Entrevista da Semana (por e-mail)

Nosso entrevistado de hoje é o Dr. Carlos Rechembeirg, Secretário Estadual das Doenças Contagiosas. Na semana passada, o secretário deu uma polêmica entrevista à revista “Veja”, na qual declarou-se frustrado pela falta de recursos destinados à sua secretaria.

Dr. Carlos. Eu, como tantos leitores, sequer conheciam a sua secretaria. Será que, além de verbas, não falta um pouco de divulgação?

– Em toda minha vida pública preferi investir em obras em vez de investir em propaganda.

Mas essa não seria a causa de sua secretaria não estar recebendo a devida atenção por parte do Estado, conforme o senhor revelou à revista “Veja”, na semana passada?

– Ah, você leu a entrevista? Pois bem. Sim, é verdade. Minha secretaria tem encontrado muitos problemas. Nesses anos todos, não me lembro de nenhum desses manda-chuvas ter feito uma visita. Nem o pessoal da limpeza passa muito por aqui. Está tudo sempre vazio, empoeirado, lâmpadas faltando.  Mas esse é um problema crônico da democracia. Os políticos injetam milhões na gripe suína, que tem mais visibilidade, e quando se trata das doenças contagiosas, a gente tem que agradecer qualquer centavinho que cai.

Mas e a AIDS? A AIDS tem bastante cobertura da mídia, não tem?

– Veja bem. A AIDS é um caso à parte. Além do fato de ter causado a morte de alguns artistas de renome, como o Henfil, o Cazuza, Renato Russo, e tantos outros, ela assumiu uma importância internacional. Tanto é que o combate à AIDS não é mais de nossa alçada, mas um trabalho entre os municípios, o estado e a União. A minha secretaria trata de doenças menos conhecidas.

Quais, por exemplo?

– A mais conhecida é a hanseníase. É uma doença antiga, a ciência médica tem relatos dela há milhares de anos. Antigamente era conhecida como Lepra. Eu trato todos os dias dezenas de pacientes aqui mesmo na secretaria. Mas o que me espanta é que a maioria deles não sabe que a doença tem cura.

Lepra? O senhor leva leprosos aí para a secretaria?

– É claro. Existe maneira melhor para ajudá-los? Você, ou alguém do seu jornal, poderia vir aqui, um dia, conhecer nosso trabalho.

Nós. Bem. A política de nosso jornal é só fazer entrevista por e-mail.

– Mas vocês não mandaram toda uma equipe para cobrir o café da manhã realizado pela Secretaria de Nutricionismo?

Ah, sim, é verdade. Mas foi uma exceção. Bem, muito obrigado Dr. Carlos, pela entrevista. E boa sorte.

– Sou em quem agradece a oportunidade. E se quiser aparecer por aqui, vai ser um prazer recebê-lo.

Certo. Tudo bem. A gente combina outra hora, tá?

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