Pra não dizer que não falei de futebol

Não sou muito de falar de futebol. Futebol, para mim, tem o efeito de um sonífero. Toda vez que eu estou com sono, é só ligar num jogo que eu não consigo manter meus olhos abertos nem por quinze minutos. Para você ver só uma coisa, a última partida completa que eu consegui assistir foi exatamente há quatro anos, um Brasil contra a França durante a Copa do Mundo, jogo, aliás, do qual não tenho muito boas recordações.

E foi mais ou menos nesse espírito que, no último domingo, liguei a televisão e me deparei com as finais do Campeonato Paulista. Antes que o jogo começasse, corri até o quarto, peguei meu travesseiro predileto e me ajeitei no sofá para a minha sonequinha do fim da tarde. E não é que eu não consegui dormir? Eu não sei como é que andam os outros jogos, mas aquilo que eu assisti foi uma coisa de doido. Pra começar, tinha um jogador que entrou em campo de óculos de nadador. E não tinha dado nem um minuto quando aconteceu o primeiro gol.

Do Santo André. Sem saber direito o que é que estava acontecendo, tentei prestar atenção no locutor, e descobri que o Santo André precisava ganhar do Santos por uma diferença de dois gols para ser campeão. No entanto, das poucas notícias que eu tinha ouvido desse campeonato, uma era que o Santos era um timaço, que lembrava até mesmo aquele time do Pelé, e agora ele estava ali, perdendo para os santoandrezinos, santandrenses, ou seja lá como se chama quem nasce nessa aprazível e moderna cidade interiorana.

De qualquer forma, o Santos empatou logo em seguida, com um golaço exatamente daquele moleque que tinha entrado de óculos (pelo visto, ele tinha desistido da idéia). E foi aí que a coisa degringolou de vez. Aconteceu simplesmente de tudo. O Santo André fez mais um. O Santos empatou. O Santo André marcou de novo. Tudo isso misturado a bolas na trave, gols anulados, milhares de cartões amarelos e vermelhos. E, como se já não bastassem os óculos, um outro entrou com uma touquinha de nadador.

Em determinado momento, achei que nada mais poderia me surpreender. Isso até o técnico do Santos resolver fazer uma alteração e tirar um tal de Ganso(!) do campo. Pois não é que o tal do Ganso se recusou a sair? Foi a primeira vez que eu vi uma coisa dessas em toda a minha vida. E o que é melhor. O tal do Ganso foi considerado o melhor jogador do jogo, e os jornais da segunda-feira pediam, inclusive, sua convocação para a Seleção Brasileira.

Fiquei tão animado que cheguei para um amigo e comentei que essa partida me deu vontade de assistir mais futebol. Ele olhou para mim, deu um gole em sua cerveja e resmungou:

– Assiste um jogo do Palmeiras que passa…

Uma resposta

  1. Vi esse jogo com meu pai. Adorei, principalmente a parte do jogador com touca e óculos de nadador.

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