Na hora do Vamuvê

Falem o que quiser. Mas, apesar da gente ter perdido as duas últimas Copas ainda nas quartas de final, na de 2006 eu fiquei com uma certa vergonha. E, dessa vez, não.

Na Copa do Mundo de 2006, não sei se vocês lembram, nós tínhamos, simplesmente, os melhores jogadores de futebol do planeta surgidos nos últimos dez ou vinte anos jogando por nossa seleção. Nós tínhamos o Lúcio, o Cafu, o Ronaldão, o Ronaldinho, o Adriano, o Roberto Carlos, o Kaká, todos eles titulares, no auge de suas carreiras e em plena forma física, com vários deles disputando entre si o título de melhor jogador do ano. Apesar disso, na hora do vamuvê, parecia que eles estavam desfilando, e não jogando uma droga de partida de futebol na qual, queiram ou não queiram, o que vale mesmo é marcar mais gols do que o adversário em noventa minutos de jogo. Eu me lembro que, por exemplo, nos últimos minutos do último jogo de 2006 – depois da França fazer um gol no Brasil enquanto o Roberto Carlos (“o melhor lateral esquerdo que o mundo já viu”) amarrava, tranquilamente, suas chuteiras – os jogadores brasileiros ficavam passando a bola um para o outro no meio de campo, e ninguém se arriscava a dar um chute de fora da área, com medo de errar. Parecia (veja bem, eu disse PARECIA) que ninguém estava nem aí para a coisa. Ninguém ficava nervoso, ninguém xingava, ninguém nada. Eles nem pareciam gente. Eu já vi partidas de futebol jogadas naqueles videogames nas quais os jogadores pareciam ficar mais nervosos do que aquele pessoal estava.

Nessa, de 2010, pelo menos eu via que tinha GENTE ali. Nos últimos minutos, depois de já estar perdendo, o Dunga dava murros no banco. O Júlio Cesar arriscava uns chutõespara a frente. O Lúcio pegava a bola e saía correndo que nem um touro bravo. O Felipe Melo dava pontapés nos holandeses. Enfim, os caras começaram a se desesperar e a perder as estribeiras, igualzinho o que qualquer um de nós faria se estivesse ali, jogando.

Não vou falar para vocês que eu fiquei feliz com a derrota. Eu não fiquei. Até mesmo porque a gente vai perder uns feriados que já estavam aí, dados como favas contadas. Mas, pelo menos, dessa vez eu não fiquei com vergonha. Assim como a Argentina, a Itália, a França, a Inglaterra, nós só perdemos uma partida de futebol.

Agora, vamos todos cuidar de nossas vidas, que é o que devíamos estar fazendo esse tempo todo.

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