Das invenções e outras coisas

Se você mora em uma cidade, todas as coisas que estão ao seu redor foram criadas por alguém. Li essa frase outro dia desses, na Folha de S.Paulo, num artigo sobre um novo livro de design que estava sendo lançado. E é verdade. Até mesmo o seu bicho de estimação, se você tiver algum, foi inventado. Porque os bichos deviam estar correndo por aí, livres, e não presos na sua casa.

É uma coisa que eu nunca tinha pensado muito a respeito. Se a gente olhar em volta, desde a hora que acorda, a gente começa a conviver com coisas que alguém, no mínimo, pensou um pouco para ela estar ali, à nossa mão. Vejam vocês o colchão. O colchão precisou ser pensado, pois não? Primeiro, devem ter feito alguma coisa bem dura, como o chão das cavernas, que é onde nossos antepassados deviam dormir. Depois, alguém achou por bem amolecer um pouco aquele troço, porque não havia costas que aguentassem. Aí, eles fizeram um colchão de espuma bem mole, o que deve ter iniciado uma verdadeira epidemia de desvios de coluna e bicos de papagaio. Isso até chegarem mais ou menos ao colchão que temos hoje, uma coisa nem muito dura, nem muito mole, se possível com uma consistência que nos faça esquecer por completo que ele estava ali enquanto dormíamos.

E aí a gente senta na cama e coloca o chinelo e começa a pensar em quem foi que inventou o chinelo. Um chinelo desses normais, estilo havaianas. Que a idéia daquela tira enfiada no meio dos meus dedos, a princípio, deve ter parecido uma péssima solução. Afinal, aquele negócio devia incomodar, puxa vida. Provavelmente, se eu fosse o dono da fábrica das Havaianas, teria rejeitado a invenção de um calçado tão esdrúxulo. O que, talvez, explique um pouco o fato da minha conta bancária estar eternamente no vermelho.

Agora, pense bem. Nós ainda nem levantamos da cama, e eu já escrevi quase que a crônica inteira só falando de duas dessas invenções todas a que nos sujeitamos todos os dias. Nós nem começamos a pensar ainda no carpete do quarto, na maçaneta da porta, na própria porta, no banheiro, na torneira, na pia, no espelho da parede. E foi ali, olhando para o meu reflexo no espelho, que me passou pela cabeça, como um flash, a mais antiga das nossas dúvidas: e eu? Quem diabos me inventou?

Joguei um bocado de água na cara. Melhor parar com essas coisas. Eu já devo estar é atrasado pro emprego, isso sim.

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