Será que a pilha desse moleque não acaba nunca?

Foi a descoberta do século. Jornalistas se acotovelavam na porta da casa do cientista responsável, ainda desconhecido da maioria deles. Quando ele surgiu, no entanto, causou uma certa decepção. Sua figura em nada se parecia com aquele “Professor Pardal” que todos esperavam. Ele não era um velhinho de olhos fundos e cabelos desajeitados, nem usava avental branco por cima de um terno surrado. O homem que mudou a face do mundo usava um jeans, nem muito caro, nem muito barato, nem muito velho, nem muito novo. Uma camiseta pólo. Um par de tênis desses bem normais. E sua aparência mesmo, com um corte de cabelo tradicional, mas nem por isso antigo, corpo bem cuidado, mas com uma barriguinha já meio saliente, em nada lembrava aquela fotografia famosa do Einstein, que é mais ou menos o que a gente acha que vai encontrar pela frente quando se trata de um gênio revolucionário.

A casa do cientista, que desde aquele momento entrava para história da humanidade, também era bem diferente daqueles laboratórios malucos que a gente tem na imaginação. Pense bem. Como é que você acha que é a casa de um cientista? Cheia daqueles vidrinhos com líquidos verdes borbulhantes. Aparelhos soltando pequenas faíscas. Mostradores de relógios ligados a computadores um pouco antiquados. Lousas com fórmulas matemáticas absolutamente incompreensíveis.  Pois a casa do nosso cientista não tinha nada disso. Era uma casa bastante normal, uma sala com TV, dois quartos, um quintal com uma churrasqueira enferrujada num canto. Se havia alguma coisa diferente, se é que se pode dizer assim, eram os brinquedos espalhados, algumas paredes rabiscadas com lápis colorido e um triciclo estacionado ao lado da porta da frente, com as rodas viradas para cima.

O jovem cientista postou-se na varanda de sua casa, para seu primeiro pronunciamento após a fantástica descoberta.  Limpou a garganta e começou.

– A partir de agora, não serão mais necessários o petróleo, o carvão, hidrelétricas ou qualquer outra fonte de energia. Utilizando um elemento bastante comum, qualquer um poderá criar quanta energia precisar, sem problemas com poluição ou coisa parecida.

Nesse momento, para surpresa de todos, chamou seu filho. O cientista, sem dizer nada, fez um cafuné na cabeça da criança de apenas três anos e pediu-lhe que tirasse sua camiseta do Ben 10, o que o pequeno fez com certa relutância. Com um dos dedos, apertou levemente uma das costelas do menino. Assombrados, todos puderam ver um pequeno compartimento se abrindo e, de dentro dele, o jovem cientista puxou o que parecia ser uma… pilha!

– Eis aqui a grande descoberta. Uma pilha que não acaba nunca!

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