Do polvo, pelo polvo, para o polvo

Não. O assunto do momento não é a Espanha ter sido a campeã da Copa. O fato do resultado da final estar na manchete de todos os jornais, sites e TV’s do planeta era mais ou menos esperado, mas toda imprensa fez só o seu trabalho de praxe, quase como uma obrigação.

E dessa vez também não tivemos aí, um jogador que tenha despontado como o melhor da Copa, sobre o qual todos os holofotes se voltaram assim que terminou o campeonato. Teve aí, é claro, o jogador da Espanha que marcou o gol da final, como é mesmo o nome dele? Iniesta? Tudo bem, o cara teve o seu momento de glória e tudo o mais, mas só os espanhóis mesmo para se lembrarem dele daqui a, digamos, duas semanas.

Quer dizer, foi uma Copa sem estrelas, sem muita emoção, e da qual, muito provavelmente, só lembraremos por causa de um… animal! E, apesar de a Copa ter sido realizada na África, um lugar cujos animais são até motivo de turismo e desenhos animados da Disney, o animal a que me refiro, e do qual estão falando mais do que da própria seleção Campeã Mundial de Futebol, não é nenhum leão. Muito menos um elefante ou um rinoceronte. Não é sequer um hipopótamo ou uma zebra.

O grande personagem da Copa do Mundo da África foi, vejam vocês, um polvo.

Ok, ok, ele não é um polvo comum, desses que se encontra em qualquer “paella” por aí. Ele é um polvo vidente alemão, que simplesmente acertou todos os resultados dos jogos realizados pela Alemanha e, de quebra, ainda previu o resultado da final entre a Espanha e a Holanda.

Não deixa de ser engraçado. Apesar dos milhões gastos em estádios, em hotéis e nas pomposas cerimônias de abertura e encerramento. Apesar da presença da princesa da Holanda, do príncipe da Espanha, do príncipe de Mônaco e de astros do quilate de um Plácido Domingo ou de um Mick Jagger. E apesar de tantas estrelas do futebol, cujos salários anuais chegam perto do PIB de muitos países africanos, o pessoal só está falando mesmo de um molusco cheio de tentáculos e ventosas, que vive confinado num aquário de restaurante.

O Kaká, o Messi, o Cristiano Ronaldo e o Samuel Eto’o devem estar fulos da vida. Quem poderia imaginar? Um polvo fazendo mais sucesso que eles. E o Maradona então, hem? Já imaginou ele ali, em meio às lágrimas, se lamentando num dolorido suspiro:

– Por un polvo no! Por un polvo no!

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