Uma sonequinha em plena tarde de terça-feira

Para você ver só uma coisa, quando deu uns quarenta minutos do primeiro tempo, a minha mulher dormiu. É, dormiu. Dormiu de roncar. E não adiantou show de intervalo nenhum, nem o primeiro gol do Brasil. Ela nem se mexeu. Só no segundo gol que ela deu uma viradinha no sofá, abriu os olhos apenas um pouco mais do que aqueles coreanos (coreanos, gente, coreanos…), e perguntou quanto é que tava o jogo. Mas eu desconfio que ela nem ouviu minha resposta e caiu no sono outra vez.

É nessas horas que eu detesto ser jornalista. Eu não posso fazer de conta que não aconteceu nada, porque aconteceu. O Brasil inteiro largou suas atividades rotineiras e foi para a casa assistir televisão, sob o olhar beneplácito e até incentivador da maioria dos patrões. Só que, ao mesmo tempo, não dá para comentar um jogo de futebol em que a maioria dos torcedores teve vontade de aproveitar essa folguinha inesperada para colocar o sono em dia.

Aliás, é impressão minha ou o intervalo do jogo do Brasil foi o único momento desde que começou a Copa que os sul-africanos pararam de tocar aquelas vuvuzelas? É, porque, já no finzinho do primeiro tempo, parece que eu parei de ouvir aquele som infernal de enxame de marimbondo, e o silêncio continuou até começar o segundo tempo. Será que até os nossos anfitriões acabaram aproveitando para tirar uma pestana?

Mas, tudo bem. Também não vamos falar que tudo foi assim, de uma monotonia só. Durante o jogo, houve diversos tipos de monotonias. Teve aquela, mais sentida no primeiro tempo, quando meus olhos começaram a pesar. Teve também aquela monotonia do Galvão Bueno, tentando levantar o astral dos consumidores da Globo, dizendo que no segundo tempo ia melhorar. E teve até uma monotonia que eu nunca havia sentido antes. A monotonia de ver dois gols do Brasil sem levantar a bunda do sofá.

Imagino que tenha gente por aí que vá discordar de tudo o que eu disse. Que foi um jogo emocionante. Que, no finalzinho, ficaram rangendo os dentes com medo da Coréia (a Coréia, gente, a Coréia…) empatar o jogo. Ou que o Maicon (quem?) jogou um bolão. Mas esse é o tipo de gente que faz festa para qualquer coisa. Eu, da minha parte, estou esperando ansiosamente pelo jogo de domingo à tarde. Já imaginou só? Comer uma feijoadinha e assistir o Brasil depois do almoço?

Eu vou acordar só na segunda-feira. Revigorado.

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