Fala Galvão!

Vocês podem falar o que quiserem. Que ele é chato. Que ele é mal educado com os entrevistados. Que ele grita muito. Que ele não sabe as regras direito. Que ele é ufanista. Que ele não entende patavinas do que está falando. Podem falar até que ele está meio esclerosado. Mas um jogo da Seleção Brasileira sem a locução do Galvão Bueno não tem a menor graça. Descobri isso quando vi, nesse último domingo, a corrida de Fórmula 1.

Fiquei um tempão ali, olhando as primeiras imagens da corrida. Os carros estavam todos lá, parados no grid de largada. Os mecânicos com aqueles guarda-chuvinhas que os caras colocam para o piloto não tomar sol. Os pilotos sentados nas suas devidas acomodações. Só que parecia que estava faltando alguma coisa. A princípio, imaginei que fosse o ronco do motor. Mas os motores ligaram, e eu continuei com aquela sensação. Foi só na hora que os carros arrancaram que eu me dei conta. Não era o Galvão Bueno que estava narrando a corrida, mas um outro cara lá que eu nem lembro o nome. E, apesar de até ter sido uma largada bem emocionante, com uns acidentes legais – que é o que, no fundo, no fundo, a gente gosta mesmo de ver na corrida, mas tem vergonha de confessar – eu não consegui ficar muito tempo na frente da televisão.

Que graça tem assistir uma corrida sem o Galvão Bueno fazendo a disputa de dois carros retardatários pela vigésima colocação parecer uma batalha épica? E quem melhor que ele para não deixar o coitado do comentarista especialmente convidado falar? Ou de discutir em pé de igualdade com um ex-piloto de Fórmula 1 quais são as melhores maneiras de se trocar as marchas num carro de… Fórmula 1?

Tudo bem, tudo bem. Eu entendo que vocês não gostem dele. Eu também já tive a minha fase de “Cala a boca, Galvão!”. Mas, venhamos e convenhamos. Faça ele calar a boca de verdade para você ver só uma coisa. Por exemplo, no jogo do Brasil desta terça-feira, tire o som da TV. Pois aqueles vinte e dois homens correndo para lá e para cá, sem o Galvão se esgoelando nas nossas orelhas, vai perder totalmente o sentido. A gente quase não vai conseguir entender como é que o nosso chefe resolveu dar uma folga no trabalho só para a gente assistir o jogo.

Pois é o Galvão Bueno que faz as coisas parecerem espetaculares num mundo absolutamente chato e monótono. Eu, se pudesse, escolhia o Galvão Bueno para narrar a minha vida.

Ia ser emocionante.

3 Respostas

  1. Um cara falando bem do Galvão… Manda pra ele esse texto, que ele vai enquadrar e colocar na parede, feito um troféu.

  2. ahahahah é, mais ou menos, mas cê acha que eu escrevi por quê? Para ser do CONTRA! Foi uma oportunidade única de escrever um texto a FAVOR, só que é do CONTRA!

  3. Você é um estrategista brilhante, Artur.

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