A débilmentalzisse humana

O grau de débilmeltalzisse do ser humano parece não ter limites. Como se não bastassem os rodeios e o Big Brother Brasil, agora deu de surgir uns caras que se penduram por ganchos enfiados na própria pele. Eles ficam lá, pendurados, sangrando, e o povo aqui embaixo, assistindo. E alguns deles, como aconteceu essa semana numa das esquinas mais movimentadas de São Paulo, não se contentam em apenas se pendurar por ganchos dentro de ambientes fechados, sejam hospícios ou teatros. Não. Eles enfiam os ganchos de ferro, depois amarram o gancho num cabo de aço, e um guindaste levanta os caras mais ou menos até 50 metros de altura.

Tudo bem. Débil mental a humanidade já tem faz tempo e não é coisa dos nossos tempos modernos. Veja você aí esses faquires que se deitam em camas de prego a milhares de anos na Índia, para alcançar, segundo eles,  um estado de espírito superior e totalmente integrado aos deuses. Ou aqueles outros, acho que são índios brasileiros mesmo, que, descalços, atravessam enormes braseiros, caminhando calmamente como se estivessem numa praia. Ou aqueles outros ainda, das tribos da ilha Vanuatu, no Oceano Pacífico, que pulam de enormes troncos de 30 metros de altura amarrados só nos calcanhares por uns cipós meio podres que volta e meia se rompem fazendo o coitado do índio se esborrachar no chão. Só que, como se pode ver, geralmente essas coisas aconteciam só em sociedades mais primitivas, por questões religiosas, em rituais de passagem, por pura valentia ou sabe-se lá para quê.

Agora, esses caras que se penduram em ganchos de aço e que tem a carne rasgada por seu próprio peso registram suas performances em filmezinhos para o youtube, postando links no twitter e abrindo perfis no facebook. Quer dizer, são pessoas razoavelmente esclarecidas, com acesso a tudo o que há de mais moderno na civilização ocidental, e mesmo assim fazem a coisa mais idiota que um ser vivo pode fazer, se mutilando e sangrando até não se aguentar mais de dor. E depois ainda chamam aquilo de “arte performática pelo reencontro com o próprio corpo”.

A verdade é que essa nova mania só vem provar uma antiga tese minha. A de que não importa onde tenha nascido, de quem tenha nascido ou em que época tenha nascido. O ser humano sempre consegue se superar no quesito imbecilidade.

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Uma resposta

  1. Agora dá pra sacar como um boi se sente enganchado no frigorífico. Só que ele não ganha matéria na TV pela proeza de ficar pendurado.

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