Você me chamou de quê?

Nome é uma coisa esquisita. Tem nome que a gente carrega. Tem nome que carrega a gente. E, às vezes, os dois ao mesmo tempo. Só para ilustrar, eu tenho um amigo que se chama Ferrari. Trabalha comigo, na TV. Pois eu sempre achei o nome dele uma coisa assim, difícil de carregar. Porque, com um nome desses, você não pode sair por aí, dirigindo um Corcel II, que vai ser gozação pra todo lado.

E, por outro lado, é um nome danado de bom. Pombas, o cara se chama Ferrari! Nada de “da Silva”, “Carvalho”, ou Simões”. Não. Ele se chama FERRARI. Conforme a ocasião, dá pra botar uma banca danada, é ou não é? Tipos, se ele chega numa dessas casas noturnas metidas à besta em São Paulo ou no Rio de Janeiro, com uns óculos escuros invocados, uma roupa descolada, mostra a carteira de identidade escrito ali, “Ferrari”, e diz que foi convidado mas esqueceu o convite, os Leões de Chácara vão, no mínimo, dar uma tremida. E, depois de uma treinada, se ele começar a gritar em italiano coisas como “l’amministrazione comunale ovviamente resterà vigile” ou “settimana l’impresa, commendatore”, eu aposto que qualquer lugar do mundo vai abrir todas as suas portas para ele.

Só que, há pouco tempo, houve um porém nessas minhas impressões acerca de seu nome. Eu descobri que o Ferrari também se chamava Aparecido Natalino. O Ferrari nasceu, veja você, no dia 25 de dezembro, o que, convenhamos, já é um azar danado, porque a concorrência pelas atenções nesse dia é praticamente imbatível. Mas, não contente com isso, a mãe do Ferrari resolveu eternizar na certidão de nascimento e no futuro RG de seu filho a, perdoem-me a expressão, maldita coincidência.

Não é à toa que muita gente se revolta com o próprio nome. E, embora o processo seja um pouco burocrático, é possível, para qualquer brasileiro, trocar de nome legalmente, desde que haja boas razões para isso. Mas existem outras maneiras também. Maneiras, digamos, mais informais.

Uma conhecida minha de muitos anos, por exemplo, se chama Raquel. Desde que eu a conheço, o nome dela é Raquel e pronto. Aí, um dia, eu precisei anotar o nome inteiro dela num documento. E eu escrevi ali, Raquel… Raquel…

– Ô, Raquel! Você chama Raquel de quê?

– Aparecida da Silva.

– Raquel Aparecida da Silva?

– Não! Só Aparecida da Silva.

– Mas… mas… você não chama Raquel?

– Não.

– E de onde é que apareceu Raquel?

– Eu gosto, ué. Raquel… É um nome bem bonito, não é?

Uma resposta

  1. Ah, vá. Conversa fiada, a sua. Carvalho é “do carvalho”, como disse o Custódio. “Artur de Carvalho”, então… é uma alcunha definitiva, rapaz.

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