É isso aí, bicho

O ser humano é meio idiota com esse negócio de animais de estimação. Talvez até exista uma palavra um termo mais leve para designar essa relação, mas “idiota” foi a primeira palavra que me veio à cabeça quando me vi quase chorando por causa de um peixinho de aquário.

Não era um peixe em nada diferente desses outros peixinhos que a gente vê por aí, só que ele ainda era bem pequenininho. A gente ganhou três de uma amiga que disse que o peixinho dela botou. Ou deu à luz, ou seja lá como diabos aquele peixe se reproduz. Mais para não fazer desfeita com a amiga, colocamos os três lá num canto, dentro de um vaso, e fomos dando comida.

E os bichinhos começaram a crescer. Cresceram, cresceram e aí… um deles morreu faz uns dois dias. Foi uma choradeira em casa. Todo mundo chorando, minha mulher, minha filha, meu neto, a empregada, os cachorrinhos. E até mesmo eu, que vivo dizendo que não ligo para esse tipo de coisa, fiquei com os olhos meio marejados com o troço. Agora, como é que pode, uma coisinha que não dava meio centímetro de comprimento causar tamanha comoção? Porque, se você pensar bem, aquele peixinho é exatamente a mesma coisa que todos aqueles 156 piaus e lambaris que o meu sogro pesca toda vez que sai de barco lá no rancho, e dos quais a gente não pensa duas vezes em arrancar a barrigada e cortar as barbatanas, muitas vezes com eles ainda vivinhos da silva e se batendo todos.

Me fez lembrar um pintinho que eu ganhei uma vez, quando era criança, numa daquelas feiras agropecuárias. Hoje em dia, a prática deve ser proibida por alguma lei de proteção aos animais mas, antigamente, era bastante comum. O problema é que os pintinhos, geralmente, morriam um ou dois dias depois, debaixo de algum triciclo ou de doença. Só que o meu não morreu. O pintinho durou até que bastante tempo, tanto que até arrumamos um nome para ele, o Cocó.

Sei que, como não podia deixar de ser, com o tempo o Cocó virou um baita dum galo e começou a cantar – o que, convenhamos, não pegava bem num prédio de apartamentos em pleno centro de Campinas, ainda mais se levarmos em conta que o meu pai era o síndico. Um dia, misteriosamente, o Cocó sumiu sem deixar vestígios.  Minha mãe jura até hoje que não, mas eu aposto que nós comemos o Cocó no final de semana seguinte. Que eu me lembre, ao molho pardo. Nunca mais comi frango. Bem, vá lá, de vez em quando um filezinho bem passado cai até redondo.

Mas ao molho pardo, jamais.

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