Calemo-nos

Como eu já disse aqui uma vez, desde que resolvi não ter um ataque dos nervos todas as vezes que encaro, ouço ou leio alguma coisa de ou sobre um político, minha qualidade de vida melhorou consideravelmente. E – quem diria? – venho até aprendendo algumas coisas com eles.

A última coisa que aprendi com os políticos é que, sempre que possível, devemos nos manter calados. Já há muito tempo percebo que, quanto mais falamos, mais propensos a nos meter em encrencas ficamos. Tente se lembrar do número de vezes que você se enrolou todo por falar alguma bobagem. Agora, tente se lembrar do número de vezes que você se deu mal por ter ficado calado. Pois é isso que eu estou falando. Quanto menos você fala, menos confusão arruma para sua cabeça.

O exemplo da vez é a Dilma Rousseff, candidata do PT à presidência. Saiu, outro dia, na “Folha de S.Paulo”, um artigo com a Dilma dizendo que, na época da ditadura, não tinha fugido da luta e que não deixou o Brasil. Daí, para o Serra dizer que, na época, ele era um exilado político e que não tinha fugido de nada foi um pulo. E aí aparece a Dilma de novo dizendo, inclusive no seu twitter, que havia mandado “uma carta para a Folha de S.Paulo porque na matéria o jornal atribuiu a mim (Dilma) um trecho de frase que eu não disse”. Quer dizer, já virou um disse que disse que ninguém entende mais nada.

Por outro lado, teve aquela vez, também, que o Fernando Henrique Cardoso, o pajé do PSDB, disse para esquecerem o que ele havia escrito porque, quando na presidência, um homem precisava se distanciar de suas bases sociológicas e pensamentos de esquerda para poder exercer efetivamente seu mandato. Foi um alvoroço. Todo mundo dizendo que um intelectual como o FHC não podia dizer uma coisa daquelas e tudo o mais. O FHC até tentou se explicar, mas ninguém se lembra mais da explicação. Só da bobagem que ele disse.

Quer dizer. Nos dois casos, se ambos tivessem se calado, teriam menos dores de cabeça com a imprensa e com seus eleitores. No entanto, ficar calado é uma qualidade que poucos políticos possuem. De uma maneira geral, são todos muito falantes e adoram fazer longos discursos, geralmente sobre si mesmos. Os políticos deviam dar mais atenção aos ensinamentos populares e se lembrarem, de vez em quando, daquele antigo mas não ultrapassado ditado:

“Se nascemos com dois ouvidos e apenas uma boca, deve ter sido por uma boa razão.”

Uma resposta

  1. “O silêncio já é uma resposta”, disse minha professora de teatro outro dia, tentando colocar os calados e omissos na roda. Ela é que deveria ter ficado calada.

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