exata do meu neto hoje.

Sei que meus diversos recomeços, as reformas que ainda preciso fazer, as despedidas e os reencontros de minha vida, estava tudo lá, na tela e nas poltronas em minha volta, no “escurinho do cinema”. Ao final do filme, minha filha, rindo, disse que não tinha gostado tanto desse “Toy Story” porque quase tinha chorado.

Já, eu, disse que adorei. Só que pelo mesmo motivo.

Ninguém quer comprar o meu voto aí, não?
17/08/2010

Eu não sei se é só comigo, mas nunca me acontece nada dessas coisas que, parece, acontece ou já aconteceu com quase todo mundo. Eu fico ouvindo falar de todo esse negócio de falta de segurança na internet. Que os caras vivem entrando em nosso site, mudando tudo lá, roubando a nossa senha, deletando nossa lista de contatos e tudo o mais. Ou então que, se a gente comprar alguma coisa pela internet, corre o sério risco de ter o cartão clonado, de ficar sem a mercadoria ou coisa que o valha. Pois nada disso aconteceu comigo. Nunca. E olha que eu fui um dos primeiros caras a ter internet aqui em Votuporanga, e também nunca fui muito fanático por esses antivírus, firewalls e outros negócios com nomes ainda mais cabulosos. Tudo bem. Provavelmente eu também não seja tão importante assim, a ponto de me tornar alvo de hackers, crakers e que tais, que devem ter coisa mais interessante para fazer do que ficar fuçando na vida de um escritorzinho do interior. Mas nem dessas coisas mais comuns me acontecem.

Por exemplo. Nunca tentaram me subornar. E esse negócio de suborno, pelo que a gente pode ver nos noticiários dos jornais e das TVs, é coisa bastante comum, que acontece a toda hora, em todo lugar. Quando eu era mais jovem, sempre ficava imaginando que, um dia, ia tocar a campainha de casa e, ao atender, eu ia dar de cara com um sujeito sombrio, de óculos escuros. Terno e sapatos pretos. E uma maletinha zero-zero-sete. Ele olharia para mim e perguntaria, olhando para os lados.

– Senhor Artur de Carvalho, eu suponho. Nós podemos conversar em particular?

Só que ele nunca apareceu. Nem ele, nem ninguém me oferecendo algum dinheiro ou vantagem em troca de sabe-se lá o quê. Mas o que mais me deixa encafifado mesmo é que, por mais incrível que possa parecer, político algum jamais tentou comprar meu voto. Dá para acreditar? Aquelas histórias de dar um sapato agora e o par dele só depois de eleito, eu só conheço mesmo de ouvir falar. Não sei se eu tenho cara de honesto, de comunista, de jornalista da oposição, ou o que é, mas nunca me aconteceu nem de um vereadorzinho oferecer uma dentadura. Nem um lanchinho no dia da eleição, um pãozinho com mortadela, uma tubaína. Nada. Não sei o que foi que eu fiz na vida para que isso acontecesse mas, às vezes, eu fico me sentindo um excluído. Uma espécie de pária eleitoral.

É como se eu não fizesse parte do processo político, entende?

Quem não sabe votar é você!
15/08/2010

Tem uma coisa que me deixa irritado. Aliás, tem um monte de coisa que me deixa irritado, mas se eu fosse ficar aqui falando, hoje, de todas elas, além de não caber nesse espaço, eu ainda ia ficar sem assunto para as outras crônicas que eu vou ter de escrever durante a semana.

Bem, mas a tal coisa que me deixa irritado e sobre a qual eu vou falar hoje é quando falam que “o brasileiro não sabe votar”. Apesar de, no começo, todo mundo ter ficado puto da vida com o Pelé por ele ter falado uma bobagem dessas (é, foi o Pelé quem disse isso pela primeira vez), hoje, ninguém mais discute a tal frase, e “o brasileiro não saber votar” tornou-se uma verdade absoluta para todo mundo, incluindo aí a imprensa e até mesmo os brasileiros, que se renderam ao incontestável resultado das últimas eleições, que teimam em eleger um bando de sujeitinhos corruptos e gananciosos para cargos que exigem exatamente o oposto disso.

