Vou gastar um pouco ali e já volto

Na boa. Quem sou eu para ser contra o progresso das pessoas. Ou para falar alguma coisa da liberdade que cada um tem de fazer o que bem entender com o dinheiro que ganha. Mas é engraçado perceber que tudo o que a gente ouvia o pessoal da classe média/baixa falar dos ricaços, não passava mesmo era da mais pura inveja.

Quantas vezes eu não ouvi, num balcão de bar, um pobre coitado reclamando da gastança que seus patrões faziam. Que o patrão tinha a coragem de gastar o que ele ganhava por mês numa televisão, vê se tem cabimento? E a mulher do patrão então, que não sai do cabeleireiro? A mulher deve deixar lá por mês o que eu ganho em um ano! Esses caras que têm dinheiro não estão nem aí para o sofrimento de gente como eu, que tenho ali, de batalhar o pão nosso de cada dia com o suor do rosto! Se eu tivesse um pouco de dinheiro, o senhor sabe o que eu fazia?

– Não. Eu não sei o que você faria.

Pois eu ia dividir, isso é que eu ia fazer. Di-vi-dir. Será que esses ricaços não percebem que tem gente passando fome? É, passando fome sim senhor. O senhor, que parece ser um homem instruído, deve saber disso até mais do que eu. Tem gente por aí, vivendo debaixo da ponte, sem nem ter o que comer. E esses ricaços fazem alguma coisa? Pois não fazem nada! É que o tanto que eu ganho mal dá pra família, mas se eu ganhasse o a grana que esses caras ganham, eu falo uma coisa para o senhor. Eu dividia. Di-vi-dia!

Bem, não vamos dizer que as coisas melhoraram MUITO de lá para cá, mas com certeza melhoraram um pouco, especialmente para as classes c e d. Tanto melhoraram que, segundo o jornal “Folha de S.Paulo”, “empresas dos setores automobilístico, imobiliário, de cosméticos e de bebidas já investem para elevar o padrão de seus produtos populares para atender de forma diferenciada os consumidores emergentes do país” que agora querem “ter acesso a produtos a que antes não tinham”.

Entre esses produtos, o jornal cita as mesmas TVs 42 polegadas (que custam, diga-se de passagem, bem mais que um salário mínimo), tênis “de marca”, bolsas Louis Vuitton, unhas de porcelana que custam até R$ 400, e produtos para “mega-hair” de até R$ 1.000.

Quer dizer, quando o “povão” ganha algum a mais, acaba fazendo as mesmas bobagens que a tal da “elite”. Só que a prestações.

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Uma resposta

  1. Um pouquinho preconceituosa a crônica mas vindo de você eu perdoo…

    🙂

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