O que eu sei sobre o amor

É engraçado como as maiores histórias de amor da literatura e das artes em geral acabam muito antes da gente saber como foi a vida dos caras quando chegaram na meia idade.

Pode reparar. A gente nunca vê, por exemplo, uma novela começando com um casamento. Os casamentos, geralmente, acontecem só no fim da novela. Mais que isso. Os casamentos das novelas, na maioria absoluta das vezes, acontecem na última cena, do último capítulo. O casamento nem acabou ainda, e já começam a passar os letreiros e a propaganda da próxima novela. A coisa não chega nem na lua de mel. Nas historinhas infantis também, só que eles arrumaram um jeito legal de resolver o problema. Eles tascam o famoso “e eles foram felizes para sempre” e estamos conversados. Nada de detalhes técnicos.

E isso acontece porque se apaixonar é até que bastante fácil. Dá para se apaixonar, por exemplo, até por uma atriz de Hollywood, sem precisar ficar conversando nem nada disso. Até mesmo se casar é razoavelmente fácil. Afinal, somos todos jovens, saudáveis, e quando nossos pais chegam para a gente propondo uma baita de uma festa de casamento e uma lua-de-mel em Paris com tudo pago, não há a menor razão para não se casar. Muito pelo contrário. Nessa idade, o grande lance é cair na farra.

Só que isso tudo, convenhamos, não é amor de verdade. Isso é outra coisa. Tem até uns sociólogos mais radicais que afirmam que o amor nem existe. Isso que a gente chama hoje em dia de amor foi inventado mais ou menos no século XVIII por uns poetas meio amalucados, e que, antes disso, o amor era mais parecido com uma sociedade do que com qualquer outra coisa, com os pretendentes masculinos oferecendo, de sua parte, suas carreiras, estudos ou posições sociais, e as noivas entrando com seus dotes de família. Por outro lado, Freud disse que o amor não passava de medo de amadurecer. Segundo ele, o amor é uma tentativa de permanecer na infância, conseguindo uma outra mãe ou um outro pai, dos quais ficaremos eternamente dependentes.

Já, eu, digo uma coisa para vocês. Do pouco que me foi dado conhecer do amor, e se ele realmente existe, de uma coisa eu tenho certeza. Ele não acontece à primeira vista, nem em paixões súbitas e avassaladoras. Só dá para saber se você ama uma pessoa passando, pelo menos, uns 25 anos com ela. Se, depois desse tempo, você descobrir que não amava a pessoa escolhida, deu azar, fazer o quê.

No meu caso, dei sorte. Mas aí eu já estou ficando meloso demais também, pombas.

2 Respostas

  1. Ah, fala sério!!

  2. não falo.

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