O problema da tal frase é que ela culpa a população por uma coisa que ela não fez. Veja bem. Se um candidato chega para você e fala que, quando for eleito, vai roubar o que puder dos cofres públicos, que vai aceitar propinas para aprovar projetos, que vai dar emprego só para seus parentes, você vota nele? É claro que não vota. Nem você nem brasileiro nenhum.

Mas se o cara chega para você e diz que vai investir na educação construindo novas escolas e aumentado o salários dos professores, que vai melhorar a merenda escolar, que vai asfaltar todas as estradas do país e que vai lutar com todas as suas forças contra a corrupção e a roubalheira na política, você vota nele? Vota, oras, e com toda a razão, porque o que ele está oferecendo é exatamente o que você quer para o seu país.

Agora, é culpa sua se, depois de eleito, o candidato em quem você votou não faz nada do que prometeu? É culpa sua se ele não investiu um centavo na educação, nem asfaltou nada, e acabou flagrado com um monte de dinheiro escondido na cueca? Pois não é culpa sua, nem de brasileiro nenhum. Você simplesmente acreditou que um candidato às eleições no Brasil não podia mentir tanto assim, sem correr o risco de sofrer alguma punição.

Então, podem até dizer que nós, brasileiros, somos bastante ingênuos por acreditar nesse sistema eleitoral esquisito. Mas dizer que não sabemos votar, aí também já é demais.

Querido, vamos levar as crianças hoje à noite para ver uns animais sendo torturados?
12/08/2010

Uma vez, ainda na escola, na aula de Biologia, eu precisei abrir um sapo ao meio. Para conhecer a anatomia dele, e tudo o mais. Imagino que um monte de gente passou por isso. Inclusive, por aquele lance de colocar o coração do sapo dentro de uma salmoura, e ficar observando como ele continuava batendo, mesmo fora do corpo do bicho.

Pois eu vou te falar uma coisa. Essa é uma das minhas maiores assombrações do passado. Quantas vezes eu já não sonhei, e sonho até hoje, com aquele sapo ali, em cima da mesa, aberto como um frango de quermesse esperando ser recheado de farofa. E aquele coração mergulhado num vidro transparente, bombeando restinhos de sangue e formando pequenos redemoinhos cor-de-rosa na água? Isso é um pesadelo, gente. Ainda mais se a gente pensar que obrigam crianças a fazerem isso.

Para quem não se lembra, uma das cenas mais engraçadas e – porque não? – edificantes do filme “ET”, do Spielberg, é aquela em que o garoto Elliott, que tem umas ligações paranormais com o pequeno extraterrestre, acaba ficando meio grogue e resolve libertar todos os sapos dos colegas numa dessas aulas de anatomia. Mesmo com o professor dizendo que os sapos “não iam sentir dor”, o garoto convence a classe toda a tirar os sapos das suas jarras e soltá-los no jardim e, como um verdadeiro herói, ainda ganha de recompensa um beijo da garota mais bonita da classe.

Talvez seja por isso que eu odeie rodeios, e tudo o que envolva a tortura aos animais. Porque, quando tive oportunidade, não fiz nada pelos pobres coitados. Mas vamos deixar bem claro uma coisa. Eu não tenho nada contra uma boa picanha mal passada, ou de um torresminho de porco com limão. Trata-se, aí, da luta pela sobrevivência. Ninguém, afinal, pode culpar um leão por comer uma zebra. Ou um jacaré de devorar uma capivara. Mas, que eu saiba, um leão não monta numa zebra e aperta uma corda em torno do saco dela até ela começar a pular feito uma maluca. Nem um jacaré fica chacoalhando um pano vermelho na frente da capivara, enquanto enfia espadas fininhas até ela morrer. Isso, quem faz, é o homem. E, às vezes, nem comemos o bicho. Só torturamos mesmo. Por diversão.

Mas podem guardar aí, na cabeça de vocês. Um dia, eu ainda entro numa dessas Exposições e, tal e qual o Elliott do “ET”, vou libertar todos os animais que encontrar pela frente. Tudo bem, muito provavelmente não vai adiantar nada, e os bois e os cavalos que eu soltei acabem sendo recapturados antes mesmo de eu ser detido pela polícia.

Mas, quem sabe, ainda dê tempo de eu ganhar um beijo da moça mais bonita da classe, hem?

Internet de bêbado não tem dono
10/08/2010

– Que musiquinha é essa que tá tocando?

– É o meu celular.

– Isso eu sei, eu queria saber de quem é essa música?

– Como assim, de quem é essa música? Eu já falei, é do meu celular.

– É, mas se o seu celular toca uma música, ela é de alguém. E de quem é essa música?

– É minha, ué. Se ela está no MEU celular, dããã…

– Eu estou perguntando quem é que FEZ a música!

– Quem fez?

– É, quem fez! O que é que eu estou falando que é tão estranho assim? Se existe uma música, é porque deve ter alguém que fez a música, um artista, sei lá.

– É verdade… Taí uma coisa que eu nunca tinha pensado antes…

– Você nunca tinha pensado em quê?

– Que tinha alguém que fizesse as músicas.

– Mas… mas… você achava que as músicas vinham de onde?

– Da internet, oras. Como todas as outras.

– Mas as músicas sempre são de alguém!

– Nem vem com essa… Essa música aí do meu celular, pelo menos, eu tenho certeza que não é de ninguém porque fui eu mesmo que peguei na internet. Então é muito minha!

– Mas você acha que a música foi parar na internet como?

– Como? Oras, sei lá, na internet tem tanta coisa, se não tivesse, não era internet.

– Pois saiba que a música tem dono, sim senhor. E se ela está lá internet, foi porque alguém fez a música e colocou ela lá.

– Se você for pensar assim, vai acabar dizendo que tudo que está escrito lá na internet, também foi alguém que fez.

– Pois foi, é claro. Como é que você acha que as coisas aparecem escritas na internet? Por mágica? Sempre tem um escritor que escreve os textos, um jornalista, um professor…

– Até nos blogs?

– Até nos blogs.

– Mas e… mas e… e os vídeos?

– Alguém fez.

– E as ilustrações? As fotos?

– Também.

– Puxa vida, hem? Tanta gente fazendo coisas por aí, e a gente aqui, sem fazer nada.

– É verdade. Vamos fazer alguma coisa?

– Que tal mais uma partidinha de “Guitar Hero”?

– Tudo bem, eu começo.

DOING DOING ZIP ZIP DOING ZIP ZIP

– Sabe, eu estava aqui, pensando…

– Pensando o quê?

– Se tudo o que tem na internet foi alguém que fez, as músicas, os escritos, as fotos, os desenhos, bem, eu estava aqui, imaginando…

– Imaginando o quê?

– E os vídeo games, também foi alguém que fez?

– Os games? É claro que não, rapaz! Só me faltava essa agora…

– Ah, bom… Porque aí já era demais, né?

DOING DOING ZIP ZIP DOING ZIP ZIP

Quem assistiu ao debate põe o dedo aqui!
10/08/2010

A coisa mais interessante que aconteceu nesse debate de quinta-feira passada, na TV Bandeirantes, entre os presidenciáveis, não aconteceu propriamente durante o debate. O mais interessante do debate foi que ninguém assistiu. É, isso mesmo. O tal do debate que, segundo a imprensa, poderia modificar os resultados das próximas eleições e, assim, a história do Brasil nos próximos oito anos, foi acompanhado quase que somente entre eles lá, os políticos, enquanto a população, que é a quem deveria mesmo interessar o tal do “futuro do Brasil nos próximos oito anos”, estava é assistindo futebol na outra emissora.

E é verdade mesmo. Eu, pelo menos, andei perguntando por aí, e não encontrei um que tenha assistido o tal do debate. Nem unzinho. Tudo bem, minha “pesquisa” não teve nada de oficial, e nem tem valor estatístico algum. Mas, mesmo as pesquisas mais sérias, apontam que a Band amargou 3 pontos na audiência – resultado muito inferior ao que costuma apresentar às quintas-feiras, com o programa “Polícia 24 horas”, que geralmente dá pelo menos 7 pontos. Já, o jogo pela Globo, marcou 10 vezes mais, ou seja, 30 pontos.

Então, eu fico pensando. Eu acho que nós, a sociedade moderna, demos muito poder para esses politicozinhos de meia pataca, e eles estão se achando muito mais importantes do que realmente são. Eles andam todos ali, engomadinhos, metidos em seus ternos italianos, olhando para a gente aqui embaixo como se fossem todos doutorados em Harvard, sendo que a maioria deles não consegue nem redigir seus próprios discursos e precisam de assessores até para ir ao banheiro. Aliás, essa é outra coisa que me irrita. Do jeito que eles falam, parece que eles fazem tudo sozinhos e que, sem eles, o mundo não teria hospitais, nem escolas, nem asfalto nem nada dessas coisas.

Eles falam “eu fiz 1200 escolas”, “eu fiz 400 hospitais”, “eu fiz quinhentas casas”. Agora, alguém aí já viu algum político fazendo mesmo alguma coisa além de discurso e viagem? O que eles fazem é pegar o NOSSO dinheiro, contratam um arquiteto, contratam um monte de pedreiros para construir um prédio, contratam mais um tanto de médicos ou professores para trabalharem no prédio, tudo pago, volto a lembrar, com o NOSSO dinheiro, e depois saem por aí, falando que foram ELES  que fizeram.

Pois fizeram patavina nenhuma. Quem fez foi a gente mesmo, oras, que deixa, todo mês, mais da metade dos nossos salários nas mãos de uns sujeitinhos que não conseguem dar nem 3 pontos no Ibobe, coisa que até o Chaves, o Quico e a Dona Florinda conseguem faz mais de 30 anos.

Batman versus Ben 10 – A Batalha Final
05/08/2010

Meu neto, agora, está na fase do Batman. É, veja só se tem cabimento uma coisa dessas. O tampinha não tem nem três anos, e já teve várias fases. Primeiro, ele teve a fase da bola. Ele jogava bola o dia inteiro. Às vezes, não era nem sete da manhã e ele entrava correndo no meu quarto com uma bola debaixo do braço, gritando:

– Acorda, vô, vamo jogá bola antes de ir trabalhá!

Eu levantava, fazer o quê? E ia lá fora, no quintal, fazer meu exercício matinal, coisa que eu não fazia nem quando era jovem. Mas, graças a deus, a fase da bola não durou muito. Até mesmo porque, se durasse, provavelmente eu já estaria internado, me recuperando de uma operação de ponte de safena.

A fase seguinte à da bola foi a do Pingu. O Pingu, para quem não sabe, é um desenho animado que passa na TV Cultura no qual um pinguinzinho (o tal do Pingu) vai descobrindo como é crescer em família, ter novos amigos e tudo o mais. É um desenho até que bastante educativo, e eu estava mais do que satisfeito com essa nova fase do meu neto.

Estava tão satisfeito que até arrumei uns episódios para ele na internet. E o problema foi justamente esse. Enquanto ele assistia na TV Cultura, tudo bem, o Pingu acabava e a gente tinha a televisão para a gente novamente. Mas, com os episódios gravados num DVD, ele queria assistir Pingu a toda hora, inclusive (e especialmente) na hora que ia passar aquele filme que eu estava esperando a semana inteira. Mas tudo bem. O que é que a gente não faz pelo neto, né?

E foi aí que ele descobriu o Ben 10. O Ben 10 também é um desenho animado mas, ao contrário do Pingu, é um desenho cheio de monstros, raios cósmicos e muita pancadaria. Não sei bem o que é que ele viu naquele desenho, mas agora ele queria tudo do Ben 10. O bonequinho do Ben 10. O carrinho do Ben 10. O tênis do Ben 10. Tem até um relógio do Ben 10, que solta uns disquinhos destruidores de alienígenas, com os quais, geralmente, eu sou recebido em casa, quando chego do emprego.

Mas agora tudo mudou. Meu neto, para meu orgulho, passou para a fase do Batman. E do Batman eu entendo. Eu tenho, por exemplo, uma enorme coleção de histórias em quadrinhos do Batman. Tenho, em DVD, os seis longas-metragens do Batman, além daquela série que passou na TV nos anos 70.

Mas é claro que essa convergência de gostos também trouxe uns inconvenientes. Outro dia desses, eu peguei o pilantrinha brincando com a MINHA réplica do Batmóvel, que eu comprei há muitos anos, numa feira de Histórias em Quadrinhos, em São Paulo. Uma verdadeira relíquia. Olhei em volta. A mãe dele tinha saído. A avó estava na cozinha.

– Dá o carrinho pro vovô, dá.

– Buuuááááááááá!

– Sshhhhh… Olha aqui o que o vovô achou, ó, o reloginho do Ben 10, hã, que tal?